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A coerência do Novo e o voto de Meneghetti – por Giuseppe Riesgo

“Pode não agradar a todos os setores, mas a consciência... essa está tranquila”

Nos bastidores da Câmara de Vereadores de Santa Maria, já era dado como certo que haveria ao menos um voto contrário aos projetos de reajuste salarial dos servidores e de correção do auxílio-alimentação. O voto do vereador Meneghetti não surpreendeu ninguém. Pelo contrário: era esperado justamente pela coerência com os princípios que o Partido Novo defende desde a sua fundação.

E é importante deixar isso claro: não se trata de um voto contra os servidores. Não se trata de desmerecer o trabalho dos funcionários da Câmara. Muito pelo contrário. Os servidores exercem uma função essencial para o funcionamento do Legislativo e para o atendimento da população.

Mas a Câmara é a casa do povo. E justamente por isso precisa compreender o sentimento do povo.

Enquanto milhões de brasileiros da iniciativa privada convivem com salários apertados, inflação alta, insegurança econômica e dificuldade para fechar as contas no fim do mês, o poder público precisa ter sensibilidade sobre a mensagem que transmite.

O trabalhador comum acorda cedo, enfrenta ônibus lotado, trânsito, pressão no trabalho e, muitas vezes, sequer consegue repor as perdas da inflação no próprio salário. Em muitos casos, não existe reajuste, benefício corrigido ou estabilidade.

É nesse contexto que entra a posição do Novo.

Meneghetti entende que este não é o momento adequado para ampliar gastos dentro do Legislativo, ainda que os pleitos tenham respaldo legal e sejam considerados legítimos. A discussão não é jurídica. É política, econômica e moral.

O setor público precisa dar o exemplo.

O Brasil ainda vive os efeitos de uma economia fragilizada, do aumento do custo de vida e da perda de poder de compra das famílias. E ignorar isso dentro da estrutura pública é se desconectar da realidade de quem paga a conta.

Por isso, o voto contrário de Meneghetti não pode ser tratado como ataque aos servidores. Trata-se, acima de tudo, de coerência. E coerência virou artigo raro na política brasileira.

Enquanto muitos mudam o discurso conforme a plateia, Meneghetti manteve a posição que defende desde o início do mandato: responsabilidade fiscal, contenção de gastos públicos e alinhamento entre discurso e prática. Há quem discorde e isso faz parte da democracia. Que alias, mais do que nunca, precisa reconhecer a firmeza de quem sustenta um voto impopular, mesmo diante da pressão política e corporativa que isso inevitavelmente gera.

Pode não agradar a todos os setores, mas a consciência…essa está tranquila, típica de quem tem a responsabilidade de ser coerente com cada um dos santa-marienses que têm a esperança de uma cidade melhor para todos.

(*) Giuseppe Riesgo é ex-secretário de Parcerias da Prefeitura de Porto Alegre e ex-deputado estadual pelo partido Novo. Ele escreve no site às quintas-feiras.

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2 Comentários

  1. Problema dos servidores não é simples. Deve haver defasagem no reajuste dos salarios. Por outro lado existe o problema de receita e o problema do rombo no fundo previdenciario. Logo é melhor deixar quieto. Porque o grupo politico que esta na prefeitura teve apoio, ao menos no tempo do Possochato, para se eleger. Não significa que a alternativa fosse melhor. Resumo da opera é que não majorando tributos por mim está bom.

  2. Para começo de conversa. Adolfo mandou 11 milhões para a camara de gas. Também não teve nenhum problema de consciencia. Como a galera julgada em Nuremberg;. E Eichmann. Perigo de usar chavões é repetir asneiras.

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