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EDUCAÇÃO. Reitoria da UFSM sinaliza uma revisão dos fluxos de trabalho após cobranças da Sedufsm

Diante do levantamento do Sindicato, gestão da UFSM indicou mapeamento

A reunião teve como ponto de partida um documento elaborado pela Sedufsm com a sistematização das manifestações recebidas

Por Nathália Costa / Da Assessoria de Imprensa da Sedufsm

Na manhã da sexta-feira (26), a diretoria da Sedufsm esteve reunida com a Reitoria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para tratar de uma pauta que tem preocupado a categoria: a crescente sobrecarga de trabalho, o acúmulo de funções e a transferência de atividades administrativas para docentes. O encontro foi solicitado pela seção sindical após mensagens recebidas por meio de e-mails, mensagens e conversas com professoras e professores de diferentes unidades da universidade. Paralelamente ao diálogo, a Sedufsm promoveu duas plenárias para sintetizar as demandas e levá-las à administração da universidade. 

Participaram da reunião, pela Reitoria, a reitora Martha Adaime, o vice-reitor Tiago Marchesan, a pró-reitora de Graduação, Claudia Barin, a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, Cristina Nogueira, e o pró-reitor de Gestão de Pessoas, Frank Casado. Representando a Sedufsm estiveram os diretores Everton Picolotto, Cleder Fontana e Liane Weber, além da assessoria jurídica do sindicato, representada pela advogada Tanise Parmeggiani da Silva, do escritório Wagner Advogados Associados.

A reunião teve como ponto de partida um documento elaborado pela Sedufsm com a sistematização das manifestações recebidas da categoria. O material reúne relatos apresentados nas plenárias docentes realizadas nos dias 2 e 9 de junho, além de contribuições encaminhadas ao sindicato por diferentes canais. O objetivo foi apresentar à gestão universitária um panorama das situações enfrentadas por docentes e cobrar providências para o enfrentamento dos problemas.

Sobrecarga e acúmulo de funções preocupa

Durante a reunião, a diretoria da Sedufsm destacou que os relatos apontam para um cenário de intensificação do trabalho docente, especialmente entre coordenadoras e coordenadores de cursos, chefias de departamento e coordenações de programas de pós-graduação.

Entre as situações relatadas estão o acúmulo simultâneo de coordenações, a realização de tarefas administrativas sem suporte técnico, a elaboração de atas e memorandos, a condução de processos seletivos, a gestão de sistemas institucionais e a execução de atividades tradicionalmente desempenhadas por técnico-administrativos em educação (TAEs).

A Sedufsm também chamou atenção para o impacto das mudanças administrativas implementadas nos últimos anos, especialmente a unificação das secretarias e a digitalização dos processos. Segundo os relatos recebidos pelo sindicato, essas transformações têm sido acompanhadas de um repasse gradual de tarefas administrativas para docentes, ampliando a carga de trabalho para além das atividades pedagógicas. 

Outro ponto destacado foi a invasão do tempo de descanso das e dos docentes. A diretora Liane Weber alertou para o uso excessivo de aplicativos de mensagens e outras plataformas digitais, que têm ampliado a disponibilidade permanente exigida dos trabalhadores. “A tecnologia e a digitalização podem facilitar processos, mas não podem significar a eliminação dos limites entre trabalho e vida pessoal. O que temos observado é uma pressão constante que invade finais de semana, feriados e períodos de descanso”, destacou a dirigente.

A preocupação com os impactos da sobrecarga na saúde mental também esteve presente na reunião. A diretoria ressaltou que o sindicato tem recebido relatos cada vez mais frequentes de adoecimento relacionado ao excesso de demandas e à dificuldade de desligamento do trabalho.

Reitoria avalia necessidade de revisão dos fluxos de trabalho

Ao responder às demandas apresentadas pela Sedufsm, a reitora Martha Adaime reconheceu a necessidade de reavaliar fluxos e procedimentos administrativos implantados nos últimos anos. Segundo a reitora, muitas das medidas de digitalização foram implementadas durante a pandemia (em 2020 e 2021), em um contexto excepcional, e precisam passar por revisão.

A reitora afirmou que a administração universitária já possui uma agenda voltada à avaliação das secretarias integradas e dos fluxos administrativos, mas explicou que esse processo deverá avançar após a conclusão da greve dos TAEs, quando será possível realizar um diálogo mais amplo com os setores envolvidos.

A Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), segundo a gestão, também está realizando um levantamento para identificar gargalos e mapear atribuições nos processos administrativos. A intenção é verificar onde estão concentrados os principais problemas e quais medidas poderão ser adotadas para corrigi-los. Segundo a pró-reitora de Graduação, Claudia Barin, a Prograd já está analisando normativas, fluxos de trabalho e a distribuição formal das atribuições entre os diferentes setores da universidade. A intenção da gestão é dialogar com os segmentos envolvidos para avaliar quais procedimentos precisam ser alterados.

O vice-reitor Tiago Marchesan reforçou que a digitalização deve servir para simplificar e otimizar processos, e não para ampliar a burocracia ou gerar novas sobrecargas. Segundo o vice-reitor, a universidade pretende utilizar os levantamentos em andamento para revisar fluxos de trabalho e identificar situações que demandam correções.

Durante a reunião, a gestão também reconheceu que a pós-graduação vive uma situação particularmente sensível. Segundo a reitora Martha Adaime, diferentemente da graduação, programas de pós-graduação estão submetidos a calendários e avaliações de órgãos externos de fomento e regulação, o que amplia a pressão sobre docentes diante de prazos, editais, publicações e manutenção de bolsas, por exemplo. A gestão da UFSM informou que iniciará o mapeamento pela própria pós-graduação na universidade. 

Reivindicações sinalizam atenção à saúde mental

Além de apresentar o diagnóstico elaborado a partir dos relatos da categoria, a Sedufsm protocolou uma série de reivindicações junto à Reitoria.

Entre os principais pontos estão a realização de uma avaliação institucional da política de secretarias integradas; um levantamento sobre a distribuição dos encargos didáticos nos departamentos; a criação de mecanismos de valorização e incentivo para docentes que assumem funções de coordenação e chefia; a abertura de uma mesa de diálogo sobre progressões e promoções represadas; e a implementação de políticas voltadas à saúde dos trabalhadores da universidade.

Entre os pontos que receberam sinalização positiva da gestão está a realização de uma avaliação dos resultados da política de secretarias integradas. A medida foi defendida pela Sedufsm, que reivindica um diagnóstico institucional sobre os impactos da reforma administrativa tanto para docentes quanto para técnico-administrativos.

A diretoria também defendeu que a UFSM avance na adequação à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir o mapeamento e o gerenciamento de riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Para a Sedufsm, a discussão sobre saúde mental e prevenção do adoecimento precisa ocupar um papel central na gestão universitária.

O diretor Everton Picolotto ressaltou que o problema da sobrecarga docente não pode ser analisado apenas a partir de suas causas imediatas, mas também pelos seus efeitos concretos sobre a vida (interna e externa ao trabalho) de toda a categoria. “A questão é que existe uma pressão para que docentes assumam atividades que extrapolam sua carga de trabalho. Isso precisa ser enfrentado, especialmente nas coordenações e chefias, onde a situação tem se mostrado mais grave”, afirmou.

Ao final da reunião, a Sedufsm avaliou o encontro como um passo importante para dar visibilidade às preocupações da categoria e abrir um canal de diálogo com a administração central da universidade. Entre os principais encaminhamentos do encontro estão a continuidade do mapeamento realizado pela Prograd, a futura avaliação das Secretarias Integradas e a revisão de fluxos administrativos apontados pela categoria docente. As demandas apresentadas pela Sedufsm deverão integrar as próximas discussões da gestão universitária sobre organização do trabalho e condições de atuação de docentes e técnico-administrativos.

Assista ao depoimento completo aqui no Repasse. Especialmente sobre questões relacionadas à saúde mental e ao excesso de trabalho, a Sedufsm publicou, ainda em janeiro deste ano, uma reportagem especial que aborda a problemática na UFSM. Leia a matéria completa aqui.

PARA LER NO ORIGINAL, CLIQUE AQUI.

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3 Comentários

  1. Resumo da opera. Serviço publico, trabalhar cada vez menos recebendo cada vez mais é o ideal. Depois falam do judiciario.

  2. Bom lembrar que nos antigamentes os cargos citados eram meramente decorativos, todo mundo sabia que quem carregava o piano era a secretária.

  3. ‘[…] especialmente entre coordenadoras e coordenadores de cursos, chefias de departamento e coordenações de programas de pós-graduação.’ Coordenação de curso gratificação de 1200 reais. Chefia de departamento entre 850 e 1200 reais. Coordenação de curso de pos-graduação, os mesmos 1200 reais. Para diminuir a carga horaria frente aluno em muitos lugares colocam mais de um(a) professor(a) como responsavel pelas disciplinas. Sem falar que ninguem é obrigado a ocupar cargo de confiança.

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