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SEDUFSM. Candidatos à presidência se confrontam na Rádio Universidade

Frente à frente, na RU, Rondon de Castro e Iberê Nodari. Não faltou discussão

A propósito do debate ocorrido esta manhã, na Rádio Universidade, entre os candidatos à Presidência da Seção Sindical dos Docentes da UFSM, recebi o relato produzido pela assessoria de imprensa da entidade. O texto e a foto são de Fritz Nunes. Acompanhe:

Chapas que concorrem à SEDUFSM debatem na Rádio Universidade

Ocorreu na manhã desta sexta, 7, o primeiro debate entre as chapas que concorrem à SEDUFSM na eleição dos dias 11 e 12 de maio. O enfrentamento aconteceu nos estúdios da Rádio Universidade, no espaço do programa “Redação Aberta”, apresentado pelo jornalista Cândido Otto da Luz e produzido pelo também jornalista e professor, Gilson Piber. Compareceram ao encontro o candidato a presidente da SEDUFSM pela chapa 01 (Unidade Docente), Rondon de Castro, juntamente com seu vice, Júlio Quevedo. Pela chapa 02 (SEDUFSM para os professores), presente apenas o candidato a presidente, Iberê Nodari.

Nas considerações iniciais, o primeiro a falar foi o professor Rondon de Castro, definido mediante sorteio. Ele destacou como ponto forte de sua chapa a presença de militantes experientes, que atuam a duas décadas na defesa da categoria e dos interesses da universidade pública, atualmente, segundo ele, ameaçada pelas políticas governamentais. Já o professor Iberê Nodari listou os demais integrantes de sua chapa, tecendo considerações sobre as qualidades de cada um, enfatizando que o currículo já representava uma espécie de síntese da capacidade deles. Também afirmou que o grupo político no qual está inserido deseja realmente é “mudar o foco”, priorizando o professor, como diz o próprio nome da chapa.

O candidato a presidente da chapa 01, já no momento das perguntas entre os representantes das chapas, questionou quais seriam as propostas da chapa 02. Para Rondon de Castro, o grupo que se opõe à atual direção da SEDUFSM fala bastante em “mudar”, mas não clarifica o que seria essa mudança. “A carta-compromisso da chapa 02 fala em planejamento somente após o processo eleitoral, não apresenta um plano de lutas. O que a chapa 02 quer é um cheque em branco dos professores?” questionou Rondon.

Em sua resposta, o professor Iberê Nodari disse que o programa de uma chapa é quase um lugar-comum e desafiou a que as pessoas lembrem o que estava escrito no programa de outras chapas que venceram a eleição ao sindicato. Segundo Nodari, o essencial é que a sua chapa, se eleita, mudará o foco de atuação sindical para os professores. Também argumentou que buscará mais “transparência” nas finanças da entidade e que pretende reduzir a mensalidade do filiado ao sindicato, que teria um valor “abusivo”.

Na sua réplica, Rondon de Castro assinalou que as respostas do candidato da chapa 02 eram “evasivas” e “vazias”. Segundo ele, Iberê Nodari saberia que para alterar a questão da mensalidade cobrada dos filiados somente a aprovação de uma proposta em âmbito do Congresso ANDES, que ocorre uma vez a cada ano. Nesse sentido, Rondon questionou a viabilidade dessa proposta da chapa de oposição.

Em seu questionamento ao candidato da chapa 01, o professor Iberê Nodari criticou a postura da atual diretoria da SEDUFSM que, segundo ele, se posicionaria contra a expansão promovida pelo programa REUNI, do governo federal. Para Nodari, no centro de ensino do qual faz parte, o de Tecnologia, o REUNI estaria sendo bastante positivo, com ampliação de vagas, contratação de professores e implantação de novos laboratórios.

Rondon de Castro respondeu que o sindicato não se posiciona contra a expansão da universidade, pois o ANDES-SN sempre defendeu a ampliação do ensino superior público. Entretanto, conforme o candidato da chapa 01, o que o movimento docente não concorda é a realização de uma expansão com “uso político” e cujo efeito, na prática, tem sido a sobrecarga de trabalho e a precarização da própria universidade.

Um dos momentos mais tensos do debate foi quando o candidato a presidente pela chapa 01, Rondon de Castro, questionou o candidato da chapa 02 como ele analisava a presença em sua chapa de um professor (José Maria Pereira, aposentado do curso de Economia) que participou da gestão do reitor Odilon do Canto, quando foi suspenso o percentual de 84,32% dos contracheques de mais de 800 docentes. Na oportunidade, o reitor teve seu nome aprovado em uma assembleia como “persona non grata” ao Movimento Docente da UFSM.

Iberê Nodari mostrou-se bastante indignado com a referência. Segundo ele, José Maria Pereira é um economista respeitado e que não foi ele quem recebeu o título dado pela assembleia. O candidato da chapa 02 também considerou “antiética” a citação de Pereira, já que o mesmo não se encontrava presente para poder se defender. Em sua réplica, Rondon de Castro disse que naquele momento crucial (o de suspensão dos 84,32%), em que estava em jogo o interesse político e financeiro da maioria da categoria, o então pró-reitor, José Maria Pereira, teria deixado de se posicionar ao lado dos professores.

O tema dos aposentados também acabou entrando no debate. O candidato Rondon de Castro questionou o que a chapa 02 efetivamente estava pensando em relação aos docentes aposentados. Iberê Nodari respondeu que na chapa da qual faz parte existem vários professores aposentados. Destacou que pretendem criar uma diretoria de aposentados e que implantarão um atendimento jurídico especial para esse segmento.

O candidato da chapa 01 replicou dizendo que a SEDUFSM já tem há bastante tempo um grupo de aposentados atuante. “Não precisamos criar departamento especial, pois entre nós, aposentados ou não, o tratamento é igualitário”, destacou Rondon de Castro. Lembrou que no último Congresso do ANDES-SN, um grupo de aposentados apresentou um Texto de Resolução (TR) tratando do tema da aposentadoria e que este acabou aprovado pelos congressistas.

Outro momento de bastante tensão se deu quando veio à tona a discussão sobre a situação financeira da seção sindical. O candidato da chapa de oposição disse que um dos eixos da chapa 02 é a construção da sede do sindicato no campus, que, segundo ele, vem sendo protelada há quase 10 anos. Para Iberê Nodari, a situação financeira da SEDUFSM é difícil e, que, mesmo tendo sido do Conselho Fiscal da entidade por seis anos, ultimamente tem tido dificuldade em acessar os balancetes financeiros. Segundo ele, o patrimônio da entidade vem sendo dilapidado, e a prova disso seriam as aplicações financeiras, que estariam em menor volume do que deveriam.

Em seu contraponto, o candidato da chapa 01 garantiu que “as finanças do sindicato estão muito boas”. Refutou a argumentação de que “o patrimônio do sindicato foi dilapidado”. O que houve, conforme Rondon de Castro, é que durante boa parte do ano de 2008 até o início de 2009, o sindicato teve uma redução de 30% em sua arrecadação em função de problemas no recadastramento junto ao Ministério do Planejamento. Ainda segundo Rondon, a construção de uma sede no campus nunca deixou de ser pensada pela diretoria atual e pelas mais recentes, mas que a não concretização até o momento se deve, especialmente, às negociações com a Procuradoria Jurídica da UFSM para a cedência de um terreno em comodato.

No penúltimo bloco do debate foi sorteada uma pergunta elaborada pela produção do programa “Redação Aberta” aos candidatos. O questionamento referiu-se a uma avaliação das chapas quanto á participação dos professores nas lutas do sindicato. O representante da chapa 01, Rondon de Castro, admitiu que há um “refluxo” em termos de participação da categoria. Contudo, avalia que mesmo sem uma participação massiva, o que se percebe é um “respaldo” às ações do sindicato a partir da compreensão de que é a entidade que consegue contrapor-se às políticas do governo.

Pela chapa 02, Iberê Nodari considerou que é a forma de condução da SEDUFSM, pela diretoria que tem levado a uma evasão de filiados, principalmente pelo fato de a mensalidade ser, segundo o candidato a presidente oposicionista, cobra em um valor “abusivo”. A comprovação da tese de Nodari se daria em função de que no pleito de 2010, o número de candidatos ao Conselho de Representantes da entidade ter sido menor que o número de vagas.

Nas considerações finais, o candidato da chapa 01, Rondon de Castro, voltou a dizer que a chapa 02 não apresentava um “plano de lutas”, que só haveria um discurso “vazio”. O candidato da chapa 02, Iberê Nodari, finalizou dizendo que a sua chapa tem sim, propostas em relação a muitos temas como “salário e carreira”. Também lamentou o “nível” do debate, pois, segundo ele, estava havendo uma tentativa de caluniar pessoas.

O próximo debate entre a chapa 01 (Unidade Docente) e a chapa 02 (SEDUFSM para os professores) acontece nesta segunda, 10 de maio, a partir das 10h. O confronto, do qual também participarão os candidatos a vice-presidente, ocorrerá no Anfiteatro H, anexo ao prédio 21 dos básicos, no campus da UFSM. A mediação será do professor Hugo Fontana, do departamento de Fundamentos da Educação. As regras foram elaboradas pela comissão eleitoral da SEDUFSM e aprovadas pelas duas chapas na reunião da última quinta, 6 de maio.”

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