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ARTIGO. Michael Almeida Di Giacomo, pandemia e como ela, a cada dia mais, atinge a população negra

Covid-19 e a vulnerabilidade da população negra

Por MICHAEL ALMEIDA DI GIACOMO (*)

Os Estados Unidos da América são, até o momento, o país com maior número de contaminados pelo vírus Covid-19, e apresenta o maior número de óbitos. Logo atrás, mas, não muito distante, vem o Brasil.

O emblemático nesse dado é o fato de que os governantes desses países, no início da pandemia, trataram com enorme descaso os efeitos nocivos da crise sanitária. No que se refere ao Brasil, a atual condição revela a incompetência e a irresponsabilidade do governo federal ao se omitir da necessária prevenção à saúde das pessoas.

Cabe lembrar que o “líder” brasuca ainda segue no seu périplo de negligência com os brasileiros e restou por colocar o Ministério da Saúde como coadjuvante nos procedimentos de combate à disseminação e prevenção à Covid-19. Assim, cada vez mais, as pessoas dependem do bom senso e da capacidade de gestão dos líderes regionais e locais para ultrapassar esse triste período que a história nos apresenta.

O vírus, que “chegou” de avião no Brasil, inicialmente, teve forte disseminação em meio às pessoas de classe média/alta. Ou seja, um segmento social de maioria formada por pessoas brancas e com melhores condições de usufruir do sistema de saúde.

Agora, no encrudescer da pandemia, o vírus revela ter uma maior letalidade sobre a população mais vulnerável. O alerta a respeito foi feito pela Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, logo no início de junho, que apontou, como países a evidenciar esse fato, o Brasil, os Estados Unidos, a França e o Reino Unido.

O tema, no início de julho, também foi pauta no jornal New York Times, ao debater o levantamento realizado pelo Centro de Controle e Prevenção a Doenças dos Estados Unidos, com dados esclarecedores sobre o público contaminado pelo Covid-19.

Na reportagem é possível constatar que, de forma generalizada, o maior número de pessoas afetadas naquele país é composto por negros e latinos. Como exemplo, em relação às pessoas brancas, os negros e os latinos têm três vezes mais possibilidades de se contaminar e duas vezes mais de ir a óbito.

Um dos fatores a contribuir para esse contexto é justamente a grande disparidade social e econômica. Sim, na América do Norte também há pessoas que vivem na base da pirâmide. E essa situação expõe, principalmente, aqueles que não tem condições de trabalhar de casa, pois, em grande maioria, trabalham em profissões consideradas essenciais, dependem de transporte público e moram em residências com pouco espaço, o que dificulta no isolamento das pessoas que venham a ser contaminadas.

No Brasil, os números de infectados e de óbitos, na relação pessoa negra/branca, não é muito diferente. A diferença consiste, basicamente, no maior número de pessoas que se declaram negras ou pardas no país, consideravelmente maior do que na nação do Norte.

O impacto social, de forma sucinta, é visto na vulnerabilidade dessa população que encontra dificuldades de acesso a tratamentos de saúde, ainda, no fato de viverem em regiões sem saneamento básico e, obviamente, por não terem condições de ficar em isolamento social durante esse período pandêmico.

Outros componentes a serem considerados são as comorbidades que os atinge em maior número, como hipertensão, tuberculose, diabetes, doenças reais crônicas e câncer, e são razões agravantes a compor os grupos de risco da Covid-19.

Sendo essa a população que majoritariamente depende de forma única do Sistema Único de Saúde, a fim de tratar suas enfermidades, chega a ser um tanto óbvio, mas, nunca desmedido dizer, que o investimento na estrutura de atendimento do SUS é ponto fundamental para o bem-estar da população brasileira.

É possível constatar que a pandemia tem exposto, aos olhos até de quem nunca quis enxergar, a grande desigualdade social que existe em nosso país. Resta saber se, na nova realidade que nos aguarda, os governantes brasileiros irão dar mais importância para a construção de estádios de futebol padrão Fifa ou irão colocar esforços em promover políticas públicas de inclusão social, fundamentais na promoção do respeito à dignidade de todos nós.

No meu ponto de vista, essa decisão não deveria ser tratada como um dilema, mas, sim, como uma política prioritária de todo governante.

(*) Michael Almeida Di Giacomo é advogado, especialista em Direito Constitucional e Mestre em Direito na Fundação Escola Superior do Ministério Público. O autor também está no twitter: @giacomo15.

Observação do editor: A imagem que ilustra este artigo é uma reprodução (sem autoria determinada) da internet. Foi retirada deste site: AQUI.

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Um Comentário

  1. Lorotas políticas não são para perder tempo.
    Em 20 de maio morriam 50 afrodescendentes por 100 mil habitantes nos EUA (fonte The Guardian). Em 14 de julho morriam 7,5 por 100 mil na África do Sul (BBC, país é 76% negro e 9% pardo). Um dos países mais desiguais do mundo.
    É fato bem conhecido lá fora, a BBC (programa Horizon, Covid segundo episódio) menciona o mistério mas os cientistas não sabem a razão. Desconfiam do déficit de vitamina D.
    Por isto vermelhinhos não causam preocupação, na tentativa de ‘encaixar’ a ideologia brigam com os fatos.

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