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Outro lado. Os personagens desconhecidos que são também a vida do Congresso Nacional

Você sabe o nome do cara que te serve o cafezinho, naquela repartição? Ou daquela senhora que está varrendo o chão ou dando um duro danado para garantir a limpeza do banheiro? Não sabe? Pois eles estão aí, à sua volta, desconhecidos mas fundamentais. Homens e mulheres que ganham muito menos que você, mas que sem os quais a vida seria muito mais complicada.

De vez em quando, mas beeeem de vez em quando, os jornalistas lembram deles. Normalmente quando é tempo de pouca pauta. Aí, busca-se ao redor, pra ver se sai alguma coisa. Então, nota-se a presença importante de figuras como Maria Lúcia e Pedro. Queeeem? Será um deputado novato ou uma senadora recém-chegada?

 

Não, definitivamente não. São apenas (apenas?) dois auxiliares de serviços gerais que fazem seu diligente trabalho num local importantíssimo para a democracia, o Congresso Nacional. E viraram reportagem de uma reportagem (será efeito do recesso que terminou nem faz uma semana? Publicada pelo site especializado Congresso em Foco, assinada por Rodolfo Torres. Confira:

 

“Eles trabalham

Além de nordestinos e trabalhadores, eles também têm em comum o desejo de um futuro melhor para os filhos

 

A cearense Maria Lúcia decidiu sair de Sobral aos 27 anos para passar um tempo em Brasília. De acordo com ela, não tinha serviço por aquelas bandas e o jeito era sair para algum lugar que oferecesse mais oportunidade. E lá se vão 20 anos… De Congresso, são quatro anos de trabalho como auxiliar de serviços gerais, recebendo por mês algo mais do que um salário mínimo.

Durante essas duas décadas, ela retornou ao seu lugar de origem apenas duas vezes. No dia em que conversamos, ela saiu de sua casa, como de costume, às 5h 30 da manhã. Antes de deixar o lar para mais aquele dia de trabalho, bebeu uma xícara de café puro e comeu dois biscoitos de água e sal.

Ela chega à sua casa, diariamente, antes das 18h e consegue enxergar o maior espetáculo da capital: a aurora. E como já dizia o urbanista Lúcio Costa, “o céu é o mar de Brasília”. Maria é evangélica e a sua rotina se divide entre os afazeres domésticos, o trabalho no Congresso Nacional e a igreja, que sempre freqüenta após o trabalho.

O seu filho André, de 16 anos, lhe preocupa por não querer estudar. Ele ainda está na sexta série e divide seu tempo entre assistir…”

 

“…Um outro trabalhador

Pedro nasceu em Ribeiro Gonçalves, no Piauí, há 40 anos e está em Brasília há sete. Veio para cá, como tantos outros, na esperança de conseguir um trabalho, coisa cada vez mais rara em tanto lugar bom por aí, principalmente para quem estudou até a quinta série do primário. O piauiense é colega de trabalho de Maria Lúcia e está no serviço há sete anos.

De segunda a sexta, ele acorda às 4h 30 da manhã e leva mais ou menos uma hora para chegar ao trabalho. “Tem vezes que eu pego dois ônibus, mas hoje foi só um”, afirmou. Retorna ao lar, um pouco cansado,  no final da tarde.

Naquele dia, Pedro comeu apenas um pão sem manteiga, e dormido, antes de sair de casa. Não tomou café, nem leite. Apenas e tão somente o pão puro.

Casado há seis anos, pai de três filhos (Pedro Henrique, Mirele e Ana Clara), o trabalhador piauiense não…
”

 

SE DESEJAR ler a íntegra do artigo, pode fazê-lo acessando o Congresso em Foco na internet, no endereço http://congressoemfoco.ig.com.br/Noticia.aspx?id=14200.

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