Câmara. Presidente embrabece com jornalista e confunde-se com o que é público e privado
Direto aos fatos:
Publiquei na coluna Observatório, do jornal A Razão, no sábado, 23, e reproduzi aqui, no mesmo dia, entre outras, a seguinte nota:
Impertinência – Desculpa perguntar, mas alguém aí tem idéia de a quantas anda o processo, na Comissão de Constituição, Justiça, Ética e, ufa, Decoro Parlamentar, que trata da viagem de Júlio Brenner e Anita Costa Beber ao Paraguai, no final do ano passado?
No domingo, exatamente às 12 e 30, recebi um telefonema da vereadora e presidente da Câmara, Anita Costa Beber. Estava simplesmente indignada, para não dizer possessa, com o que eu havia escrito. Um legítimo direito dela, é bom que se registre.
Até aí tudo bem. Relevo, também, o fato de ela ter dito que depois eu não sabia por que era criticado pelos vereadores. Inclusive porque ser criticado pelos edis, afora ser um direito dos parlamentares, é algo mais que comum, na medida em que minha independência e isenção podem levar a esse comportamento absolutamente natural numa democracia desde que com respeito, o que nem sempre ocorre, lamentavelmente.
Também vamos deixar de lado o fato de a vereadora não ter entendido a nota. O que pretendíamos (quem sabe não ficou claro) era saber a quantas anda o processo na Comissão de Constituição, Justiça, Ética e Decoro (grifo meu) Parlamentar da própria Câmara. E a edil pensou que me referisse ao processo que corre na Justiça e ela disse, ao meio dia de domingo, que a Justiça vai mostrar a minha inocência. Tudo bem, é tudo o que deseja a sociedade.
Agora, o que não posso relevar inclusive porque ela pode sair repetindo por aí é uma incorreção. Disse-me, em tom um pouco acima do que seria civilizado, que quando você foi à Alemanha, há dois anos, com dinheiro da Cacism, certamente trouxe presentes à sua família, e ninguém perguntou por quê.
Eis o busilis. É verdade que, quem me acompanha há mais de ano e meio, neste site, já sabe. Mas vai que algum desavisado ouça essa bobagem e acredite nela. Então, melhor esclarecer as coisas:
1 Muito me orgulha ter ido à Alemanha em 2005. Acompanhei, durante duas semanas, a comitiva santa-mariense que foi à Feira de Hannover e, também, a Gelsenkirchen para contatos com a universidade local.
2 Os patrocinadores da viagem (já foi escrito aqui, à época, mas, enfim, ninguém precisa ter memória de elefante) – aliás registrada em comentários e boletins diários na Rádio CDN, em reportagens no jornal A Razão, em comentários na TV Pampa e aqui mesmo, nesta página foram as seguintes empresas e instituições: Ulbra, Júlio Ausani Advogados, Sindicato da Indústria Metalúrgica, Câmara de Comércio e Indústria, Auto Peças Universitária, Rek Parking, PRT, Vinícola Velho Amâncio e Associação dos Transportadores Urbanos.
3 Todos, rigorosamente toooodos os patrocínios foram de instituições privadas. É verdade que não haveria mal algum se alguma empresa (vou repetir, e-m-p-r-e-s-a) pública participasse. Até houve tentativa, mas sem tempo hábil para a aprovação dos dirigentes de uma instituição financeira de economia mista. Mas, enfim, não haveria desdouro algum afinal, o que todos os nove patrocinadores pagaram não foi a viagem em si, mas o espaço que tiveram nos quatro veículos para os quais trabalhei.
4 – Passagens, estadia, infra-estrutura, tudo o que é necessário para uma cobertura do porte da que se realizou, foram bancadas pela CP & S Comunicações, empresa privada da qual sou sócio-diretor.
5 Como se percebe, ao contrário da viagem a Foz do Iguaçu, com uma passagem por Ciudad Del Este, no Paraguai, nesta não há dinheiro público envolvido. Mas privado, exclusivamente privado. E sobre o qual não seriam necessárias explicações. Que, no entanto, de forma transparente, dei em abril de 2005, e torno a fazê-lo agora.
6 E, de fato, pai e marido que pretendo ser amoroso, trouxe presentes, sim. E não foram dois ou três, mas váários como podem testemunhar todos os que participaram daquela empreitada internacional. Ah, e com dinheiro meu (pouco, mas conseguido com trabalho) privado, portanto. E não público, como o que pagou a viagem ao Paraguai.
Dito isto, chega a ser curioso. Primeiro, em quaisquer dos vários espaços que ocupo em rádio, jornal, tv e internet, em momento algum olha só critiquei a viagem ao Paraguai. Diferente, aliás, da maioria da mídia. Mas tenho o direito de saber, sim (eu e o distinto público), o que a Comissão de Constituição, Justiça, Decoro (grifo meu) e Ética Parlamentar da Câmara de Vereadores decidiu a respeito de uma denúncia que está sendo investigada.
É uma pena que a vereadora tenha confundido. Tenho certeza que ela sabe o que é público e o que é privado. Deve ter sido um lapso provocado pela indignação. No caso, a Cacism é privada. E não pública. E ponto. E chega. Cansei.
PS. Apesar da diatribe da parlamentar, mantenho a mesma opinião acerca da viagem ao Paraguai. Até prova em contrário, não vi ilegalidade. Mas, como disse Anita Costa Beber, ao meio dia deste domingo, a Justiça vai se pronunciar. Eu sei: só espero que não seja depooooois da própria Câmara o objeto da minha perguntinha, em Observatório.





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