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Reforma. Mesmo capenga, e dependendo do Senado, idéia é fazer de cobaia o pleito de 2008

A reforma política, como já escrevi aqui, é assunto que está na boca dos parlamentares há pelo menos 10, quem sabe 15 anos. E a expressão é sacada sempre que uma crise se instala. Ronaldo Caiado, por exemplo, é relator de uma comissão instituída na antepenúltima legislatura na Câmara dos Deputados, exclusivamente para tratar do assunto. Não é por acaso, inclusive, que seja o maior especialista no assunto, no Congresso. E, até agora, nada.

 

A pergunta é, por que, de repente, os deputados estão tão interessados em aprovar mudanças no processo eleitoral, e tocam meio na corrida a reforma – que tem Caiado como relator principal e o gaúcho petista Pepe Vargas como segundo? Mesmo que completamente capada, a partir da rejeição, agora à noite, da lista pré-ordenada (e até a híbrida), verdadeiro pilar de uma mudança minimamente importante?

 

Há, claro, a mesma razão de sempre, a sucessão de escândalos que atinge o Congresso (agora também o Senado, mas antes especialmente a Câmara) já há três, quatro anos. E que torna o parlamento, lamentavelmente, extremamente popular. Esse sentimento, por óbvio, precisa ser revertido.

 

E a segunda motivação dos deputados federais é que a coisa (por isso a pressa) se dê já no pleito municipal do ano que vem. E só dois anos depois os deputados e senadores serão eleitos sob nova legislação. E saberão como se comportar diante do novo quadro que, para os edis municipais, será uma completa novidade – se, claro, pelo menos a fidelidade partidária e, quem sabe, a proibição de coligações proporcionais, forem aprovadas. Cobaias, em resumo. É o que serão os candidatos do próximo ano.

 

Ah, mas pra isso, as mudanças, se houverem, têm que ser votadas antes do recesso, lá pelo dia 10 de julho. Em tempo de o Senado votar e voltar para a Câmara, onde o prazo final se esgota em setembro. Tem mesmo que correr.

 

EM TEMPO: com pressa ou sem pressa, defendo a reforma. E o voto em lista fechada. E o financiamento público das campanhas. Ambos sumariamente rejeitados. Embora, por mim, tudo isso já teria sido implantado. Porém, como sabemos,  não sou parlamentar. Nem serei. Minha praia é outra. E não contempla eleições.

 

SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a nota “Partidos querem testar reforma em 2008”, de Carlos Lopes, publicada por Etevaldo Dias em sua página na internet.

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