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Bom debate. A mídia foi derrotada por Lula? Há vários que pensam assim, Mino Carta à frente

Minha opinião você já conhece. Não me preocupa saber se a mídia (falo daquela mesma, a grandona) foi ou não derrotada por Lula. Me interessa bastante, porém, discutir porque especialmente os grandes jornais, revistas e emissoras de rádio e tv não deixaram claro para os seus espectadores-leitores a posição clara que tiveram – e que foi totalmente, com exceção da revista Carta Capital, contrária à reeleição do Presidente.

Entendo que não esclarecer ao distinto público, mais que hipocrisia, foi falta de honestidade. Pelo menos em relação a uma meia dúzia de veículos, alguns deles uma concessão pública. Não vou ficar a me repetir, dizendo que todos, poder concedido ou não, deveriam colocar com clareza, em editorial (sem prejuízo à verdade factual), que eram contra ou a favor. Isso, em vez de ficar repetindo à exaustão a bobagem da neutralidade, é atestado de honestidade. E ponto.

Agora, há pensadores do jornalismo, e militantes da profissão, que avançam no debate. É o caso de Mino Carta, diretor de redação da Carta Capital. Com a autoridade de um criador de revistas de sucesso (inclusive a Veja, a Quatro Rodas, a Senhor e a Istoé, além da própria CP) ele expõe com clareza, em artigo na publicação que dirige, sua posição sobre a derrota da mídia grandona. Concordando ou não, vale a pena ler:

”A OPINIÃO PÚBLICA DERROTA A MÍDIA
Aqui está um dos significados da reeleição do presidente Lula

A liberdade de imprensa no Brasil é a das grandes empresas midiáticas deitarem e rolarem no esforço concentrado de servir o poder, ou, por outra, a si próprias. Assistimos neste momento ao lamentável espetáculo encenado pela mídia, ainda e sempre disposta a esconder o seu ódio de classe, o seu facciosismo, o seu golpismo, por trás do biombo da neutralidade.

Tenho a forte impressão de que o biombo está a ficar transparente. A eleição de Lula é a derrota da mídia. Patético é o esforço de insistir na idéia da eqüidistância e da isenção, como faz, por exemplo, o diretor de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel. Diz ele que tal é a tradição global. Os porta-vozes de outras empresas de comunicação diriam o mesmo, impavidamente.

A tradição, de verdade, é aposta àquela pretendida, ainda que o tom da mídia, em 2002, tenha seguido pauta diferente daquele de 2006. Quando, há quatro anos, a eleição de Lula se desenhou como inevitável, o comportamento foi muito mais cauteloso, comedido, brando, do que desta vez. Pelo contrário, há um ano e meio, a mídia postou suas baterias e abriu fogo sobre Lula, o governo e o PT. Corrente para frente. E lá pelas tantas, concluído o primeiro turno, iludiu-se que a vitória de Alckmin seria possível.

Antes de chegar à encruzilhada da minha vida profissional, há quase 31 anos, para ser obrigado a partir de então a inventar meus empregos, tive patrões e sei que os homens se detestam. Não excluo exceções, mas, em geral, no plano pessoal e empresarial, um não tem o menor apreço pelo outro. Unem-se, porém, compacta e indissoluvelmente, sempre que divisam o risco comum.

Exemplos clássicos, que envolvem todos, e para não remontar aos sumérios, comecemos pela renúncia de Jânio Quadros e pela posse na Presidência do vice João Goulart. Ali começou a fermentar a idéia do golpe, já aflorada durante o governo constitucional de Getulio Vargas, e, logo após, o de Juscelino Kubitschek. A mídia implorou pela intervenção dos gendarmes, e ao se dar, enfim, a avançada grotesca dos tanques, saudaram-na como revolução, a redentora.

Depois da escravidão, o golpe de 1964 é a maior tragédia brasileira consolidada, digamos, pelo golpe dentro do golpe em dezembro de 1968. A ele os senhores da mídia não regatearam apoio em uníssono. Hoje alguns, com a extraordinária desfaçatez que os caracteriza, falam em anos de chumbo. Não para a maioria. Folha, Globo e Jornal do Brasil nunca foram censurados. O Estado foi, teve, porém, a regalia de preencher os cortes censoriais com versos de Camões. E assim, vale acentuar que uma briga entre golpistas convocou as tesouras, a mesma disputa capaz de condenar Carlos Lacerda à cassação.

A UDN de São Paulo queria mais poder do que o concedido pela ditadura. Mais esperto, Roberto Marinho entendia-se às mil maravilhas com o ministro Armando Falcão. Unidos, novamente, os donos da mídia, na oposição à campanha das Diretas Já, com a única exceção da Folha de S.Paulo. A equipe da Globo foi escorraçada pelos manifestantes durante o comício da Praça da Sé, dia 25 de janeiro de 1984.

E unidos a favor da candidatura Collor, o fio desencapado da vez, necessário, entretanto, para evitar Lula, em 1989. E unidos no apoio deslumbrado a Fernando Henrique Cardoso, para o primeiro e para o segundo mandato, aquele que resultou no maior engodo eleitoral da história da incipiente democracia brasileira. Foi quando Roberto Marinho confiou nos artigos de Miriam Leitão, a qual garantia que o real não seria desvalorizado.

Entre muitos lances da cobertura da campanha eleitoral neste ano, chamou-me atenção o espaço dado ao ex-presidente FHC na sua bem-sucedida…”


SE DESEJAR ler a íntegra do artigo, pode fazê-lo acessando a página da revista Carta Capital na internet, no endereço http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirSecao&id_secao=13.

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