Qual é o custo de um processo eleitoral? – por Marionaldo Ferreira
“Chama atenção não é apenas o financeiro. É o custo político e institucional...”

Não sei exatamente quanto custa, em Reais, uma eleição no Brasil, mas é fácil imaginar que o valor seja muito alto. Afinal, trata-se de mobilizar uma estrutura gigantesca em um país de dimensões continentais. São milhares de urnas, servidores, logística, segurança, campanhas e toda uma engrenagem que se repete a cada dois anos.
Mas a questão que mais me chama a atenção não é apenas o custo financeiro. É o custo político e institucional de vivermos em campanha quase permanente.
Quando uma eleição termina, a próxima já começa a ocupar espaço no debate. Muitos governantes acabam administrando de olho nas urnas, e não necessariamente no tempo necessário para amadurecer projetos e entregar resultados. A política passa a consumir uma energia enorme em disputas eleitorais, quando poderia dedicar mais tempo ao planejamento e à execução.
Pensando nisso, me pergunto se não seria possível discutir outro modelo, sempre dentro das regras da democracia. Não se trata de diminuir a importância das eleições, muito menos de enfraquecer o voto popular. Pelo contrário. A ideia seria fortalecer a representação política.
Uma possibilidade seria realizar eleições para todos os cargos a cada oito anos, com direito a apenas uma reeleição. Isso daria mais tempo para que governos e parlamentos desenvolvessem projetos de longo prazo, fossem avaliados por seus resultados e construíssem uma relação de confiança mais sólida com a sociedade.
Naturalmente, uma mudança como essa exigiria muito debate. Há argumentos favoráveis e contrários, e todos merecem ser considerados. A democracia se fortalece justamente quando diferentes ideias podem ser discutidas com liberdade e respeito.
No fim das contas, a pergunta continua válida: será que o modelo atual é o único possível? Ou podemos pensar em formas de reduzir os custos, dar mais estabilidade às instituições e permitir que a representação política seja construída com mais consistência?
Refletir sobre isso não significa questionar a democracia. Significa acreditar que ela pode evoluir continuamente, sempre buscando representar melhor a vontade da sociedade.
(*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.





Resumo da opera. Para não ficar a ideia de que a solução de todos os problemas obrigatoriamente tem que passar pelo processo politico sem pensar em gestão. Uma mudança na maneira de financiamento das atividades também resolveria. Exemplo? Aperfeiçoamento nas licitações que atraem muitos picaretas (apesar da burocracia). Só liberar recursos para novas obras depois que as que estão em andamento forem concluidas. Politicos andam muito ‘confortaveis’. Há que aumentar seu desconforto e não diminuir.
Sem falar na falta de compromisso com o resultado. Foto no anuncio, foto na liberação da verba, no lançamento da pedra fundamental, se pudessem inaugurariam rodovias meio metro de cada vez.
Efeagé, parafraseando alguém, dizia, também uma parafrase, ‘o problema não é o corrupto, é o burro; porque o corrupto só pega uma parte de vez em quando, o burro é burro sempre’.
Volta e meia alguém, na discussão de um tema qualquer, larga um ‘entre em contato com seu deputado/senador’. Muito enlatado ianque. Lá o voto é distrital. Aqui os parlamentares só tem seu curral eleitoral na hora da foto do envio de emendas. Na hora da cobrança a responsabilidade é diluida. As bancadas são tematicas, vide as ‘frentes parlamentares’ diversas. Uma especie de ‘sindicalismo’ despregado do territorio.
‘Refletir sobre isso não significa questionar a democracia.’ Problema é que ‘democracia’ no Brasil se resume a eleições ou como disfarce de ‘popularização’. Inclusive em jogos de futebol, imprensa chora as pitangas porque as novas arenas não cabem no bolso de toda população. Logo não são ‘democraticas’.
‘Uma possibilidade seria realizar eleições para todos os cargos a cada oito anos, […]’. Sim, e em caso de elegerem gente errada levaria mais tempo para trocar. Bom para os eleitos.
‘É o custo político e institucional de vivermos em campanha quase permanente.’ A prioridade não é resolver problemas, é marketar. Fazer coisas com visibilidade. Ou transformar coisas irrelevantes em ‘grandes feitos’. Vide iluminação a led em SM. Vide estrada do Perau. Coisas que mudam muito pouco a vida de quem mora na cidade.
‘[…] e toda uma engrenagem que se repete a cada dois anos.’ Só de fundo eleitoral são 5 bilhoes.