COVID-19. Médicos relatam que população entendeu de forma equivocada a indicação para “ficar em casa”

COVID-19. Médicos relatam que população entendeu de forma equivocada a indicação para “ficar em casa”

COVID-19. Médicos relatam que população entendeu de forma equivocada a indicação para “ficar em casa” - d642bd57-maiquel-controle

Programa Controle Geral, da Rádio Imembuí, foi transmitido ao vivo do Hospital de Caridade Dr Astrogildo de Azevedo, nesta quarta-feira

Por MAIQUEL ROSAURO (com foto de Fabrício Minussi/Divulgação), da Equipe do Site

Desde o início de março você escuta recomendações sobre ficar em casa, lavar bem as mãos, utilizar máscaras e evitar aglomerações. E em todos os meios de comunicação, inclusive neste Site, é bombardeado com dados sobre o número absoluto de mortes e pessoas contaminadas em Santa Maria. Todas estas informações, de alguma forma, foram úteis para ajudar a preservar sua saúde contra a covid-19 e a mantê-lo diariamente informado sobre a pandemia. Porém, as outras doenças acabaram ficando de fora desta equação e agora a conta chega para quem atua na linha de frente do sistema de saúde.

Em entrevista concedida ao repórter Fabricio Minussi, da Rádio Imembuí, profissionais de saúde do Hospital do Caridade relataram que as pessoas entenderam de forma equivocada a campanha para não sair de casa.

“Quando a gente diz ‘fique em casa’ é para ficar em casa para não fazer junção festiva, se preserve nesse sentido, mas em hipótese alguma fique em casa doente. Uma das coisas que as pessoas fizeram uma leitura equivocada é que elas tinham que ficar em casa e não procurar seu médico e o serviço de saúde quando tinham problemas. Não! Tem que se preservar no sentido de não ir todos os dias ao supermercado ou ao Centro. Isso não é essencial”, explica a infectologista Jane Costa.

A médica ainda ressalta que as pessoas têm que continuar fazendo seus exames de controle e realizando as consultas médicas, principalmente, em casos de pacientes com diabetes, câncer, HIV e problemas cardíacos.

“As pessoas estão chegando muito graves de suas doenças, indo direto para UTI e falecendo de suas doenças. A mãe de um menino que atendi com diabetes do tipo 1, o menino chegou gravíssimo e perguntei a mãe por que não trouxe (antes)? E ela disse ‘porque disseram para ficar em casa’. Mas não doente!” relata.

A infectologista aponta que a maioria dos pacientes, do Hospital da Caridade, que tiveram o registro de óbito por covid-19, na verdade, morreram com o vírus e não devido ao novo coronavírus. Ela cita como exemplo um paciente que chegou à unidade com tumor de rim e teve sangramento na metástase que possuía no cérebro.

“No exame mostrou que ele tinha covid, nós não podemos omitir o covid, mas ele não morreu do covid. Ele morreu da complicação de sua doença neoplásica, mas a conta está caindo na covid. Precisamos adequar nossas equipes, não podemos deixar de colocar covid, mas a ordem é que tudo está sendo muito novo e a curva do aprendizado será corrigida. Vamos adequar quem morreu de fato de câncer, de doença cardíaca e coronavírus”, explica a médica.

Em seguida, o diretor técnico do Caridade, Luiz Gustavo Thomé, reafirmou a necessidade dos pacientes manterem suas consultas regulares. Confira na íntegra a entrevista conduzida pelo repórter Fabricio Minussi:

As entrevistas ocorreram logo após a realização do programa Controle Geral, que foi transmitido ao vivo da sala da direção do Hospital de Caridade. O debate ocorreu com distanciamento adequado entre os participantes e todos utilizavam máscaras.

Na próxima quarta-feira (8), o programa da Rádio Imembuí será transmitido ao vivo do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM).



3 comentários

  1. O Brando

    Tirando da reta. Mensagem era ‘fique em casa’ e em alguns lugares a presença de alguém com mais idade já era motivo de stress por parte dos atendentes. Se a mensagem fosse ‘fique em casa mas quem tem problemas continue com o acompanhamento’ o comportamento seria outro.
    Alás, pessoas gostam de ‘negociar’ consigo mesmas. O infarto é muitas vezes ‘só um mal estar’ por exemplo. O estoque para depois da vacina não vai ser pequeno.
    Há também o problema do dimdim, sem consulta não entra e os docs também precisam ganhar a vida.

  2. Lenir Silveirs

    PARABÉNS ao meu querido amigo e competente comunicador Vicente Bisogno pela importante entrevista.É necessârio trazer informações concretas e pontuais de dentro do HCAA(SANTA MARIA).

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