ARTIGO. Michael di Giacomo, um “embranquecido” Machado de Assis, a UFSM e luta contra o preconceito

ARTIGO. Michael di Giacomo, um “embranquecido” Machado de Assis, a UFSM e luta contra o preconceito

ARTIGO. Michael di Giacomo, um “embranquecido” Machado de Assis, a UFSM e luta contra o preconceito - michael-artigoSomos todos seres humanos. Isso é o que nos identifica

Por MICHAEL ALMEIDA DI GIACOMO (*)

A Faculdade Zumbi dos Palmares promove uma campanha, que pode ser acompanhada pelo site  www.machadodeassisreal.com.br,  a fim de corrigir “a maior injustiça racial da literatura”, no caso, o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras ter sido retratado como sendo um homem branco.

Machado de Assis, por parte de pai, era neto de escravos alforriados, nasceu ainda sob o regime escravocrata, o que é tido como o principal motivo para ter sido “embranquecido” nas fotos. Segundo o pesquisador Felipe Rissato, que encontrou uma foto publicada pela revista argentina Caras y Caretas, na edição de janeiro de 1908, ele possuía nítidos traços negros.

A campanha tem por objetivo sensibilizar as editoras e livrarias para que não imprimam, publiquem ou comercializem livros de Machado de Assis com fotos nas quais aparece “embranquecido”. No site, é possível baixar fotos com a face real do literato brasileiro e, assim, o seu público poderá substituir “a imagem preconceituosa” que estampa os livros atuais.

Ao acessar o site me veio à mente as palavras que surgem logo no início do filme 1984, baseado na obra de George Orwell, do diretor e roteirista Michael Radford: “quem controla o passado controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado”.

É de impressionar como as relações de poder em uma sociedade permitem que as nuances reais de determinados períodos históricos possam ser alterados ou simplesmente deixem de existir. Se é verdade a premissa de que “a história é escrita pelos vencedores”, neste episódio, cabe a nós, no presente, corrigir um erro do passado.

A campanha da Faculdade Zumbi dos Palmares é mais uma forma de denunciar e barrar práticas racistas a forjar os grilhões da nossa ignorância. O preconceito racial que se reproduz a partir de ações individuais, como a realizada nas dependências da UFSM na mesma semana de lançamento do site de Machado de Assis, ao depor contra uma raça, afeta toda a humanidade.

A etnia, o gênero, a cor, a religião, a opção política, a orientação sexual, entre tantas outras características de cada pessoa não deve servir de motivo para atos desumanos. A história de uma sociedade deve ser construída com respeito à diversidade de seu povo. Somos todos seres humanos. Isso é o que nos identifica.

“Que cada estante deste país possa ter um livro de Machado de Assis corrigido. A história agradece”.

(*) Michael Almeida di Giacomo é advogado, especialista em Direito Constitucional e Mestrando em Direito na Fundação Escola Superior do Ministério Público.

OBSERVAÇÃO DO EDITOR: as fotos que ilustram este artigo são reproduções da internet.



1 comentário

  1. O Brando

    Grande maioria não dá a mínima para Machado de Assis. Anitta, pelo contrário, faz o maior sucesso. O resto é mimimi.

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