Não chega a ser exatamente uma novidade. O capitalismo (e que sistema temos, afinal?) funciona assim mesmo. Há o momento da cautela, em que a manutenção do emprego, garantia mínima de estabilidade e do salário são os itens principais nas discussões entre patrões e trabalhadores. E há o do avanço, em que reivindicações salariais, de preferência com índices mais gordos, ganham predominância nas negociações.
Pois este é o momento em que o segundo caso ganha espaço. Por quê? Ora, porque a economia está aquecida, com previsão de crescimento acima dos 6% do Produto Interno Bruto, entre outros fatores positivos. O resultado, inclusive, já pode ser conferido em alguns dissídios coletivos. E exatamente este é o tema de reportagem publicada no jornal O Estado de São Paulo, trazendo exemplos concretos dessa situação. O texto é de Marcelo Rehder. Confira:
“Categorias garantem reajuste real de até 2,9%…
…A perspectiva de crescimento econômico de até 7%, num cenário de escassez crescente de mão de obra especializada, tem facilitado a conquista de aumentos reais de salários este ano. Categorias profissionais com data-base para renovação coletiva de trabalho no primeiro semestre estão conseguindo negociar acordos que garantem aumentos salariais de até 2,9% além da reposição integral das perdas com a inflação.
Na semana passada, os cerca de 300 mil trabalhadores da construção civil da capital paulista aprovaram proposta negociada com as construtoras que garante reajuste de 8,01% nos salários a partir de 1.º de maio, data-base da categoria. Descontada a inflação de 5,49% acumulada em 12 meses até abril, os operários da construção obtiveram ganho real de 2,39% no período.
“O ambiente macroeconômico é amplamente favorável à negociação de aumentos reais de salários e melhores condições de trabalho”, afirma o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio…”
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