“Agricultura familiar é a solução” (resposta da Irmã Lourdes) – por Carlos Costabeber

Quando escrevi nesse espaço o artigo intitulado “CRISE ECONÔMICA ? A AGRICULTURA FAMILIAR É A SOLUÇÃO”, tentava expressar a minha satisfação, por ter encontrado, digamos, um “mundo novo” para a economia. Me empolguei pelo assunto ao visitar a 8ª Feira de Economia Solidária do Mercosul, e vislumbrar uma grande oportunidade de emprego e renda para os pequenos produtores rurais.

O referido evento marcava também os 25 anos do Projeto Esperança/Cooesperança, o que me levou a deixar no ar um desafio: “Não podemos levar outros 25 anos para dobrar o tamanho do Projeto“.

E concluí: “Acredito que chegou a hora de se ter uma gestão profissional, uma visão empresarial, para melhor aproveitar esse potencial”.

Agora, fui surpreendido agradavelmente por uma correspondência enviada pela Irmã Lourdes Dill (e publicada no jornal A Razão dessa semana), onde faz comentários elogiosos ao meu texto.

Por isso tomo a liberdade em reproduzir nesse espaço, a mensagem recebida. Se já tinha uma admiração pelo incansável trabalho da Irmã Lourdes, agora fiquei convencido de que o Projeto está em boas mãos, e que terá um futuro ainda mais promissor.

ECONOMIA  SOLIDÁRIA – OUTRA  ECONOMIA  ACONTECE”

Em primeiro lugar, saúdo-lhe com votos de muito sucesso em suas  atividades.

Tive a alegria de ler, refletir, avaliar e divulgar para muitos o seu  artigo sobre: Crise Econômica? Agricultura Familiar é a Solução, publicado no site do Claudemir, TV Santa Maria, Jornal Conta Corrente, Informativo do Sindicato dos Bancários e outra no Jornal A Razão.

O seu texto é de muito fundamento pela profundidade e abrangência de seu conteúdo. O fato de um comentário tão generoso vir de um Empresário e  Professor da Universidade, nos alegra e encoraja muito, pois a Economia Solidária e Agricultura Familiar, até pouco tempo atrás, não  era  valorizada  pelo  seu  potencial  e  pela      necessidade  que hoje ela representa no Brasil e nos 5 Continentes do Planeta Terra.

Em anexo, envio-lhe as planilhas da Feira de Economia Solidária do Mercosul para ter uma ideia do seu crescimento processual e histórico. É uma experiência que vem se fortalecendo gradativamente, com um público Urbano e Rural. Esta experiência é sem dúvida uma grande oportunidade para viabilizar a sobrevivência digna e honesta para muitas pessoas e famílias excluídas do mercado de  trabalho.

Dom Ivo,  inspirado no Livro “A POBREZA RIQUEZA DOS POVOS” do autor africano Albert Tévoèdjeré, criou esta ideia do Projeto Esperança/Cooesperança e que completa os seus 25 anos de história com muitas lutas, desafios e conquistas. Tudo o que até hoje construímos, inclusive a Feira de Economia Solidária do Mercosul, foi com muito trabalho, persistência, Fé e Solidariedade. Os recursos sempre foram muito escassos e muito limitados.

Entendemos  e acolhemos a sua  sugestão. Nos outros 25 anos não se  pode  demorar  tanto, precisaremos avançar mais e mais na profissionalização. Isto é também nossa  concepção. Mas para que isso de fato aconteça é preciso ter Políticas Públicas,  vontade Política de nossos Governantes e muitas parcerias. O público que congrega o Projeto  Esperança/Cooesperança, tem um nível  diferenciado, pois as oportunidades não foram  as mesmas de quem teve chance de estudar e se preparar melhor. Temos, até inúmeras  pessoas com Curso Superior, Mestrado  e  Especialização. Mas a grande maioria, tem  nível de estudo com 1º e 2º segundo grau.

Hoje, muitos buscam aprimorar os seus estudos e abrir os seus horizontes para  qualificar-se, o que é  muito salutar. Quanto a crise estes dados, sabemos que ela já  está repercutindo a nível mundial. Uma experiência destas  potencializada poderá ser uma  das soluções possíveis e viáveis com Políticas Públicas para a crise no mundo.

Agora, assumindo o desafio colocado na sua reflexão, que é a profissionalização. De  fato a profissionalização deve ser permanente, processual e continuada. Penso que  possamos potencializar e melhorar mais esta experiência que deu certo, é  preciso  recursos financeiros e Políticas Públicas. A  nossa vontade e a de todos os que  participam é de fato profissionalizar e melhorar tudo o que falta. O que não podemos   abrir mão é o processo participativo, autogestionário, com os princípios que a Economia Solidária propõe.

É uma experiência que jamais poderá ser norteada só pelo capital e sim pelo trabalho  organizado, com uma Mística na dimensão Transformadora, Solidária e Interativa. Qualquer dia, vou marcar uma conversa, para acolher suas idéias, uma vez que Dom  Ivo já não está no meio de nós, mas nos abençoa e intercede por nós.

Irmã Lourdes Dill

Coord. do  Projeto  Esperança/Cooesperança”



1 comentário

  1. Gustavo Saldanha

    Que maravilha, grande manifestação. Mais uma barreira, ou muro, sendo desfeito na cidade. Essa é a cidade que pretendo viver, onde grupos distintos buscam, nas suas diferenças, convergir ao invés de divergir, preservando sempre seus valores institucionais.
    Dois artigos, duas manifestações e uma convergência.

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