CRÔNICA. Pylla Kroth e o tal de inferno astral, com todas as suas consequências, inclusive trocar as bolas

CRÔNICA. Pylla Kroth e o tal de inferno astral, com todas as suas consequências, inclusive trocar as bolas

Trocando as bolas

Por PYLLA KROTH (*)

CRÔNICA. Pylla Kroth e o tal de inferno astral, com todas as suas consequências, inclusive trocar as bolas - pylla-crônica-1Os dias andam estranhos e a “coisa” balançando a situação. Me recuso escrever aqui neste espaço o que realmente ando sentindo dentro de mim nos últimos tempos. Hoje resolvi desligar meu celular e não entrar na internet. Mesmo sabendo da importância em minha vida em me manter em online, às vezes uma desligada é o melhor que posso fazer em prol de minha saúde mental.

Existem sentimentos que não gosto de experimentar, e quando esses afloram acho bom “tirar o time de campo”, entregando ao tempo rei a tarefa de julgar a história e incriminar e condenar a um triste final espiritual as pessoas que colaboram ou colaboraram com atrocidades contra a humanidade.

Sou uma pessoa superpositiva e esperançosa. Portanto o silêncio, mesmo eu sendo um roqueiro barulhento, é meu melhor remédio.  Às vezes me perguntam como crio minhas músicas e respondo sem titubear uma grande verdade existente em mim: crio minhas canções em silêncio, minhas melhores inspirações saíram do nada e meu som preferido é o barulho do silêncio. Mas como um bom geminiano isso não é absoluto. Tenho inúmeras tarefas para fazer durante o dia e me vejo obrigado sair para a rua a executá-las. Aí me vem aquela “atucanação” que não me é peculiar.

Dizia esses dias outro nobre colaborador deste sitio em um post seu, “estou saindo do meu inferno astral”, e eu aqui, que gosto de um inferninho e do capetinha, anjo caído, como queiram, me ponho a pensar neste Astral do Capeta que ora assola a existência ao meu redor ao que tudo indica.

Assuntos de astrologia e mistérios que não entendo bolhufas, geralmente troco ‘tudo as bolas’, como diz a gíria, confundo ascendente com descendente e signo lunar e signo solar, decanato e o diabo a quatro, mas sou da opinião que não convém duvidar, pois já diz o ditado castelhano: “no creo em brujas, pero que las hay, las hay”!

Perguntei-me, então: estaria eu vivendo esse danado inferno astral de maneira prolongada, mesmo já tendo passado há meses minha data de aniversário para me sentir tão perturbado nesses dias?

Não querendo muito acreditar, resolvi me mexer e sair para minhas tarefas laborais diárias. Faria isso depois de minha sesteada habitual, logo no inicio da tarde. Deitei e não teve jeito de cochilar aquela meia horinha sagrada. Decididamente estava incomodado mesmo. Foi quando, de repente, senti um sintoma que há muito não sentia: minha boca secou, me travou a língua e me arranhou a garganta.

Pensei logo em uma medicação antiga que quando comecei cantar me foi receitada por um amigo “natureba” quando a garganta ameaçava adoecer. Por que não? Sou avesso a drogas medicamentosas, mesmo fazendo uso há 20 anos de medicação de uso contínuo por necessidade e recomendação médica e também contínua luta, diária, contra efeitos paralelos desagradáveis em horas determinadas do dia.

Essa terei que tomar o resto de meus dias aqui na terra.  Mas este remédio natural sempre recomendado pelo meu velho amigo, muito popular, conhecido como extrato de própolis, utilizado como antibiótico natural, especialmente para combater infecções na garganta e sintomas de gripe, entre outras coisas, tudo bem.

Dizia esse meu velho amigo que se sentisse algo estranho na garganta bastava algumas gotas e “batata”, tiro dado e bugio deitado! Decidi que não perdia nada em aplicá-lo para aliviar aquela sensação ruim na garganta que tão subitamente me acometera.

Então me perguntei onde mesmo tinha visto pela última vez um vidro de própolis em casa. Pensei por alguns minutos e …Pimba…lembrei! Na casa da minha vizinha que, estando ausente, me deixou a chave para cuidar e dar uma espiadinha de vez em quando se estava tudo em ordem.

Comentei com minha esposa que logo me falou que era muito provável mesmo estar ali pela prateleira da cozinha da nossa amiga, lhe parecia ter visto um frasquinho ali que possivelmente fosse própolis, já que a vizinha é muito adepta da medicina popular e está sempre as voltas com chás de ervas, mel, extratos e infusões. Peguei as chaves e fui até lá sem titubear.

Abri a porta e fui direto para prateleira da cozinha. Neste momento percebi que havia deixado meus óculos em casa. Olhei para o frasco, e mesmo com a visão embaralhada, identifiquei rapidamente escrito algo como “ervas” num frasco pequeninho de spray. Só podia ser o dito cujo!

Não pensei duas vezes. Enfiei na boca e como quem vai fazer um gargarejo apertei por duas vezes em dois ou três segundos. Pronto. Foi o que bastou para sair em disparada em direção a minha casa. Minha mulher apavorada com minha cara sem entender nada do que estava acontecendo.

Corri direto até a pia aos gritos, lavando a boca e cuspindo pra todo lado: “vai correndo lá na casa da vizinha e veja o que foi que eu acabei de colocar aqui na boca que deu ruim!”. Enquanto isso minha garganta queimava e exalava perfume de sete ervas.

Ela volta e me grita: “Criatura, você acabou de colocar AROMATIZANTE DE AMBIENTES na garganta!” E já começou aquela correria para tomar as providências para evitar uma eventual intoxicação.

Que inferno amigos, que inferno! Depois dessa, que aliás já não é minha primeira experiência de “trocar as bolas”, ou melhor, os frascos de medicação, sem óculos, nunca mais!

(*) PYLLA KROTH é considerado dinossauro do Rock de Santa Maria e um ícone local do gênero no qual está há mais de 35anos, desde a Banda Thanos, que foi a primeira do gênero heavy metal na cidade, no início dos anos 80. O grande marco da carreira de Pylla foi sua atuação como vocalista da Banda Fuga, de 1987 a 1996. Atualmente, sua banda é a Pylla C14. Pylla Kroth escreve às quartas feiras no site.

OBSERVAÇÃO DO EDITOR: A ilustração que você vê aqui é uma reprodução de internet.



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