‘8 de março’ costumam entregar flores. Que março nos entregue consciência – por João Luiz Vargas
Luta que “não é recente, não é passageira e, infelizmente, ainda não terminou”

A luta pela igualdade entre homens e mulheres atravessa séculos. Não é recente, não é passageira e, infelizmente, ainda não terminou.
Todos os anos, no dia 8 de março, multiplicam-se as homenagens ao Dia Internacional da Mulher. Flores são entregues, discursos são feitos, abraços são distribuídos e mensagens tomam conta das redes sociais. São gestos importantes, mas insuficientes diante da realidade que ainda insiste em se impor.
Porque, infelizmente, a data ainda não pode ser apenas de comemoração.
Os números são duros e falam por si. Feminicídios, estupros, assédios e violências seguem marcando a vida de milhares de mulheres. Dados recentes indicam que 2025 registra o maior número de feminicídios desde a criação da Lei do Feminicídio, em 2015. Um retrato que nos obriga a refletir sobre o quanto ainda precisamos avançar como sociedade.
Hoje é um dia para reconhecer a força, a história e a luta das mulheres por respeito, igualdade e oportunidades.
Como homem, falo com o cuidado de quem sabe que não ocupa o lugar dessa luta. Mas também com a responsabilidade de reconhecer que ela precisa, cada vez mais, de aliados. Combater o machismo, questionar atitudes e defender o respeito não deve ser apenas tarefa das mulheres é compromisso de todos nós.
A igualdade ainda é uma construção em andamento. Ela nasce na educação, no exemplo dentro de casa, no respeito nas relações e também nas decisões da sociedade e da política. Porque políticas públicas, leis e atitudes coletivas têm papel fundamental na construção de um mundo mais justo.
Tenho a sorte de conviver com mulheres incríveis que me ensinam todos os dias sobre força, sensibilidade e resistência. Mulheres que, muitas vezes sem perceber, transformam os espaços que ocupam.
E que a pergunta continue ecoando em nossa sociedade:
até quando flores serão entregues no dia 8 de março, enquanto tantas mulheres seguem sendo agredidas, violentadas e mortas simplesmente por serem mulheres?
(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.





‘‘8 de março’ costumam entregar flores. Que março nos entregue consciência’. Nação zumbi, andamos todos ‘inconscientes’ por aí. Mais um texto que poderia ter sido escrito 10 anos atras ou 10 anos no futuro.