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7 de setembro e um apelo pela valorização das mulheres do passado – por Elen Biguelini

Jovita Feitosa, Maria Quitéria, Maria Leopoldina e outras heroínas esquecidas

Com este 7 de setembro celebramos mais uma vez a Independência do Brasil. Gostaríamos, seguindo a temática desta coluna, de lembrar as mulheres que lutaram por nosso país. Devido a isto, lembramos de duas mulheres que já tratamos aqui, há quase exatamente quatro anos, as donzelas guerreiras brasileiras Jovita Feitosa (1848-1867) e Maria Quitéria (1792-1853).

Jovita Feitosa fugiu de casa para participar da guerra do Paraguai. Maria Quitéria, a soldada Medeiros fez o mesmo, e lutou com o Batalhão de Voluntários do Príncipe D. Pedro II entre 1822-1823.

A história das mulheres é repleta de figuras como estas, que se esforçaram para participar da sociedade e deixar sua marca, por vezes transgredindo. A grande maioria seria simplesmente rechaçada por usar trajes masculinos, mas estas duas figuras conseguiram o êxito de serem aceitas por seus contemporâneos e aclamadas por suas conquistas.

Muitas outras mulheres também participaram ativamente das conquistas do país, mas seus nomes não são hoje lembrados. São as esposas dos generais, que os recebiam em casa após as batalhas. Suas filhas que respondiam sua correspondência. As mulheres que seguiam os batalhões (tanto para vender seu corpo e ganhar a vida, como por amor àqueles que lutavam).

Nossa independência não foi conseguida pela guerra, mas sim assinada por mãos femininas. Dona Maria Leopoldina é frequentemente esquecida da história, mas seu nome sempre retorno próximo ao sete se setembro, lembrando que foi ela quem assinou o Decreto de nossa Independência. Sendo este o objetivo dela, ou não, não podemos negar sua importância para a data.

Levantamos então um apelo, para olharmos para as mulheres do passado procurando valorizar suas conquistas, por menores que fossem, pois apesar da maioria destas ter sido apagadas, podemos encontrar seus vestígios nos manuscritos e nas palavras que foram deixadas.

(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.

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