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A viagem – por Luciana Manica

Como é bom poder sair um pouco da nossa rotina e abrir a mente para o novo. Largar por uns minutos Karl Marx, entrar numa revista da companhia aérea e viajar a diversos lugares por alguns minutos. Visitar a Casacor, morrer de rir no teatro, comer em diferentes restaurantes.

Mudar a leitura ou o canal sem sair de casa também nos permite viajar, alteramos o cenário num piscar de olhos. Às vezes, só conseguimos fazer isso viajando mesmo, pela falta de tempo, e este foi o meu caso. Nos ares me deparei com um artigo intitulado “Para melhor entender nossos ídolos”, da Revista Azul (edição de julho/14). Num primeiro momento, achei que não me seria útil, pois não veio na minha mente nenhum ídolo artista, mas prossegui no texto, até por que queria entender porque será que eu não tinha ídolo!

Para a minha surpresa, o artigo abordava ensinamentos de Carl Gustav Jung, um psicanalista suíço, discípulo de Sigmund Freud, que por anos palestraram juntos, tendo depois o discente Jung trilhado carreira solo, por incompatibilidade de pensamentos. Mas o tal artigo abordava lições de Jung, como podemos compreender nossos ídolos e, talvez, aproveitar mais suas obras e a nós mesmos. Continuava a não me entender, em busca de um ídolo que não me vinha à mente, mas mantive a leitura.

Para minha surpresa, esqueci a revista no hotel, mas não me contive e passei a pesquisar um pouco sobre o tal Gustav e me deparei com frases que refletem o que tenho dito por aí, “nós precisamos entender melhor a natureza humana, porque o único perigo real que realmente existe é o próprio homem.” Tenho dito que a culpa não é do capitalismo, mas tenho sido vencida em alguns setores. No meu singelo entender, é o ser humano o culpado, não obstante o sistema.

Mas adentremos na propriedade intelectual. Para a minha felicidade, Jung nos traz ensinamentos voltados à criação do espírito, mencionando o âmago do direito autoral, ao tecer que “o artista não é uma pessoa dotada de vontade própria, em busca de seus objetivos, mas alguém que permite a manifestação da arte através de si”. Nesse aspecto visualizamos a diferença entre uma obra autoral e uma invenção. Enquanto o direito autoral está voltado para a proteção da expressão do autor, a propriedade industrial visa salvaguardar a criação técnica.

Ao se reportar sobre o artista, Jung ensina que: “como ser humano, pode ter humores, vontades e objetivos pessoais, porém como artista é um ‘homem coletivo’, alguém que carrega e molda a vida de vários, inconsciente da humanidade”. Neste aspecto, Jung acaba por mencionar a criação do espírito, eminentemente autoral e, conclui que, em verdade, o espírito do autor não é único, do artista, mas reflete a coletividade. Acredito que nesse ponto o nosso psicanalista quis proteger seus devaneios, ao não assumir alguns pensamentos e colocar suas “loucurinhas” como crédito de todos, rsrsrs.

E por derradeiro, leciona: “o que é essencial em uma obra de arte é que transcenda o plano da vida pessoal e fale do espírito e do coração do artista ao espírito e coração da humanidade”. Sabemos que, ao fim e ao cabo, o artista acaba deixando um legado para a sociedade, a sua obra, o espírito. Essa contribuição é a que nos alimenta e que permite nos aventurarmos sem termos que sair de casa. Portanto, aumente o som, pegue um livro, vá ao teatro, assista a um filme e boa viagem!

 

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