O FUTURO. Professor da UFSM teme que, com novo governo, ocorra “asfixia financeira” das universidades

O FUTURO. Professor da UFSM teme que, com novo governo, ocorra “asfixia financeira” das universidades - sedufsm-1

Ricardo Rondinel, professor da UFSM: se a sociedade não se levantar, cobrança de mensalidade nas universidades pode ser aprovada

Por FRITZ R. NUNES (com foto de Arquivo), da Assessoria de Imprensa da Sedufsm

A universidade e os servidores públicos poderão ser chamados novamente a pagar a conta de um novo ajuste fiscal, com cortes de recursos? Para o professor Ricardo Rondinel, do departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM, o governo eleito, de Jair Bolsonaro (PSL), dá a entender que a prioridade a partir de agora, é o ensino básico, e não o ensino superior, que, inclusive, deve ser realocado para a pasta da Ciência e Tecnologia. O economista lembra que as universidades já vêm sofrendo os efeitos do ajuste fiscal desde 2014 e, que, no que se refere a custeio e investimento, as universidades não têm mais onde cortar, estando no limite da sobrevivência.

De que forma o governo ainda poderia economizar com as universidades? Rondinel ressalta que, para 2019, já não existe previsão de recomposição salarial, mas que, se o Executivo quiser cortar ainda mais, pode tentar cancelar as progressões funcionais dos docentes. No entendimento do economista, o governo eleito vê a universidade como um espaço de propagação de ideologia, por isso as ações podem caminhar no sentido de algum tipo de retaliação, como por exemplo, não nomear para reitor (a) o mais votado em uma lista tríplice. Isso pode mudar de uma hora para outra, sem necessidade de qualquer mudança na legislação, frisa ele.

Privatização

Vender (privatizar) todas as estatais do país não resolverá o problema do déficit público. O aumento desse déficit tem relação com o fato de o país não ter economia em crescimento entre os anos de 2015 e 2016. A análise de Ricardo Rondinel, que comenta ainda a frase do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, segundo o qual, é preciso “enterrar o modelo social democrata” de economia. Para o professor da UFSM, Guedes não é um liberal, mas um ultraliberal, com um tipo de visão que enfatiza cada vez menos estado, e cada vez mais mercado. A filosofia de Guedes, dita por ele mesmo, é o modelo implementado no Chile, na década de 1970, pelo ditador Augusto Pinochet, que fez uma privatização ampla, inclusive da previdência.

Por essa ótica “ultraliberal”, ele destaca que o entendimento é de que o governo desperdiça recurso público ao gastar com políticas sociais (bolsa família, programas habitacionais de baixa renda, farmácia popular, etc). Eles pensam que isso é uma “interferência indevida” com o intuito de regulamentar a economia, que não precisa ser regulamentada. Nessa sociedade defendida pelos ultraliberais, é o mercado que regula tudo, e que qualquer tipo de ascensão social deve se dar através da “meritocracia”, daí porque destinarem tantas críticas às cotas, por exemplo.

Questionado sobre uma das propostas do novo governo, de que seria feita uma revisão das relações econômicas do Brasil com os países do Mercosul, Rondinel comenta que, neste caso, o Rio Grande do Sul, seria um dos estados mais afetados, devido às suas exportações para a Argentina.

Leia a seguir a íntegra das perguntas e das respostas na entrevista realizada com o economista e professor da UFSM, Ricardo Rondinel.

Sedufsm- Professor, desde que o candidato Jair Bolsonaro despontou como favorito nas eleições, se percebeu uma queda no dólar, entre outros aspectos, demonstrando que o mercado financeiro o aceitava de bom grado. Essa “simpatia” se deve a que, na sua avaliação?

Rondinel– O que o mercado financeiro desejava é alguém que traga segurança para seus ganhos. Dentro desse mercado se incluem detentores de títulos da dívida pública, investidores em ações, investidores internacionais e especuladores. O mercado financeiro desejava uma sinalização de que não haveria a criação de novos impostos e as regras de mercado seriam respeitadas. O mercado financeiro não queria a eleição do ex-Presidente Lula. No dia 11 de setembro, Fernando Haddad assumiu a candidatura a Presidente, dois dias depois o dólar começa cair de valor, caiu de R$ 4,19 em 13 de setembro para R$ 3,70 em 1º de novembro. Ou seja, o mercado financeiro acreditava que sendo Haddad o candidato, o vencedor seria Bolsonaro, e nisso o mercado acertou…”

PARA LER A ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI.



1 comentário

  1. O Brando

    Brasil tem numero elevado de estatais deficitárias. Pior, cheias de funcionários com altos salários .
    Privatização só serve para o que tem alguma serventia. Melhor extinguir a maioria.
    O resto é chute, por que não nomear o mais votado e comprar uma briga desnecessária?
    O caso das universidades públicas é bem simples, se estivessem cumprindo o papel que delas se espera todos estariam preocupados com a falta de financiamento.

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