EM PRIMEIRA MÃO. Bombeiro que deu alvará à Kiss já foi condenado por exigir cortinas em troca de alvará

POR MAIQUEL ROSAURO

O responsável por assinar o alvará do Corpo de Bombeiros para o funcionamento da boate Kiss, em 2010, foi o então major da Brigada Militar, Daniel da Silva Adriano. Ele já foi chefe regional da Defesa Civil e hoje é coronel da reserva.

Em entrevista ao Diário de Santa Maria, Adriano disse que em 2010 a Kiss estava dentro das normas de segurança. Segundo ele, a estrutura atual da boate que incendiou em 27 de janeiro ocasionando a morte de 237 pessoas é bem diferente daquela aprovada por ele. Clique aqui para ler a matéria.

Na mesma época em que assinou o alvará liberando a Kiss, o coronel foi condenado, em primeira instância, por exigir cortinas para seu gabinete no Corpo de Bombeiros em troca de conceder alvará e anular multas.

O caso ocorreu em outubro 2010, quando Marcia Loureiro Lopes assumiu a presidência do Clube de Atiradores Santamariense. Logo após tomar posse, ela foi chamada no Corpo de Bombeiros para resolver problemas referentes a multas que o clube possuía. Ao saber da dívida, ela alegou ao major Adriano que o clube não tinha dinheiro para fazer o pagamento.

“E então ele me fez uma proposta de que a dívida poderia ser paga se eu colocasse algumas persianas no seu gabinete, e que ele teria a pessoa pra fazer isso. Eu não vacilei e… antes disso ele também me disse que se eu colocasse essas persianas ele anularia as multas”, afirmou Marcia em documento de sentença sobre o caso.

A diretora do clube ainda perguntou o que aconteceria se a multa não fosse paga.

“Então, eu perguntei como que ele poderia fazer isso e ele disse que tinha autoridade pra isso. E eu perguntei também caso eu não pagasse como ficaria, ele disse que poderia fechar o clube. Eu estava às vésperas do carnaval”, relatou.

As cortinas chegaram a ser confeccionadas, porém o conselho do clube acabou vetando o pagamento uma vez que tais multas nunca chegaram ao conhecimento da diretoria. Através de contato com o Banrisul e o Tesouro do Estado, os diretores não encontraram nenhuma multa em nome do clube.

O Ministério Público moveu uma ação, julgada em março de 2011 pela juíza Eloisa Hernandes, na 1ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública. Adriano foi condenado em primeira instância por improbidade administrativa, tendo como consequência à suspensão dos direitos políticos por 3 anos, proibição de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios direta ou indiretamente pelo prazo de três anos, e, pagamento de multa civil no valor de duas vezes à remuneração mensal que percebia na época dos fatos, corrigida monetariamente.

NOTA: Para ter acesso à ação, clique aqui e insira o número do processo: 027/1.10.0003390-2.

LEIA TAMBÉMTroca de bens para isentar multas seria prática recorrente no Corpo de Bombeiros



6 comentários

  1. Rogério Ferraz

    Ahhh então era assim que agia o “respeitável” Major Adriano? Por favor autoridades, pente fino em tudo o que este cara assinou!!!
    Tchê, mas é muita chinelagem tentar subornar um clube em troca de cortinas e ainda por cima, com multas falsas. Pelo amor de Deus…
    Não seria de bom tom dar uma vasculhadinha na conta bancária deste cidadão no período em que ele exercia cargo público?????

  2. Henrique Heinz

    Fritz Nunes: Os vereadores vão ficar calados até quando????… R. Até quando o Prefeito mandar!!!

  3. Rogério Ferraz

    Claudemir
    tenho a minha opinião sobre o cidadão em questão. Não o conheço pessoalmente mas nunca fui com a cara desse individuo. Acho que a sociedade santamariense tem que questionar a Brigada e saber como que mesmo com estas falcatruas ele virou coronel. Ele fez tudo isto com o povo e este mesmo povo é obrigado a lhe patrocinar um alto salário. Isto não é justo. Não vou escrever agora tudo o que penso, pois estou aqui em Rio Grande e utilizando o celular. Mas ele que aguarde.

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