MídiaSegurança

CRIMINALIDADE. Mídia de Santa Maria conta só uma “meia-verdade” sobre a situação, diz Marcelo Arigony

Arigony: mídia local só mostra “meia-verdade” sobre situação vivida por Santa Maria (Foto Feicebuqui)
Arigony: mídia local só mostra “meia-verdade” sobre situação vivida por Santa Maria (Foto Feicebuqui)

O delegado regional de Polícia, Marcelo Mendes Arigony, contesta o clima de quase pânico (expressão deste editor) que se observa na mídia santa-mariense, no que toca aos indices de criminalidade registrados na comuna.

Arigony, por exemplo, traz números comparativos com outras cidades de perfil semelhante ao da boca do monte para verificar, entre outras coisas, que aqui se rouba e mata bem menos do que se está a induzir a população a pensar.

Claro que ele não fica apenas nisso. Vai adiante, nas causas e nas medidas a ser tomadas, como você pode verificar no artigo originalmente publicado no Portal Bei(do qual este sítio é associado). Acompanhe você mesmo, a seguir:

A outra meia-verdade sobre a criminalidade em Santa Maria

Nos últimos meses temos ouvido e lido sobre criminalidade e violência em praticamente todos os meios de comunicação da nossa cidade. O discurso sobre o crime e a violência tem sido a tônica, levando a crer que Santa Maria tenha entrado para o mapa do crime no Estado e no mundo.

As capas de jornais e telejornais teimam em mostrar tudo o que é ruim, como se estivéssemos vivendo um momento de descontrole e as autoridades fossem lenientes. No mais das vezes agendas positivas são deixadas de lado, porque o que vende e chama a atenção é o crime, a catástrofe, a desgraça. Isso acaba gerando sensação de insegurança e fomentando a própria violência.

Sinto pela ocasional falta de escrúpulos. Não que os dias tenham sido fáceis para quem trabalha na área da Segurança, mas nem de longe é como a grande mídia faz parecer. Em que pese Santa Maria não estar imune à violência do mundo moderno, temos os menores índices quando traçado comparativo com cidades de mesmo porte dentro e fora do Estado.

Só para ilustrar, em todo o primeiro semestre de 2014 tivemos catorze roubos (subtração violenta) de veículos em Santa Maria. Pelotas teve mais de cem (!) e Caxias do Sul mais de trezentos (!). E a estatística de furto de veículos (subtração sem violência) acompanha nessa proporção, favorecida incrivelmente pelo índice de automóveis recuperados, sempre acima de 80%, como nenhuma outra cidade de mesmo porte. Isso é efetivo trabalho das polícias, que não permitem a instalação de desmanches na região central.

Não havendo o receptador, os veículos subtraídos logo são recuperados. Nos demais indicadores esse modelo se repete. Ainda que tenha havido um aumento na criminalidade no primeiro semestre, aqui ainda encontramos os menores índices de roubos (assaltos) e, pasmem, também de homicídios, não obstante o pico na incidência desse tipo de delito, ocorrido no início do ano.

Os homicídios têm sido pauta de todos os canais de mídia, levando a crer que vivemos uma situação de total insegurança. Meia verdade! Repito que Santa Maria tem o menor índice de homicídios dentre as dez maiores cidades do Estado. E se for traçado um comparativo em nível de Brasil, os indicadores são ainda mais favoráveis a nós. Outro matiz da meia-verdade que falta referir, diz com os indicadores de elucidação nos crimes contra a vida, que variam de 80% a 90% a depender do período em análise, enquanto a média de Brasil deve girar em torno de 5%.

Em muitos países Europeus não encontramos indicadores tão bons. Todavia, não se vê eficácia social, porque há gargalos em outros momentos – no antes e no depois – não permitindo resultados consistentes.

Se os homicídios seguem ocorrendo, sua prevenção direta não está na agenda das polícias. Imaginando-se uma linha do tempo, a polícia judiciária trabalha após (!) a ocorrência do fato criminoso, buscando elucidar, apontar num caderno investigatório – chamado inquérito policial – a autoria do crime, além da materialidade que precisa estar bem demonstrada…”

PARA LER A ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI.

Leia também

ATENÇÃO


1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.

2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.

3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.

4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.

5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.


OBSERVAÇÃO FINAL:


A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.

5 Comentários

  1. Fico triste em ler esse comentário do Jader Guterres. Uma pessoa a quem eu admiro, que trabalha com teatro, com a parte lúdica da criatura humana, com a cultura. E aí defende que a solução para uma sociedade mais humana, civilizada, é ter uma arma na cintura. Será mesmo? Os Estados Unidos, onde você pode comprar um fuzil automático e granadas na esquina seria a grande solução? Mas, se fosse, lá não teria que ter acabado a criminalidade? As matanças em escolas? Penso que a solução contra a violência jamais será resolvida com mais violência. Esse tipo de saída, ao meu juízo, é uma saída de uma sociedade decadente, que agrava ainda mais a sua enfermidade social. A solução é mais escolas, mais cultura, mais investimentos sociais.

  2. Pelotas tem quase 100 mil habitantes a mais que SM. E está situada a 50/60 km de Rio Grande, cidade portuária. Faz diferença. Caxias tem quase 200 mil habitantes a mais que SM. É cidade industrial, também faz diferença.
    As estatísticas de desempenho da polícia são consolidadas, não discriminam a região. As estatísticas de crimes de 2013 não estão consolidadas, dificultam a comparação.
    Mas em SM, no primeiro semestre deste ano, ocorreram (cifra negra fora) 2315 furtos, 687 roubos, 236 estelionatos e 2 latrocínios. Pelotas: 2473 furtos, 1556 roubos, 200 estelionatos e 2 latrocínios. Caxias: 2932 furtos, 1195 roubos, 286 estelionatos e 0 latrocínios. Homicídios? SM com 31, Pelotas com 44 e Caxias com 39. Dados do site da SSP/RS. É só acessar e baixar a planilha. Não precisa mídia.
    O índice de elucidação de homicídios no Brasil varia entre 8 e 5%, com índice de condenações em torno de 1%. Depende da fonte. O da polícia civil do RS é muito maior, de fato. Mas se assumirmos que em muitos países europeus os índices não são tão bons, em outros devem ser muito melhores. As médias deles são muito maiores que as do Brasil. E é preferível comparar com o que está melhor.
    De qualquer forma, o aumento de criminalidade não vai para a conta das polícias. Políticas criminais frouxas, legislação muito benevolente…Junte isto com falta de gente e de recursos e o resultado é o que se vê, gelo sendo enxugado e crime.

  3. Fantástico trabalho da polícia em reprimir o roubo de veículos. Agora vem a parte onde eles começam a reprimir o roubo de pedestres ou residências que pelo visto (e já que não foi citado na matéria) só tem aumentado…

  4. Uma coisa é certa e a mídia não fala: há mais policiais em blitz de balada segura do que coibindo crimes nesta cidade. Minha segurança eu faria na cintura se pudesse ter uma arma. A polícia e fraca sim, não adianta vir com bla bla bla.

  5. Não consegui ler a matéria. As propagandas encobrem o texto no tablet 7pol.
    NOTA DO EDITOR – o comentário está sendo enviado à área técnica, para averiguação. Grato pela dica.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Botão Voltar ao topo