CRÔNICA. Pylla Kroth, agora homenageado pelos vereadores, já não é assim tããão foca. Mas, dino???

CRÔNICA. Pylla Kroth, agora homenageado pelos vereadores, já não é assim tããão foca. Mas, dino???

Dino Foca

Por PYLLA KROTH (*)

CRÔNICA. Pylla Kroth, agora homenageado pelos vereadores, já não é assim tããão foca. Mas, dino??? - pylla-1Ops! Poxa! Já são quase onze horas da noite e lembro que hoje é dia de escrever minha crônica semanal por aqui; aliás, tenho falhado com o chefe. Ele é um cara com quem convivo há mais de 30 anos e sei bem que daqui a pouco vai me intimar. Portanto, “bora” escrever.

O ato de escrever para mim é tão ou mais particular que minha própria alma, mas quando escrevo gosto de publicar, isso é engraçado em mim. Confesso que ultimamente não tenho tido muito prazer em ler pela internet e não ando muito chegado em obras de literatura, mas leio. Leio bulas, classificados de jornais, obituários, gibis e até dicionários.

Por quê? Acho que devemos ler tudo aquilo que nos provoca prazer. Mas confesso que tiro um tempinho pra ler aquilo que não gosto também. Isso me provoca e aguça minha visão crítica sobre as coisas e o mundo. E vou lhes dizer: “a coisa esta cabulosa”, como diz meu amigo e vizinho aqui, cheio das gírias modernas. Ando sem expectativas, nem quando eu entregar essa crônica ao meu chefe acho, pois ele tem uma visão crítica exacerbada e não é a toa que é chefe, tipo de uma inquietação permanentemente insatisfeita.

Não ao acaso é meu chefe. E é isso que me instiga a seguir adiante em meus causos. Vivo num mundo de “foca”. Pra quem não sabe o significado da palavra, vou logo explicando. Trata se de um jornalista iniciante e afoito. Não sou jornalista, mas sou afoito e escrevo por isso esse meu parentesco com o dito. Estou sempre igual ou pior que Silvio Santos quando converso com as pessoas.

Não sei por que, ou melhor, até sei, que acho que posso mudar o mundo. Talvez não escrevendo, mas cantando. “O quê? Quem? Quando? Por quê? Não me diga!” São palavras diárias minhas. Com quase 40 anos de vida artística estou sempre respondendo entrevistas de jornalistas sobre minha carreira. E percebo que poucas vezes repeti o que digo sobre minha trajetória. Porém, nunca inventei algo que realmente não tenha vivido.

Às vezes sou pego de surpresa em alguma cerimônia quando esboçam meu currículo. Coisas e mais coisas que ainda não falei sobre mim e agora chegou a vez de ouvir contarem sobre a minha pessoa. Como na ocasião de um agraciamento, na Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria, – A casa do Povo- sobre o artista e pessoa Pylla Kroth no contexto Cultural da minha Aldeia.

Confesso que de certa forma foi emocionante. Quando acho que já escrevi e ou contei toda minha vida, eis que começam a contar pra mim sobre o envolvimento das pessoas da cidade comigo. Portanto, quero dizer que estava quase querendo parar de contar meus causos por aqui. Só que não…tem muito chão pela frente.

Estou quase chegando na posição do meu amigo chefe. Só que talvez um pouco mais ranzinza. Imaginam? Rsrsrs…E como dizia um velho gourmet na televisão, “aguardem até semana que vem, pois nós voltaremos”. Nem que seja somente pra se incomodar.

Nunca me imaginei recebendo prêmios ou congratulações; fiz o que pude de melhor sempre, com muita paixão e haverei de morrer assim. Talvez na próxima edição eu faça melhor, mas até aqui dei o meu máximo. E agora no final deste texto, acabo de descobrir que já não sou mais tão “foca” assim.

O certo é que guardarei lembranças com carinho de todos. E haveremos sempre de levar a dor aos bocejos. Dias melhores a todos é o que eu desejo. Tenho uma gratidão enorme por esta cidade que aniversariou no fim de semana passada. Parafraseando Mercedes Sosa: eu só peço a Deus que a dor não me seja indiferente.

 (*) PYLLA KROTH é considerado dinossauro do Rock de Santa Maria e um ícone local do gênero no qual está há mais de 35anos, desde a Banda Thanos, que foi a primeira do gênero heavy metal na cidade, no início dos anos 80. O grande marco da carreira de Pylla foi sua atuação como vocalista da Banda Fuga, de 1987 a 1996. Atualmente, sua banda é a Pylla C14. Pylla Kroth escreve às quartas feiras no site.

OBSERVAÇÃO DO EDITOR: A imagem que ilustra esta crônica é uma reprodução da internet.



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