Desgosto – por Luciano Ribas
Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus, mais conhecido como Augusto, foi o primeiro imperador romano, tendo governado de 27 a.C. a 14 d.C., após um período de luta ferina pelo poder que sepultou a República em Roma. Era herdeiro de Júlio Cesar e, para não ser “menor” do que este (Cesar fora homenageado com a mudança da denominação do Quintilis, o antigo quinto mês do ano no calendário romano para “Julho”), quis também um mês com os mesmos 31 dias com seu nome, nascendo daí o mês de “Agosto” no lugar do primitivo Sextilis. Ou seja, Agosto, num certo sentido, nasceu da inveja de um homem que, entre muitos outros títulos, recebeu também o de “santo”.
Nascido da vaidade, o oitavo mês do calendário carrega, por coincidência ou não, este pecado original, fato que combina perfeitamente com a sucessão de acontecimentos bizarros e tragédias acontecidas em agosto – o próprio Cesar Augusto, por exemplo, morreu num dia 19 de agosto, no décimo quarto ano da era cristã.
Apenas uma data, 24, é suficiente para servir de interessante exemplo. Foi nela que ocorreu a “Noite de São Bartolomeu”, o massacre de protestantes a mando dos reis católicos franceses, em 1572. Cerca de 1500 anos antes, na mesma data, o Vesúvio arrasou Pompéia e Herculano, numa das mais conhecidas erupções vulcânicas da história. Plutão, num episódio mais prosaico, também conheceu sua desgraça num dia 24, quando foi rebaixado à categoria de “planeta anão”. E, na história brasileira, o dia 24 de agosto será para sempre lembrado como o dia em Getúlio Vargas suicidou-se no Palácio do Catete.
Aliás, agosto não tem sido muito auspicioso para os presidentes brasileiros. Além da renúncia do desvairado Jânio Quadros, foi também nele que morreu tragicamente Juscelino Kubitschek e, para dar contornos surreais a essa “tese”, Fernando Collor nasceu no dia 12 de agosto – Jorge Luis Borges, escritor argentino nascido em 24 de agosto, talvez apreciasse a infâmia desse fato…
Infame e dolorosamente real tem sido o agosto da governadora Yeda Crusius. Nos últimos dias, com o perdão do péssimo trocadilho, a casa tem caído quase todos os dias para ela e seus aliados, ao ponto de até mesmo o cadáver de um trabalhador rural sem terra ter-lhe sido jogado no colo, fato este que inegavelmente é um efeito (nem tão colateral assim) da cultura de truculência que ela mesma incentivou nos órgãos de segurança pública.
Investigada, indiciada, isolada, perde defensores todos os dias, embora ainda possa comemorar o obtuso silêncio do senador Pedro Simon, verdadeira vestal quando trata de assuntos acima do Mampituba, sobre seu caso. Na verdade, o silêncio de quase todo o ético PMDB gaúcho.
A paulista Yeda quase nasceu em agosto: é leonina de 26 de julho. Divide, entre outros, com Carl Gustav Jung, Mick Jagger, Aldous Huxley e Stanley Kubrick a data. Dos quatro, apenas o líder dos Stones pode se lamentar, pois é o único ainda vivo. Mas dizem que ele tem “sympathy for the devil”, então nem deve se importar com as más companhias.





Luciano, obrigada pela recepção…
teus textos continuam ótimos, principalmente – sem nenhum demérito – porque percebo uma inspiração tua no Rolim (Marcos)… que é (na minha modesta opinião) um dos melhores articulistas do Brasil.
Abraço