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Tempo de colheita e de reflexão no campo – por Luís Henrique Kittel

“Todo ano o agricultor faz sua parte. Planta, investe, trabalha e produz”. Mas...

Março marca, tradicionalmente, um dos períodos mais intensos da agricultura na nossa região. É o momento em que o trabalho silencioso feito ao longo de meses começa a aparecer nos campos e nas propriedades. A safra do tabaco praticamente se encerra, enquanto a colheita do arroz avança e deve seguir até o final de abril. Em paralelo, também ocorre o período de retirada da soja em diversas áreas do interior.

Entre os fumicultores, muitos já finalizaram a colheita e a cura do tabaco e agora iniciam o envio da produção para as empresas. É um processo que envolve meses de dedicação, investimento e muito esforço físico. Neste ano, o tabaco tem apresentado preços considerados positivos, o que traz algum alívio diante de um cenário de custos cada vez mais elevados.

Já o arroz, cultura histórica e fundamental para a economia da região, enfrenta um cenário bem diferente. A produtividade tende a ser boa em muitas lavouras, mas o preço pago ao produtor ainda está distante do que seria necessário para garantir tranquilidade a quem investiu pesado para produzir.

Essa é uma contradição antiga do setor agrícola brasileiro: o produtor produz mais, investe mais, se moderniza, mas continua recebendo menos do que deveria. Enquanto os custos com fertilizantes, defensivos, energia, combustível e maquinário seguem em alta, o preço final da produção muitas vezes não acompanha essa realidade.

E não é só dentro da porteira que os desafios aparecem. Fora dela, o problema da infraestrutura continua sendo um obstáculo real. Estradas rurais e rodovias ainda representam um gargalo para o escoamento da produção. Em plena época de safra, quando caminhões começam a circular com mais intensidade, fica evidente o quanto ainda precisamos avançar para garantir condições adequadas de transporte.

Todo ano o agricultor faz sua parte. Planta, investe, trabalha e produz. Sustenta boa parte da economia regional e ajuda a manter o país entre os maiores produtores de alimentos do mundo. Mas o campo não pode continuar sendo lembrado apenas na época da colheita.

Se queremos que a agricultura continue sendo o motor econômico do interior, é preciso ir além da retórica. É necessário discutir políticas agrícolas mais consistentes, melhores condições de infraestrutura e, principalmente, garantir que quem produz tenha remuneração justa pelo seu trabalho.

Porque no fim das contas, a safra pode até ser boa no campo. Mas, sem preço justo e sem estrutura adequada, o resultado para o produtor nem sempre acompanha aquilo que a lavoura prometia.

(*) Luís Henrique Kittel, 40 anos, é jornalista formado pela então Unifra, atual UFN. É prefeito de Agudo (o único do PL na região), e é o atual presidente da Associação dos Municípios da Região Central (AM Centro) e já foi vice-presidente do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia. Ele escreve no site às quintas-feiras.

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