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Partidas – por João Luiz Vargas

‘Algumas são planejadas e celebradas... Outras chegam sem qualquer aviso...’

Existem palavras que carregam mais de um significado. E talvez poucas sejam tão completas quanto partida. Partida pode ser uma despedida. Pode ser a hora de ir embora, de deixar um lugar ou uma pessoa. Também pode ser o falecimento de alguém, quando a ausência passa a ocupar um espaço permanente em nós.

Mas a mesma palavra também representa uma competição, o início de um funcionamento, um ponto de partida, o começo de uma nova história. Não por acaso. A palavra vem do verbo partir, que significa dividir, separar, afastar-se. Em todos os seus sentidos existe um movimento. Algo deixa de ser como era para dar lugar ao que ainda será.

Talvez por isso as partidas despertem sentimentos tão diferentes. Não existe uma única emoção capaz de defini-las. Elas podem trazer tristeza, saudade e nostalgia. Podem despertar medo diante do desconhecido ou insegurança diante do que ficou para trás. Mas também podem carregar gratidão pelo que foi vivido, esperança pelo que está por vir e, em alguns casos, até alívio quando o fim de um ciclo representa um novo começo. O sentimento da partida nasce justamente dessa percepção silenciosa de que algo importante está sendo deixado para trás.

Vivemos de partidas ao longo de toda a vida. Algumas são planejadas e celebradas: uma formatura, um novo emprego, uma mudança de cidade, um casamento, o nascimento de um filho. Outras chegam sem qualquer aviso, interrompendo planos, alterando rotas e nos obrigando a aprender a recomeçar. Toda partida carrega uma despedida. Despedimo-nos de pessoas, de lugares, de rotinas, de sonhos e, muitas vezes, de versões de nós mesmos. Ainda assim, partir não significa apenas perder.

O que realmente importa não fica preso ao lugar de onde saímos, nem às pessoas de quem nos afastamos ou que perdemos. Permanece naquilo que nos tornamos graças a elas. Afinal, somos feitos também das pessoas que passaram por nós, dos lugares que chamamos de casa e dos ciclos que um dia precisaram terminar.

Talvez a maior lição das partidas seja compreender que elas fazem parte da própria essência da vida. Não existe caminho sem despedidas, assim como não existe recomeço sem coragem para partir. Algumas partidas nos conduzem a novos horizontes. Outras nos ensinam a conviver com a saudade. Mas todas, de alguma forma, deixam marcas.

Porque aquilo que foi vivido com amor nunca parte por completo. Continua existindo nas lembranças, nos gestos, nas histórias que contamos e, principalmente, na pessoa que nos tornamos depois de cada partida.

(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.

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