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ARTIGO. “A comunidade está farta de factoides”, diz Valdeci Oliveira sobre ausência de leitos no Regional

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Mais um ano sem leitos no Regional

Por VALDECI OLIVEIRA (*)

Infelizmente, não será em 2019 que a comunidade de Santa Maria e dos municípios da Região Central do Rio Grande do Sul terão acesso a sequer um único leito – dos cerca de 270 que constam no projeto original – do Hospital Regional 100% SUS. Essa foi, na minha opinião, a principal – e mais preocupante – informação prestada, na última quarta-feira (7), pela secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, à Comissão de Saúde e de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, onde esteve para apresentar aos parlamentares o relatório de prestação de contas do primeiro quadrimestre de 2019.

Das quatro perguntas que fiz à secretaria sobre o Regional, a primeira foi textualmente essa: “A senhora acredita que, até o final do ano, deverá ser aberto algum leito no Hospital Regional de Santa Maria?” A resposta dela, textualmente, foi essa: “Não seria oportuno, ético e responsável dizer uma data da licitação (dos equipamentos) e a data da abertura do hospital”, respondeu Arita. Mais adiante, na continuidade da resposta, a gestora acrescentou: “Até o final do ano, não tem como abrir o hospital, porque ainda não há equipamentos, que é o pré-requisito (para abertura dos leitos).”

Tão grave quanto a falta de prazos para inaugurar, de fato, um hospital que está há quase três anos imponentemente erguido na Região Oeste da Santa Maria – e desde lá consumindo recursos públicos com segurança e limpeza -, são os fatos, também confirmados pela secretária, de que não há previsão de instalação dos equipamentos no Regional, porque não há previsão da realização de licitação. E não há previsão de se licitar os equipamentos, porque sequer chegou na conta do Estado os R$ 50 milhões do Ministério da Saúde destinados a essa finalidade. Lembro que o repasse desse recurso foi anunciado com vigor pelo Palácio Piratini no último mês de maio, três meses atrás.

Pelo andar da “carruagem”, é de se imaginar que novos encaminhamentos sobre o Regional e talvez o anúncio de abertura de algum leito por lá só deverão ocorrer em 2020, coincidentemente um ano eleitoral. Em 2016, na véspera do segundo turno das eleições municipais, um secretário de Estado apareceu agilmente em um programa eleitoral de televisão de um dos candidatos e também em emissoras de rádio locais para anunciar que o complexo de saúde seria gerido pelo famoso grupo Sírio-Libanês e que a abertura de leitos era apenas questão de meses. Nada disso aconteceu, como se sabe. Fato similar ocorreu em 2018, outro ano eleitoral. No ano passado, um dia antes do fim do prazo legal permitido a candidatos participarem de inaugurações de obras públicas, o então governador José Ivo Sartori “baixou” em Santa Maria e organizou uma solenidade de “inauguração” do Hospital, mesmo que os serviços oferecidos à população, na real, fossem limitados a atendimentos ambulatoriais, situação que permanece até os dias atuais.

Esses exemplos do passado recente devem ser lembrados para não serem repetidos. A comunidade está farta de factoides, pirotecnias e anúncios que só servem para preencher capas de jornais. O tema da saúde pública, pela importância social que contêm, não pode estar vinculado a processos eleitorais.

Também reitero o que já publiquei em um artigo sobre esse mesmo tema: o governador Eduardo Leite tem de, urgentemente, demonstrar que a sua gestão tem o Hospital Regional como prioridade. Sugiro, portanto, que ele venha até Santa Maria e, pela primeira vez depois de empossado no cargo de chefe do Executivo estadual, pise dentro desse complexo de saúde. Nada melhor do que estar dentro desse ambiente para observar e se indignar com a quase total ociosidade de uma imensa estrutura projetada e concebida para salvar vidas. Aliás, o desperdício de recursos públicos e de saúde pública gerado por um hospital gigante que funciona de forma capenga não é pequeno. Tenho certeza de que, se o governador conceder ao Regional apenas 1% da atenção que dedica ao tema das privatizações, esse complexo vai abrir as portas para cirurgias e internações de uma forma muito mais célere do que se encaminha.

Como deputado da região que sou, seguirei na luta cobrando a abertura integral e 100% pelo SUS do Regional. Todas as semanas, como faço desde quando a obra do hospital ficou pronta, em setembro de 2016, vou utilizar o microfone da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa para lembrar que Santa Maria e a Região Central seguem dotadas de um dos maiores hospitais sem leitos já inaugurado no Brasil.

(*) VALDECI OLIVEIRA, que escreve sempre à sextas-feiras, é deputado estadual pelo PT e foi vereador, deputado federal e prefeito de Santa Maria

OBSERVAÇÃO DO EDITOR: a foto que ilustra este artigo é de Luiz Chaves/Palácio Piratini/Arquivo.



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