INTERNET. É imprevisível, mas o bom jornalismo deverá prevalecer, crê um dos pais da rede no Brasil
Por CLARISSA LOVATTO BARROS, especial para o sítio (*)

A frase otimista em relação ao futuro do jornalismo diante do crescimento exponencial da Internet é do engenheiro e professor Demi Getschko, representante de notório saber em assunto da Internet, em entrevista concedida nos bastidores da terceira edição do Congresso de Direito e Contemporaneidade, promovido pelos cursos de Graduação e Mestrado em Direito da UFSM. Na abertura do evento, que aconteceu de 27 a 29 de maio, Getschko fez palestra a respeito do Marco Civil da Internet, o nome dado à Lei 12.965, de abril de 2014.
Getschko, primeiro brasileiro a ingressar no hall de personalidades cruciais para o desenvolvimento da rede, destaca que o futuro da Internet e do jornalismo é imprevisível, dotado de incertezas e superficialidades, mas também com espaço para bons e éticos profissionais. “A Internet oferece acesso a múltiplos possibilidades de conteúdos. Espero que com o tempo a pessoa selecione as fontes e, assim, o bom jornalismo prevalece. O difícil é identificar quem faz o bom jornalismo”, comentou.
Diante dessa nova realidade em curso, o “pai da Internet brasileira” reforça que os desafios do jornalismo são válidos tanto para os grandes conglomerados de comunicação quanto para os blogs, geralmente geridos por pequenas equipes de profissionais. Esse processo de consolidação do jornalismo não acontece de maneira instantânea. Em relação à Internet tudo ainda é muito novo”, reforçou.
No tocante à segurança da rede, Getschko afirmou que nada na Internet passa despercebido, pois ela é um espaço controlado por pessoas, as quais podem ter acesso ao que se joga na grande nuvem online. Nesse contexto, torna-se relevante o Marco Civil da Internet ao assegurar garantia de direitos individuais e delimitar o contexto em que cada ator atua. “Muito feliz de ter legislação de proteção da rede. Ela não pode ser chamada de Constituição da Internet e sim uma declaração de princípios”, destacou.
O Marco Civil da Internet, sancionado há pouco mais de um ano, estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para quem utiliza a Internet, além de determinar as diretrizes para a atuação do Estado. A lei ainda precisa ser regulamentada no que diz respeito às exceções à neutralidade da rede e aos procedimentos para a guarda de registros de conexão.
(*) Clarissa Lovatto Barros produziu esse material a pedido do editor. Ela é jornalista, advogada e mestranda em Direito pela UFSM, condição na qual participou do Congresso de Direito e Contemporaneidade





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