ARTIGO. Jorge Pozzobom apela à cidadania, para que o lixo reciclável seja mesmo depositado nos “laranjas”

ARTIGO. Jorge Pozzobom apela à cidadania, para que o lixo reciclável seja mesmo depositado nos “laranjas”

Recicle no Laranja: consciência ambiental e uma nova cultura se fazem urgentes

Por JORGE POZZOBOM (*)

ARTIGO. Jorge Pozzobom apela à cidadania, para que o lixo reciclável seja mesmo depositado nos “laranjas” - pozzobom-artigo-3Desde que assumi a Prefeitura, em 2017, fui devidamente cobrado, dentre tantas demandas que se faziam urgentes no Município, sobre a implantação da coleta seletiva em Santa Maria. Cobrança justa, pertinente. Afinal, se não cuidarmos, com responsabilidade, da destinação dos resíduos que produzimos, num futuro não muito distante, o problema do descarte de lixo será uma equação de difícil resolução. Pois já vem sendo assim.

Com parcos recursos e algumas demandas elencadas como prioridade, como as que permeiam as áreas da Saúde e da Educação, minha equipe e eu não encontramos, num primeiro momento, uma alternativa para colocar em prática na cidade a tão almejada coleta seletiva. Não de uma forma que não onerasse os cofres públicos.

Mas não desisti desse propósito. Tanto que, há poucos dias, nosso Governo conseguiu, enfim, dar início a uma iniciativa que é um passo importantíssimo rumo à implantação propriamente dita da coleta seletiva em Santa Maria. Com o Recicle no Laranja, campanha capitaneada pela Secretaria de Município de Meio Ambiente, a cidade passou a contar com 50 ecopontos para descarte de resíduos recicláveis. Foram disponibilizados 50 contêineres na cor laranja, iguais aos contêineres na cor cinza que já são conhecidos dos santa-marienses, porém, destinados a receber apenas materiais que podem ser reaproveitados, como papel, papelão, vidro e outros recicláveis.

Esses contêineres de cor laranja estão distribuídos estrategicamente pela cidade e são sinônimo de uma sementinha de boas ações que estamos plantando em nome de uma Santa Maria mais sustentável. Apesar da louvável iniciativa, que não gerou custos que onerassem o Município, também fui criticado por muitos que disseram: “Só 50 contêineres? Mas isso é muito pouco para uma cidade do tamanho de Santa Maria.”

Essas críticas não me entristecem, pois sei exatamente a energia dispensada e o trabalho empenhado por todos os envolvidos nessa campanha. Como disse anteriormente, é o primeiro passo rumo a termos uma cidade mais sustentável e que destina, com responsabilidade, os seus resíduos. Essas críticas soam como combustível para trabalharmos ainda mais em busca desse propósito.

Mas, vocês sabem o que realmente me deixa triste? Ou melhor, indignado? É saber que os mesmos que lançaram críticas tão logo esta Administração tirou do papel uma ideia tão bacana como essa, a do Recicle no Laranja, também não estão fazendo a sua parte. Sei que não podemos generalizar, porém, já tive uma mostra bem significativa – e que me deixou muito triste e indignado – do que não fazer em relação aos contêineres laranjas.

Fiz um post em minha rede social, no último domingo, contando e mostrando o que vi em um contêiner laranja. Uma cena que, confesso, me causou certa revolta: o contêiner destinado a receber resíduos recicláveis já estava quebrado, objeto de vandalismo, com material inapropriado e ainda muito lixo ao seu redor, jogado no chão.

Não bastasse essa cena, a qual reproduzo novamente aqui, junto a este texto, na primeira coleta do material depositado nos 50 contêineres de cor laranja espalhados por pontos de Santa Maria, que reuniu cerca de 2,5 toneladas de resíduos, nada pôde ser aproveitado para a reciclagem. Nada.

Isso porque os contêineres destinados a esse fim até receberam resíduos como papel, vidro e outros recicláveis, no entanto, eles estavam em meio a restos de alimentos, pelos de tosa de animais, baterias e até óleo. Ou seja, tudo o que não pode ser descartado nesses contêineres do Recicle no Laranja. Esses resíduos contaminaram o material reciclável, que acabou se perdendo, sem ter valor comercial para quem vive dessa prática.

Mesmo com dificuldades, o Poder Público está, sim, fazendo a sua parte. Agora, peço que você, cidadão santa-mariense (de nascimento ou de coração), faça também a sua. Cuide da sua cidade, ajude a fazer de Santa Maria um lugar melhor, mais sustentável. Meu Governo cobrará, mediante fiscalização intensa, que se faça o que é certo. Inclusive, autuou um estabelecimento comercial nesta segunda-feira, que fez o descarte irregular de terra, areia e óleo em um contêiner laranja. Após denúncia, foi constatada a irregularidade.

Porém, não gostaria que esse fosse o caminho. Que a gente, enquanto cidadãos, aprendesse pela dor. Quero, e muito, que possamos aprender pelo amor, pelos bons exemplos. Pelo amor que temos por nossa cidade, pelo meio ambiente e pelas pessoas que amamos.

É preciso que cada um de nós tenha consciência e faça a sua parte. Os contêineres laranjas são somente para o lixo reciclável! Para o caso de dúvidas, acesse o link http://www.santamaria.rs.gov.br/reciclenolaranja/. Vamos cuidar da nossa casa. Santa Maria é de todos nós!

(*) JORGE POZZOBOM é o Prefeito Municipal de Santa Maria. Sua trajetória como agente político começou com dois mandatos de vereador, tendo depois se alçado, pelo voto popular, à Assembleia Legislativa. Em meio ao segundo período, em 2016, foi eleito para conduzir o Executivo santa-mariense. Ele escreve no site às terças-feiras.

OBSERVAÇÃO DO SITE: A  foto que ilustra este artigo é da Prefeitura Municipal/Divulgação



1 comentário

  1. O Brando

    Implantação gradual era de se esperar, existiu reclamação porque não importa o que é feito, sempre aparece alguém para reclamar. São minoria, grande parte é aquele pessoalzinho da oposição que critica ou tenta minimizar toda ação correta da situação.
    Má utilização dos containers num primeiro momento era de se esperar. Foto mostra um dos containers, diz nada sobre os outros 49. Alás, em retrospectiva todo mundo é um gênio. Teria sido melhor colocar ‘estrategicamente’ os receptáculos de lixo reciclável em lugares de população mais esclarecida, não resolveria o problema mas minimizaria. A informação teria tempo de percolar a população. Centro, Dores, parte do Nossa Senhora de Lurdes. etc.
    ‘ Sei que não podemos generalizar’ depois da acusação ‘saber que os mesmos que lançaram críticas’ é uma contradição. Sem base, diga-se de passagem. Alás, população da cidade ‘cultura’, da ‘cosmopolita’ Santa Maria é porca, relaxada, nenhuma novidade. Não é a toa que a urb está sempre suja, não é a toa que jogam quinquilharias nas sangas. Alás, isto é um problema cultural, o problema do esgoto despejado em natura nos córregos da cidade não é, é falta de fiscalização.

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