ARTIGO. Débora Dias e os muitos golpes que, sim, proliferam nesses dias de coronavírus e quarentena

ARTIGO. Débora Dias e os muitos golpes que, sim, proliferam nesses dias de coronavírus e quarentena

ARTIGO. Débora Dias e os muitos golpes que, sim, proliferam nesses dias de coronavírus e quarentena - débora-artigoOs golpes em tempo de pandemia

Por DÉBORA DIAS (*)

Os criminosos, os sem caráter, enfim, aqueles que vivem do crime, não entram em férias nem quarentena e, assim, a mente dos que vivem da desgraça alheia está sempre funcionando para o mal, obviamente. E, continuamente buscando uma nova oportunidade de levar vantagem. Infelizmente, em épocas de COVID-19 não é diferente.

Refletindo sobre esse momento singular que não tem data predeterminada para findar, há que se ter muito cuidado com os estelionatários, vulgo golpistas, que estão se travestindo de tudo, profissionais da saúde, prestadores de serviços, além dos golpes virtuais que aumentaram muito em razão da pandemia.  Dessa forma, todo cuidado é pouco.  Não se pode deixar pessoas estranhas, não identificadas, entrarem em suas casas. Aliás, nessa época de isolamento, todo contato não urgente e necessário é dispensável.  Prestadores de serviço, de reparos, consertos, etc, devem ser os que previamente se conheça ou tenha indicação, e, para não esquecer, com máscara.

Principalmente em relação às vítimas idosas, não se pode esquecer que funcionários de bancos não vão até sua casa; assim, não acredite que um deles irá até sua casa de maneira tão solícita para atendimento “home care services”. Nesse mesmo sentido, em atendimento telefônico, nunca em hipótese alguma devem ser fornecidos dados pessoais, conta de banco e muito menos senha; não confirme nenhum dado, mesmo que a pessoa tente induzir a confirmação. Desligue o telefone.

Por outro lado, no que se refere a informações ou notícias do coronavírus, o principal tem sido os golpes através do aplicativo do WhatsApp, por onde são enviados links que solicitam dados pessoais da vítima, principalmente no que se refere ao preenchimento para receber a verba federal de R$ 600,00 para autônomos. São páginas fraudulentas sobre o “corona voucher”. O laboratório de segurança digital Psafe declarou que quase cinco milhões de brasileiros já acessaram páginas fraudulentas.

Há um número grande de registros de ocorrências envolvendo grupos de vendas pela página da rede social Facebook, o qual tem aumentado também nesse período. Em um dos golpes, os estelionatários verificam algum bem que esteja à venda, mantêm contato com o vendedor/vítima, acertam o valor, um terceiro vai até o local pegar o bem e envia um “comprovante” de depósito realizado com o valor, através de mensagem, sendo que o “comprovante” não é verdadeiro. É uma simulação de depósito, que pode ser realizada através de caixa eletrônico, com envelope sem o valor, mas se tem o comprovante e esse é enviado, ou de outras maneiras, mas enfim o golpe foi dado.

A criatividade humana para ardilosamente enganar o outro e obter vantagem é imensa. E mesmo diante de uma crise como a qual estamos vivendo, há alguém que sempre vai achar um jeito de obter vantagem em prejuízo de outrem. Todavia, ainda bem que com essa nossa situação peculiar, de crise mesmo, de mudança de valores e de se valorizar as pequenas coisas, antes passadas pela rapidez da rotina despercebidas, como  respirar o ar puro e ver o vento nas folhas verdes das árvores, há muita gente boa nesse mundo, muito mesmo e vejo a solidariedade de grupos, da sociedade civil, de pessoas individualmente consideradas, brotando, muito mais que a maldade e isso é muito bom.  Afinal, “não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu; é sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu”. (Ana Vilela)

(*) Débora Dias é a Delegada da Delegacia de Proteção ao Idoso e Combate à Intolerância (DPICoi), após ter ocupado a Diretoria de Relações Institucionais, junto à Chefia de Polícia do RS. Antes, durante 18 anos, foi titular da DP da Mulher em Santa Maria. É formada em Direito pela Universidade de Passo Fundo, especialista em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes, Ciências Criminais e Segurança Pública e Direitos Humanos e mestranda e doutoranda pela Antônoma de Lisboa (UAL), em Portugal.

Observação do editor: A imagem que ilustra este artigo é uma Reprodução de internet.



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