Agosto: mês de cães danados – por Daniel Arruda Coronel

O mês de agosto sempre foi um mês complicado na política brasileira, pois, em 1954, Getúlio Vargas, com um tiro no coração, encerra o seu governo e adia o golpe militar que estava em curso.

Em 1961, numa atitude ainda não totalmente explicada, o excêntrico presidente Jânio Quadros renuncia ao mandato de primeiro mandatário da nação e, como forma de evitar o golpe, o então governador do RS, Leonel Brizola, lança a Campanha da Legalidade, a qual visava garantir a ordem e a legalidade, através da posse de João Goulart.

Tais fatos estão muito bem relatados no livro Mês de cães danados, do saudoso Moacyr Scliar. Ainda em agosto, tem-se a morte trágica do ex-presidente Juscelino Kubitschek e, mais recentemente, o afastamento definitivo da ex-presidente Dilma Rousseff, no dia trinta e um de agosto de 2016.

Contudo, neste ano, mais um fato juntou-se aos elencados anteriormente, ou seja, o não prosseguimento das investigações em relação ao presidente Temer, o que seria uma oportunidade importante de esclarecimento e de justiça que a sociedade tanto almeja, em tempos de descrédito com a política. Se as investigações fossem feitas e nada fosse provado, o presidente teria um pouco de legitimidade para concluir a sua tão contestada gestão, que ainda não conseguiu ter uma estratégia de crescimento com equidade e justiça social.

O fato de as investigações não prosseguirem, somado às várias questões que sucederam aos dias anteriores à votação na Câmara dos Deputados, com a liberação de pomposas emendas, conforme noticiado por vários jornais, acabam por deixar a sociedade mais descrente e mais crítica das instituições, o que não é desejável num momento extremamente delicado e difícil por que passa a sociedade brasileira, como consequência do patrimonialismo, do jeitinho, do populismo e do clientelismo que vem desde a colonização como chagas que corroem as instituições.

Enfim, mais uma vez, o Brasil não quis passar a sua história a limpo, não quis efetivamente esclarecer o que está ocorrendo dentro dos salões presidenciais, e o resultado disso um dia a história cobrará.

Contudo disso uma lição tiramos, ou seja, sabermos de que lado estão os nossos representantes, os quais, no ano que vem, pedirão com humildade e serenidade o nosso voto e quem sabe a sociedade responda com altivez e patriotismo a tais ações.



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