Haja jornalista! Pelo menos mil colegas estão em atividade no Congresso Nacional
Está se formando um grande forrobodó em torno do assunto. E, ainda que o texto que reproduzirei abaixo não fale disso, tudo teria começado com uma reportagem da revista IstoÉ, dando conta da existência de jornalistas fantasmas no parlamento federal. E foi desmentido pela chefia do setor, na Câmara dos Deputados.
Não se sabe quem tem razão. Mas uma coisa é certa: o que não falta é jornalista no Congresso Nacional. São pelo menos mil, entre os contratados como tal por concurso público ou que estão na ativa há muuuito tempo, e os lotados em cada gabinete de deputado ou senador.
E, agora, num concurso público que acontece em seguida, outras 13 vagas foram abertas, com salário de algo em torno de R$ 9 mil. Afirmo: são raríssimos os profissionais que recebem esse salário em qualquer parte do Brasil. E são, com toda a certeza, chefes.
Como se vê, não se trata de tema fácil. Mas ele é enfrentado, e bem, em reportagem publicada pelo site especializado Congresso em Foco. O repórter Lúcio Lambranho apurou, por exemplo, que a questão do número de funcionários no Parlamento não se prende apenas a jornalistas, embora esse possa ser o caso mais gritante. E até faz uma comparação com um país, o México, de economia semelhante à brasileira. Lá, para um conjunto de 500 deputados federais, há seis servidores para cada um. Em território brasuca, são 32. Pois é.
Ah, mas e os colegas? No Senado da República (brasileira) são 81 senadores. E quantos jornalistas? Tchan-tchan-tchan-tchan! Leia a reportagem a seguir, e descobrirá:
O Congresso precisa de mais jornalistas?
Câmara abre concurso para contratação de mais 13 jornalistas e suscita debate sobre a estrutura de comunicação do Legislativo
Os números são tão impressionantes e polêmicos quanto a própria estrutura do Congresso Nacional. Estimativas conservadoras indicam que pelo menos mil jornalistas integram o quadro de funcionários da Câmara e do Senado, o que confere ao Legislativo a condição de maior redação da capital federal.
A maioria dos jornalistas que trabalham no Congresso está lotada nos 594 gabinetes parlamentares e nas dezenas de lideranças partidárias espalhadas pelas duas Casas, em cargos de confiança, e desempenha o papel de assessor de imprensa de deputados, senadores e bancadas.
Outros 265 jornalistas, porém, fazem parte do corpo efetivo de servidores da Câmara (108) e do Senado (157). Considerando-se apenas esse seleto grupo, a média é de praticamente dois jornalistas para cada senador e de um para cinco deputados. Mas o quadro vai crescer nos próximos meses, com a realização de um concurso público na Câmara que reserva 13, das 243 vagas abertas, para jornalistas. São oito vagas para imprensa escrita (jornal e internet), duas para TV e três para rádio.
De acordo com o edital, o salário inicial para jornalistas, assim como para os demais profissionais com formação superior, será de R$ 9.008,12, entre vencimentos e gratificações. O piso para a categoria no Distrito Federal não passa dos R$ 1,5 mil. Mas o Parlamento precisa mesmo de tantos jornalistas? As respostas ouvidas pelo Congresso em Foco mostram que o assunto está longe de ser consensual.
Para a Secretaria de Comunicação Social da Câmara, a TV, a rádio, a agência de notícias (internet) e o jornal que acompanham diariamente as atividades da Casa precisam de reforços porque a mídia tradicional não cobre como deveria as ações do Legislativo com suas 20 comissões permanentes e as atividades do plenário.
O papel do jornal
A explicação não convence o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que também é jornalista. O deputado disse que ainda estuda o edital do concurso, mas adiantou que vai pedir informações sobre o total de servidores concursados e terceirizados que trabalham na área na Casa. O vice-líder do PV também questiona a necessidade de se manter a publicação diária do Jornal da Câmara, com tiragem de 10 mil exemplares.
“Sou contra o jornal em papel porque já temos o conteúdo na internet. Poderíamos pelo menos economizar o dinheiro do papel e da gráfica”, diz Gabeira.
A Secretaria de Comunicação Social alega que o jornal não provoca prejuízo porque é uma publicação de interesse público. São enviados, segundo a Câmara, 7 mil exemplares pelos correios para entidades em todos os estados do país, enquanto outros 3 mil são distribuídos diariamente na capital federal.
De acordo com a secretaria, embora ainda não haja intenção de acabar com o jornal, há estudos para que seja feita uma edição semanal no estilo de revistas e com matérias menos factuais, já que as mesmas informações também são publicadas na página da internet pela Agência Câmara.
Diante da polêmica, o novo primeiro-secretário da Câmara, Osmar Serraglio (PMDB-PR), que tem entre suas atribuições nomear os novos concursados e alterar o edital do concurso formulado ainda na gestão Aldo Rebelo (PCdoB-SP), disse…
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