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ELEIÇÕES 2020. O liberal e a comunista. Conheça o mais idoso e a mais jovem candidata de Sta Maria

Luiz Carlos Druzian busca seu sexto mandato na Câmara, Lays Jost o primeiro

Por Maiquel Rosauro

Ele é liberal. Ela é comunista. Na foto da urna, ele usa camisa polo. Ela, uma camiseta preta com a frase Fight like a girl (lute como uma garota, em inglês). Ele nasceu logo após o Natal de 1940. Ela é a primeira candidata da história de Santa Maria nascida no século XXI. Seis décadas separam Luiz Carlos Druzian (PL), 79 anos, e Lays Jost (PCdoB), 19, o candidato mais idoso e a mais jovem deste pleito.

Druzian e Lays possuem ideologias e objetivos bem definidos. Ele quer ser vereador para “resgatar alguns valores esquecidos como o bem comum, a dignidade, a ética”. Ela quer atuar no Legislativo para “trilhar um novo caminho para Santa Maria, um caminho livre do preconceito, da violência e do ódio”.

São duas gerações bem diferentes, mas com pontos em comuns em uma cidade que transpira conhecimento. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) está na base de formação de ambos e tanto Druzian quanto Lays entendem que algumas regalias dos vereadores precisam ser revistas. Além disso, a sua maneira, eles entendem que a experiência e a juventude apontam o futuro do município.

Druzian nasceu em 27 de dezembro de 1940. Foto TSE / Divulgação

“Eu comecei na década de 60, na juventude do Partido Libertador”
Druzian ingressou no Partido Liberal (PL) no primeiro semestre deste ano, com o intuito de concorrer ao Legislativo. A escolha pela sigla é cercada pelo saudosismo, pois remete ao liberalismo que o instigou a ingressar na vida pública.

“Na política, eu comecei na década de 60, na juventude do Partido Libertador, que tinha figuras ilustres como Solano Borges e Raul Pilla. Em Santa Maria, tínhamos o Gregório Coelho, Armando Valandro, Pedro Fernandes da Silveira. Me inspirei neles para seguir na política”, afirma Druzian.

Ele já foi filiado ao Arena, PDS, PFL e, por um curtíssimo espaço de tempo, no PDT. Mas com uma ressalva!

“Considero, este último, um equívoco no meu currículo partidário. Nunca fui de esquerda”, assegura Druzian.

Lays nasceu em 10 de setembro de 2001. Foto TSE / Divulgação

“O PCdoB é indispensável na linha de resistência”
Lays ainda era adolescente quando se filiou ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), após o primeiro turno das eleições de 2018, então com 17 anos. Seu ingresso na sigla deve-se à avalanche de sentimentos que tomou conta do país no início daquele segundo turno, com Jair Bolsonaro (então no PSL) e Fernando Haddad (PT) concorrendo à Presidência da República.

“Ver o crescimento dos discursos de ódio, intolerância e conservadorismo personificados na figura de Bolsonaro me assustavam muito. Ao mesmo tempo crescia em mim o sentimento de que precisava fazer alguma coisa, de que não podia ficar de braços cruzados”, relata Lays.

Ela afirma não ter pensando em se filiar em outra legenda a não ser o PCdoB. Ao ingressar na agremiação, em primeiro lugar, encontrou um espaço de acolhimento, onde sentiu-se ouvida e respeitada.

“É no Partido Comunista do Brasil que eu, mulher, jovem, lésbica, estudante, tenho vez e tenho voz. Em segundo lugar, minha filiação também veio do entendimento da necessidade e importância de se organizar politicamente. O PCdoB é indispensável na linha de resistência, é uma ferramenta de luta que além de quadros, se preocupa em formar e politizar as massas!”, explica Lays.

Cinco mandatos na Câmara, um no Executivo
O ingresso na política, na década de 60, ocorreu em paralelo com a formação em Ciências Políticas e Econômicas, na UFSM, curso o qual Druzian concluiu em 1969. Mas é na área da comunicação que ele é mais conhecido.

“Quando fui convidado pela minha grande amiga Zaira de Grandi para fazer parte da equipe esportiva da Rádio Santamariense, e depois para dirigir o programa diário “Tribuna Livre”, fiz o Curso de Radialista, exigência para desempenhar a função. Me qualifiquei para tal”, comenta Druzian.

Outra de suas paixões é o esporte, área em que ele mais se identifica e que defende como importante para a formação das pessoas. Ele já foi presidente dos dois clubes de futebol profissional da cidade, Riograndense e Internacional.

Druzian, em 1989, ano em que iniciou seu trabalho como vice-prefeito. Foto Arquivo Histórico Municipal/ Divulgação

A comunicação e o esporte, nunca impediram de deixar de lado sua atividade parlamentar. Aliás, o ingresso na política trouxe frutos. Ele foi vereador em cinco mandatos: entre 1973 e 1976; 1977 e 1982; 1983 e 1988; 1993 e 1996; e 1997 e 2000. Devido a sua dedicação, recebeu o título de Vereador Emérito, honraria que pouquíssimos santa-marienses possuem.

Entre 1989 e 1992, Druzian desempenhou a função mais importante de sua trajetória: foi vice-prefeito de Evandro Behr (PDS).

“Foi a melhor experiência que tive em minha trajetória política, pois me deu a oportunidade de atuar e conhecer de perto o Poder Executivo e de trabalhar com um prefeito honrado, ético, empreendedor, com visão de futuro. Sua equipe de secretários era altamente qualificada. A melhor que conheci até hoje. O vice nunca foi uma figura decorativa, foi sempre chamado em todos os momentos de decisões”.

Duas graduações e atuação no movimento estudantil
Ao mesmo tempo que dá seus primeiros passos na política partidária, Lays busca conciliar sua formação acadêmica. Ela cursa Psicologia na UFSM e Serviço Social na Uninter. Ela está no 4º semestre de ambos.

“A Psicologia é em turno integral, por isso faço o Serviço Social na modalidade EAD (Ensino à Distância). Além disso, sou educadora de espanhol nos dois cursinhos populares da cidade”, afirma Lays.

Quando ainda estava no Ensino Fundamental, ele foi líder de turma diversas vezes e, na 5ª série, passou a fazer parte do Grêmio Estudantil. Dois anos depois, ingressou na vice-presidência da entidade.

Lays se destaca pela atuação no movimento estudantil, ao mesmo tempo em que concilia suas graduações. Foto Arquivo Pessoal

Em setembro de 2018, ela se filiou à União da Juventude Socialista (UJS), uma das maiores juventudes organizadas da América Latina e uma grande escola de formação política.

“Quando ingressei na UFSM, em 2019, reconstruímos o Diretório Acadêmico da Psicologia (DAPSI-UFSM) e hoje faço parte da Coordenação de Projetos da entidade. No mesmo ano, assumi o cargo de Vice-Presidente da Região Centro da União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Sul (UEE Dr. Juca)”, relata.

E o currículo ainda sofreu uma nova atualização este ano. Em julho, Lays foi eleita presidente municipal da União da Juventude Socialista (UJS Santa Maria). Ela também integra a Direção Estadual da UJS/RS e é coordenadora estadual da Frente da Saúde. Além disso, faz parte da Direção Executiva do PCdoB/SM.

Experiência
Druzian considera limitada a função do vereador, sobretudo, quando se considera seu papel no desenvolvimento da cidade. Porém, entende que sua experiência pode contribuir para o futuro do município.

“Conheço a Lei Orgânica do Município, conheço o Regimento Interno da Câmara e com o diálogo, o espírito aglutinador que os anos e a experiência me proporcionam, haverei de contribuir, junto com as jovens lideranças para uma Santa Maria melhor”, afirma.

Caso eleito, Druzian assume o compromisso de trabalhar para diminuir a estrutura do Legislativo, incluindo cotas de telefone, combustível e selos para correspondência. Ele considera que dois assessores sejam o ideal em cada gabinete parlamentar (hoje são cinco).

“Fui eleito pela primeira vez em 1972, e naquela época o mandato era gratuito, se fazia política unicamente por ideal. Tínhamos dois partidos: Arena e MDB. Arena com 12 vereadores, MDB com 9. Tinha apenas um assessor para cada partido. E dava conta, dava certo”.

Juventude
Lays considera as eleições deste ano como uma fagulha de esperança e transformação. Caso eleita, compreende que sua juventude, vivências e entendimento da sociedade agregarão ao Legislativo.

“Sem dúvidas, esses dias de campanha me proporcionaram um crescimento pessoal enorme e um grande amadurecimento político. Ser jovem em um nicho majoritariamente composto por quem discursa “experiência” e não te vê como capaz, não é fácil. Ser mulher e fazer campanha em um nicho essencialmente machista, também não é fácil. Apesar de tudo, cada dia me sinto mais preparada, com mais convicção do que eu acredito, que estou do lado certo, do lado do povo, e com mais força para seguir nessa luta!”, afirma.

Lays considera importante a remuneração dos vereadores e a função dos assessores, além da cota de combustível que possibilita o deslocamento dos edis. Ela entende que assumir uma cadeira no Parlamento significa atuar com uma grande responsabilidade que demanda tempo, espaço, ajuda e transparência.

“Sobre as cotas de telefone e selos para correspondência, entendo que vivemos em uma época em que as redes sociais e a tecnologia fazem parte da nossa rotina, portanto, acredito que com o devido planejamento podem substituir essas ferramentas que demandam gastos públicos”.

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