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ELEIÇÕES. Todos à espera de uma decisão sobre (in)elegibilidade de Farret. Mas o governo só tem ele

Farret e pré-candidatos: “alguns querem, de fato, concorrer. Mas outros apenas querem vitrine”
Farret e pré-candidatos: “alguns querem, de fato, concorrer. Mas outros apenas querem vitrine”

Não há mudança alguma na situação legal de José Haidar Farret desde que, com exclusividade para este editor e os leitores do sítio, anunciou-se, pela palavra do próprio, a sua inelegibilidade. E isso foi exatamente no dia 18 de setembro, como você pode ler e ouvir AQUI.

Então, por que se está tratando deste assunto? Obviamente, pela esperança de que a situação, pra lá de delicada, se reverta. O que, conforme todos os especialistas, é pra lá de improvável. E, sobretudo, pela importância que tem Farret para a política de Santa Maria. O que justifica mais uma entrevista com ele, agora feita pelo Diário de Santa Maria.

O vice-prefeito, por sinal, não se faz de rogado. E dá seu recado, inclusive para os que poderiam se apresentar à disputa política e não fazem. Palpite claudemiriano: as palavras de Farret são para fora, mas também (quem sabe, principalmente) para dentro, como você pode conferir a seguir. A foto é de Gabriel Haesbaert, do jornal A Razão. Acompanhe:

Posição de José Farret é a mesma de 18 de setembro, quando deu entrevista exclusiva ao sítio
Posição de José Farret é a mesma de 18 de setembro, quando deu entrevista exclusiva ao sítio

Não quero atravancar ninguém”, diz vice-prefeito de Santa Maria

Aos 73 anos, sendo 22 deles no Executivo municipal, como prefeito (por duas vezes) e vice-prefeito (por três mandatos, incluindo o atual), o progressista José Haidar Farret (PP) mostra-se disposto a concorrer a mais um pleito. Para isso, aposta em sua experiência como gestor público como o principal trunfo para chegar com chances na disputa das eleições em outubro.

Mas, Farret convive com uma incerteza: ele está, no momento, inelegível em decorrência de uma condenação por estelionato da Justiça Federal, referente a um caso em que emitiu um atestado médico para uma pessoa que já estava morta. O político espera reverter essa situação na Justiça e ser liberado para o pleito.

Farret, prefeito em exercício, já que Cezar Schirmer (PMDB) está em férias, conversou com o “Diário” em seu gabinete na última quinta-feira. Confira abaixo o que ele pensa sobre o partido, a política e o futuro.

Diário de Santa Maria – O PP, seu partido, está inquieto com o fato de o senhor ter uma condenação na Justiça, o que pode inviabilizar seus planos de concorrer ao pleito. Ao mesmo tempo, alguns progressistas entendem que isso atravanca as pretensões do PP. O senhor acha o mesmo?
José Haidar Farret – Primeiro, que na última reunião do partido (no último dia 11), eu fui bem claro e disse: “eu não quero atrapalhar nem provocar demora aos partidos”. E isso vale para o PP e para o PMDB. Se o PP acha que estou demorando para tomar uma posição, eles que vejam outro nome. Não quero ser entrave. Agora, é preciso entender que há um período de recesso do Judiciário. Deixo a cargo do partido resolver. O que for decidido está a contento. Repito: não quero atravancar ninguém.

Diário – E quanto ao PMDB? O prefeito Schirmer tem uma dívida e um compromisso pessoal com o senhor. Mas os peemedebistas pensam o mesmo?
Farret – Eu disse isso também hoje (na última quinta-feira) ao Cezar Gehm (vereador e presidente do PMDB). Eu também disse isso ao prefeito, e ele mesmo me disse que o PMDB irá aguardar.

Diário – Alguns progressistas dizem que o senhor tenta sobrepor o seu nome ao do próprio partido. É isso mesmo?
Farret – Nunca fiz isso. Não é verdade. Não sou de ter esse tipo de postura. Aliás, se existe uma pessoa que nunca usufruiu de benesses de partido, essa pessoa sou eu. Em 45 anos de política, nunca troquei de partido.

Diário – O que o senhor traria de novo em um eventual novo mandato?
Farret – Farei uma administração para todos e, principalmente, voltada ao desenvolvimento de Santa Maria. Promover um desenvolvimento que faça Santa Maria não descuidar da região. E mais: resgatar uma marca de Santa Maria, que foi de sempre ser uma referência na saúde. Temos totais condições de ser um polo na área da saúde. As pessoas vinham de longe para consultar aqui e, hoje, há dificuldades enormes.

Diário – A oposição e os pré-candidatos que concorrerem ao pleito já dizem e dirão que a cidade vive uma paralisia. O que o senhor, em caso de ser o candidato governista, dirá?
Farret – Os que dizem isso não enxergam a realidade. Eles que olhem os quatro cantos da cidade. E vejam o que tem sido feito. E garanto a ti: saberei responder a tudo e não deixarei qualquer pergunta sem resposta. Eu vou provar que esse pessimismo de alguns não procede.

Diário – Esse pleito pode ter 2º turno. Há, no momento, sete possíveis pré-candidatos. Dos que se apresentam, o senhor acredita que todos possam chegar em condições de concorrer?
Farret – Acredito que alguns querem, de fato, concorrer. Mas outros apenas querem vitrine. Todos que estão se colocando devem concorrer. Agora, o segundo turno é outra questão. Aí, teremos o que chamamos de barganhas.

Diário – De todos os nomes que se colocam como possíveis pré-candidatos – Bisogno (PDT), Ceccim (PR), Fabiano (PSB), Pozzobom (PSDB), Valdeci (PT), Werner (PPL) –  há alguma restrição de sua parte?
Farret – É algo que vou ouvir os meus eleitores. Tenho de fazer isso e, principalmente, a minha consciência. Afinal, quem foi fiel e solidário comigo? O que poucos sabem é que na política pode haver inimizades, mas não inimigos. Podemos ser adversários um do outro, mas tudo dentro do limite da lealdade. Tudo isso eu irei pesar e ponderar.

Diário – E o senhor tem pique para uma eleição?
Farret – Tenho 73 anos. E uma eleição não me assusta pela saúde. Estou bem. E eleição, não se ganha com dinheiro, mas, sim, no sapato e na coerência, e com o seguinte slogan: o que foi feito e, principalmente, o que pode ser feito. Sei tudo que foi feito – bairro por bairro, vila por vila, distrito por distrito.

Diário – Não será chegado o momento de novos nomes nos quadros partidários e também no PP?
Farret –  Sabe o que existe muitas vezes? A omissão de muitos que poderiam concorrer e que não querem. Essa é uma cidade cheia de nomes qualificados e com capacidade de administrar. E agora, com esse momento, em que o político é olhado com desconfiança, é que as pessoas não querem se filiar e concorrer por um partido. É óbvio que ninguém está contente com a política.

Diário – O senhor acredita que, por exemplo, um partido que apresentar um nome apolítico pode sair na frente?
Farret – Tudo é possível. Mas seria importante para a cidade. É, sim, importante. Tem muita gente boa nessa cidade, que pode concorrer, e que deve se engajar mais com a cidade. Mas uma coisa precisa ser dita: todo cidadão é político e, por consequência, todo político é cidadão.

Diário – Já se vão três anos do episódio da Kiss, o senhor se manteve resoluto ao lado do prefeito. O senhor sente-se à vontade para andar na cidade?
Farret – Tenho absoluta certeza que ele (prefeito) não teve culpa nenhuma. Imagina se, por exemplo, o prefeito tem de cuidar até como é uma fechadura de uma porta, me perdoa… Essa cidade sofreu e ainda sofre. Mas luto por uma cidade que caia na realidade. Agora, apenas se houver um radicalismo para que eu não possa andar pela cidade. Mas, claro, houve uma hostilidade inicialmente. Infelizmente, houve mortes, mas não fomos culpados.”

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