PF que chega – por Orlando Fonseca
“Não basta ser honesto nesta hora, é preciso se mostrar honesto a todo tempo”

Com a divulgação das implicações de Jacques Wagner com o banqueiro Vorcaro, leio comentários sarcásticos nas minhas redes sociais, com provocações quanto ao que eu vou dizer, ou se vou realmente dizer alguma coisa. Leio também nas manchetes da imprensa que as investigações estão “chegando no PT”, que “finalmente a PF está chegando no PT”.
Preciso dizer algumas coisas – como se fossem necessárias – porque não tenho procuração de quem quer que seja para defender pessoas ou entidades. Quando me manifesto em relação aos fatos políticos, exponho a minha opinião particular sobre acontecimentos e ideias, na maioria dos casos, como cronista literário. Não sou comentarista político, não sou especialista em economia, nem mesmo expert em assuntos de futebol.
No caso atual, preciso deixar bem claro, primeiro: não tenho bandido de estimação; segundo: mais importante do que estar chegando em um partido especificamente, é preciso destacar que, com o governo do PT (e não é só PT, nem só da esquerda, mas vamos lá), a PF chega em algum lugar, mesmo que seja em membros do Partido dos Trabalhadores. O que deve ser destacado, pois não é comum de acontecer com outros partidos no Poder. Se não, vejamos.
Foi preciso o PT chegar ao poder (em 2003) para que a PF descobrisse uma prática recorrente no parlamento, que vinha desde o governo anterior. O chamado “mensalão” ficou popularizado pela imprensa como “do PT”, mas era algo que começou com o PSDB do governador de Minas, Eduardo Azeredo, em esquema montado pelo publicitário Marcos Valério. O ex-governador foi condenado a 20 anos e dez meses de prisão por peculato e lavagem de dinheiro no esquema tucano.
O identificado pela imprensa “petrolão”, também conhecido como “do PT”, só veio a público com o PT no poder, mas era uma prática que vinha desde o governo do MDB. Fato tão antigo que o já falecido jornalista, Paulo Francis, denunciava no programa Manhattan Connection, e por isso foi denunciado, julgado e condenado a uma multa milionária. Agora, podemos dizer que a mesma coisa ocorre mais uma vez, com a fraude do INSS e com as falcatruas do Banco Master. Com os governos do PT a Polícia Federal é republicana.
Quanto ao senador Jacques Wagner, as apurações da Operação Compliance Zero apontam indícios de que o líder do governo recebeu recursos de Vorcaro, cujos repasses ocorreram por meio de um apartamento de luxo, pagamentos dissimulados e viagens. No primeiro caso, um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, repassado à empresa da esposa do enteado de Wagner.
A PF também identificou a compra de ingressos para shows (como o de Taylor Swift) destinados a familiares do parlamentar, o que envolveu ainda a disponibilização de aeronave particular do banqueiro. O senador nega as irregularidades, assim como já o fizeram outros suspeitos graúdos, como Davi Alcolumbre e Hugo Motta, presidentes do Senado e da Câmara, respectivamente.
Neste caso, que o ministro do STF André Mendonça identifica ter “contornos de máfia”, e já é indicado na mídia como o “maior escândalo financeiro” da história, muita coisa ainda vai rolar, para além da inversão de valores republicanos – e não estou falando em termos monetários. E isso realmente é muito perigoso, em vista do volume de fake news que já estão circulando, porque estamos em plena temporada de eleições presidenciais. Em momentos históricos como este, tudo vira pedra, e que vença o telhado de vidro com maior resistência.
De minha parte, considero isso lamentável. A democracia significa outra coisa: o voto deve ser no melhor projeto e não no menos pior dentre os candidatos. A minha expectativa, de momento, é que Jaques Wagner tome a inciativa de deixar o cargo no senado, e se dedique à sua defesa – se tiver do que se defender. Assim como não condeno ninguém antes de que as provas contra sejam convincentes, também não o faço agora.
No entanto, caros leitores, não passo pano, meu papo é reto: não basta ser honesto nesta hora, é preciso se mostrar honesto a todo tempo. Estou falando tudo isso com a intenção de indicar que, no atual governo, indica-nos a história recente, como fiz questão de recordar, a PF não sofre intervenções de poder, e chega onde deve chegar (aliás, como sempre deve ser).
(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela “Da noite para o dia”.





Resumo da opera III. Não importa quem ganha a eleição. Gastança continua e existe uma crise economica contratada.
Resumo da opera II. O que acontece com a credibilidade das instituições se ‘der nada’? Ou vão pegar alguém de bode expiatorio e salvar quem der? Quais as consequencias? CF88 já está na beirada do telhado faz tempo. Emendada, obsoleta e desrespeitada. Mas não é um chumaço de papel que resolve.
Resumo da opera. Quem condena ou inocenta é sentença ou acordão. Molusco com L., abstemio, honesto e famigerado dirigente petista nunca foi inocentado (ao contrario do que alguns sem vergonhas afirmam; alas, opinião de sem vergonha é semvergonhice). Por detalhes processuais anularam procedimentos e algumas acusações prescreveram. São fatos. Geneticamente Modificado já puxou a Lava a Jato como argumento para anular o caso Master. Não é dificil de imaginar, tem muita gente envolvida na coisa.
‘[…] a PF não sofre intervenções de poder, e chega onde deve chegar (aliás, como sempre deve ser).’ Mas ela não funciona só com o PT no poder?
‘ A democracia significa outra coisa: o voto deve ser no melhor projeto e não no menos pior dentre os candidatos.’ Teoria é sempre bonita. Projeto é coisa da Globo. Quem fala nunca montou um projeto de grande monta na vida, não sabe do que esta falando. O que a casa tem para oferecer? Eleitores(as) votam na criatura que é escolhida por partidos que não funcionam, que tem donos e muitas vezes pes de eucalipto.
‘[…] e já é indicado na mídia como o “maior escândalo financeiro” da história, […]’. Caso Master chega a 47 bilhões de reais. Caso Madoff algo como 17,5 bilhões de dolares. Quase 90 bilhões de reais sem levar em conta a inflação. Sempre que tem o ‘maior’ ou ‘menor da historia’, ou do RS, ou do Brasil, ou do mundo é cascata.
‘Neste caso, que o ministro do STF André Mendonça identifica ter “contornos de máfia” […]’. Boato forte: é como a Arca de Noé, tem um casal de cada bicho na encrenca.
‘O senador nega as irregularidades,[…]’. ‘”Eu sou amigo dele há 45 anos. Logo, nada vai acontecer comigo…” ‘Dele’ o Rato Rouco. ‘[…] ele que já teve problemas até maiores do que esses como eu tive, mas ele muito pior, que foi preso depois inocentado e tá aí como presidente da República.’ Kuakuakuakua! Por isto estão ‘queimando’ o baiano.
‘Com os governos do PT a Polícia Federal é republicana.’ Sim, a culpa é sempre dos outros, dois erros fazem um acerto porque é ‘normal’. Alas, Ministerio da ‘Justiça’ do governo Rato Rouco, logo apos o caso Jacques Wagner, determinou o retorno de todos os delegados da PF cedidos a outros poderes. Motivo? Mimimi. Efeito? Prejudica investigações. Alas, manchete da CNN ‘Justiça ordena que órgãos devolvam policiais desviados de funções’. Como se fosse decisão judicial e não do ministerio.
‘[…] mas era uma prática que vinha desde o governo do MDB. Fato tão antigo que o já falecido jornalista, Paulo Francis, denunciava no programa Manhattan Connection, […]’. Acha que é ‘esperto’. Paulo Francis denunciou roubalheira na estatal. Que foi encampada pelos politicos para troca de votos no Congresso. Alas, Azeredo teria desviado dinheiro para financiar campanha, não para comprar votos ‘democraticamente’ no Congresso.
‘O ex-governador foi condenado a 20 anos e dez meses de prisão por peculato e lavagem de dinheiro no esquema tucano.’ Cumpriu menos de 2, processo foi e voltou e vai ficar nisto.
‘Foi preciso o PT chegar ao poder (em 2003) para que a PF descobrisse uma prática recorrente no parlamento, que vinha desde o governo anterior.’ O governo petista influencia no funcionamento da PF?
‘Não sou comentarista político, não sou especialista em economia, nem mesmo expert em assuntos de futebol.’ Mas acha que é ‘esperto’.
‘Leio também nas manchetes da imprensa que as investigações estão “chegando no PT”, que “finalmente a PF está chegando no PT”.’ Porque tem mais gente do PT nesta confusão. Rui Costa por exemplo. Dai a surpresa, Jacques Wagner ‘furou a fila’.
Jacques Wagner não é burro, longe disto. Ideologias a parte, e pessoa que todos sabem que podem conversar. Uma ilha de civilização no mar da barbarie. Dito isto não se sabe a motivação que teria levado aos fatos de que é acusado. Velhice, preocupação com o ocaso da força do partido, não se sabe.