A arte de ver televisão – por Daiani Ferrari
Começou o Big Brother Brasil e as reclamações sobre o programa. Eu não entendo a revolta com o reality show, visto que cada um dos que vejo reclamar – e os que não vejo encaixam-se também – tem uma opção simples e fácil: trocar de canal. Só para esclarecer, eu não assisto BBB, não gosto. Ponto. Mas não fico fazendo propaganda contra. Quando começa, eu simplesmente troco de canal. Durante a semana, vi nas redes sociais inúmeras pregações contra o programa, igual ao que acontece o ano todo com a Globo, e aposto que vai ser assim até o final. Só para constar, eu assisto a Globo. Assisto novela, às vezes, gosto de assistir Jornal Nacional, e domingo seguidamente vejo o Fantástico. Me condenem.
Mas antes de me chamarem de alienada ou de Globalete, como sou chamada em casa, digo que também assisto outros canais, outros noticiários, programas de entretenimento, mas friso que não é para me justificar por ter assistido a Globo, é porque as pessoas variam. Simples assim. As pessoas têm essa capacidade e não podemos subestimá-las, considerando-as burras, inaptas ou alienadas só por assistirem a Globo ou BBB. A Globo tem problemas, óbvio, ela é parcial, o que não deveria ser em muitos momentos, mas é. Ela cria um mundo no qual só o que importa é o que ela mostra. Mas as pessoas também são assim. As pessoas, em geral, seguem conforme seu mundo, o que não quer dizer que não devemos ter contato com elas, é uma questão de adaptação. Se nada der certo, nenhuma afinidade for identificada, rompem-se os laços.
Esta semana acessei uma rede social e várias pessoas falavam mal do Lasier Martins que, embora um dos mais odiados do Estado, é muito assistido e o que diz é levado em consideração e suas palavras disseminadas. A lógica que vejo é a de que quanto mais odiadas as instituições e pessoas, mais elas estão na boca do povo. Os discursos que tentam afastar as televisões e pessoas são os mesmos que os reforçam, e digo isso pois eu me incluo no exemplo. Cada vez que alguém falar sobre algo que eu não sei, se me interessar, eu vou pesquisar para ver do que se trata, e o imbecil, como muitas vezes os odiados são chamados, vai ter um telespectador ou ouvinte a mais.
Todos os canais têm problemas, mas não sejamos tão pessimistas com a vida. Todas as emissoras exploram uma linha de atuação que vem de cima e que rege todas as ações da empresa e o que temos que saber é selecionar o que vemos e levamos adiante, no boca a boca ou nas ferramentas de comunicação que utilizamos, porque no final das contas, tudo que assistimos na televisão são versões. Ver televisão é uma arte, não das mais fáceis, mas as pessoas têm, sim, condições de fazer essa seleção. Já olhei BBB, e não foi uma ou duas vezes. Me condenem de novo, mas acredito que nem por isso virei uma ameba.
Concordo com a campanha “na hora do BBB, pegue um livro para ler”, ou, então, troque de canal, meu amigo. Só isso. Mas essa é só a minha opinião.





A questão é um pouco “mais embaixo” (usando a língua bbbiana). Eu não vejo, nunca vi e nunca verei. Até lembro quando um amigo meu argentino (sim, tenho amigos argentinos) me falava do bbb de lá e da comoção gerada. Inclusive o ganhador era vizinho deles e durante meses a imprensa ficou acampada em frente à casa do dito cujo. Eu não conseguia entender (ainda não havia aqui). Uma pessoa que ficou presa em uma casa durante meses, e ganhou um concurso obteve notoriedade? Por quê? Não tinha sentido, e eu como brasileiro me senti um pouco orgulhoso. Isto não pega no Brasil… Ledo e Ivo (recentemente falecido) engano. Digo que a questão não é só assistir, e não é. Quem quer vê, quem não quer desliga ou troca. Também não me considero melhor ou pior por não assistir. Também não é “por este lado”. A grande questão é que as TVs são concessões públicas. Resumindo e objetivando, o artigo 175 da nossa constituição diz: “Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos.” Somado a isto, o Estado tem a prerrogativa legal de retirar uma concessão quando julgar necessário ou quando o concessionário não cumprir com algumas das condições definidas pelo Estado. Primeiro ponto: quando foi feita a última licitação para as concessões televisivas no Brasil? Segundo ponto: Quais são as condições definidas pelo Estado nestas concessões? Terceiro (para ficar por aqui) ponto: Quem fiscaliza se os critérios estão sendo cumpridos? TV aberta, sendo concessão, deve prestar um serviço à população, um serviço cultural. Como medir a cultura? Quais os indicadores (opa, outros pontos…)? Sinceramente, e não sou moralista nem reacionário – bem pelo contrário, onde está a cultura na TV aberta? Nossa população é beneficiária de quê? Em comparação, se fosse uma concessão de transporte coletivo, todos os ônibus estariam com mais de quinze anos de uso e sempre andando lotados e atrasados. O bbb é a pontinha deste iceberg, por isto dou o direito do povo bater, pois pode daí, surgir um debate maior.