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ARTIGO. Débora Dias, a mulher e relacionamentos abusivos. Nunca esqueça: nada tem a ver com amor!

Não é amor, é abuso!

Por DÉBORA DIAS (*)

As relações abusivas começam sutilmente, de forma perspicaz, sedutora e é devido a esse início que é tão difícil às pessoas darem-se por conta que estão em um relacionamento abusivo. Tanto homens como mulheres podem ser vítimas de relações abusivas, entretanto as mulheres são a maioria delas. Mas como identificar um relacionamento abusivo? Como sair de um relacionamento abusivo?

Como dito acima, os relacionamentos abusivos, tóxicos, que fazem mal, podem ter como vítimas homens e mulheres, mas as mulheres são a maioria.  O relacionamento abusivo atinge a autoestima da mulher, sua segurança, seu amor próprio e, por vezes, é muito complexo identificá-lo quando se está inserida nesse contexto de violência. Mas não é impossível. Todo relacionamento abusivo deverá ter pelo menos uma dessas forma de abuso: psicológico, físico, sexual, patrimonial ou tecnológico.

O abuso psicológico, diria, está inserido em todos os demais, como se fosse uma grande concha. É aquele que destrói a autoestima da mulher, a deixa enredada e tantas vezes sem saber como sair. São demonstrações que estão tingidas “de amor”, mas não são amor. É o ciúme obsessivo que leva a controlar, com atitudes como: que roupa vestir, como cortar o cabelo, amizades, tipo de trabalho, local que deverá ou não trabalhar, com quem conversar, etc.

O abusador isola a mulher de sua família, de suas amizades, afinal somente “ele é bom o suficiente para ela e a ama incondicionalmente apesar de tudo”. Aqui entra o cerne da questão, o abusador incute à mulher que ela é culpada por muitas coisas ruins do relacionamento, mas mesmo assim ele a ama e nunca ninguém iria amá-la assim.

O abusador controla seu dinheiro, seus gastos, ele decide com o que ela deve gastar seu próprio dinheiro. Ele exerce controle também dentro da tecnologia, sua senha nas redes sociais, suas ligações, seus contatos, quer saber o tempo todo o que ela está fazendo quando não está perto dele. Isso não é amor.

Ele a força a manter relações sexuais, não respeita sua liberdade sexual (isso não é amor, isso é estupro). Ele a agride fisicamente, e essa é uma das facetas dos relacionamentos abusivos, que pode levar ao feminicídio. O feminicídio, de regra, ocorre porque a mulher disse um não, ousou dizer um não, o seu último não a alguém que não admite ser contrariado porque afinal ele domina.

O abusador atinge a alma da vítima. Quando ele a faz sentir-se culpada por sua própria agressividade, quando ele duvida do que ela diz, põe em dúvida sua sanidade mental, duvida do que ela relata, distorce e manipula.

Como o relacionamento abusivo não se concretiza em um primeiro encontro, ele vai sendo construído, e por isso a grande dificuldade da mulher em saber se está em um relacionamento tóxico ou é amor. Mas com certeza, quem ama não controla, não desmerece, não ridiculariza, não põe em dúvida, não mente, não chantageia, não humilha, não destrói bens pessoais (roupas, celulares), não agride, não ameaça, não mata!!

A preocupação com mulheres que estão em um relacionamento abusivo e não se dão conta é grande, e somente com ajuda elas podem sair, somente com a intervenção de terceiros, de amigos, de familiares. Não a deixe sozinha, converse, ouça, esteja ao seu lado; essa é a atitude mais importante para um primeiro passo rumo ao rompimento de um relacionamento abusivo.

Não falei que todas essas condutas praticadas em relacionamentos abusivos podem ser tipificadas como crimes, obviamente. O abusador pode e deve responder criminalmente por suas ações criminosas, entretanto, o essencial é que não somente a justiça criminal seja acionada (Polícia, Ministério Público, Poder Judiciário), mas toda sociedade.

Principalmente você, que está vivendo um relacionamento abusivo ou conhece alguém que está vivendo, não esqueça jamais: NÃO É AMOR, É ABUSO!!!

(*) Débora Dias é a Delegada da Delegacia de Proteção ao Idoso e Combate à Intolerância (DPICoi), após ter ocupado a Diretoria de Relações Institucionais, junto à Chefia de Polícia do RS. Antes, durante 18 anos, foi titular da DP da Mulher em Santa Maria. É formada em Direito pela Universidade de Passo Fundo, especialista em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes, Ciências Criminais e Segurança Pública e Direitos Humanos e mestranda e doutoranda pela Antônoma de Lisboa (UAL), em Portugal.

Observação do editor: A foto (sem autoria determinada) que ilustra este artigo, é uma Reprodução da internet. Ela foi extraída deste site: AQUI.

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