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Recordar é viver – por Bianca Zasso

A colunista e o “combo” que a faz adepta de revisões. E traz três boas dicas

Descobrir um filme é quase mágico. Aumentar o repertório de cenas favoritas, se surpreender pela primeira vez com um final ou mesmo rir baixinho de uma nova piada melhoram o dia. Mas o combo pandemia + maternidade fez com que essa que vos escreve ficasse adepta das revisões. Por amor ao cinema e à própria saúde mental.

Explico: com o tempo curto, as horinhas reservadas para alimentar a cinefilia precisam ser bem aproveitadas. Aquela loucura de se jogar numa produção obscura ou de fazer buscas sem fim por novos diretores toma um chá de camomila. Vamos com calma. Por aqui, optamos por revisões que, acreditem, ganharam cores de novidade.

Era uma vez na América, a maravilha dirigida por Sergio Leone lá em 1984, provocou lágrimas bem mais intensas que da primeira vez que esteve diante dos meus olhos. Pode ser a idade ou o momento delicado do mundo. Mas arrisco dizer que é a genialidade de Leone mostrando que envelheceu muito bem, obrigada.

Quando li sobre a partida de Richard Donner, nesta semana, lembrei que alguns dias antes voltei à infância assistindo trechos da versão dublada de Os Goonies na Sessão da Tarde. E confesso que olhei para o meu filho e pensei: ele vai gostar desses guris, por mais que o mundo que ele cresça seja diferente do meu. Crianças sinceras e aventureiras são eternas. 

Zapeando na madrugada insone, encontrei uma cena de Yojimbo, de Akira Kurosawa, em um programa sobre roteiros de um canal a cabo. Meu coração ainda dispara diante de Toshiro Mifune, não importa o tamanho da tela na qual ele apareça.

Claro que não sou de ferro e tive descobertas incríveis, como o divertido e inteligente Shiva Baby, de Emma Seligman, e O Funeral das Rosas, de Toshio Matsumoto, clássico queer dos anos 60 que eu há tempos queria assistir. Ambos entraram para minha lista de preferidos e, quem sabe, irão dar as caras nesta coluna que, para tristeza de alguns, não anda falando só de cinema nos últimos tempos.

Para os que reclamam que os filmes andam dividindo espaço com política, maternidade e outras dores, lamento informar: a matéria-prima da arte é a vida. E ambas sempre estarão juntas nestas linhas que me foram ofertadas com carinho pelo dono deste “sítio”. E não custa sugerir que, ao invés de reclamar, vá atrás de seu filme preferido e divirta-se.

P.S.: Shiva Baby, Era Uma Vez na América e Yojimbo estão disponíveis na plataforma Mubi. Os Goonies está disponível na plataforma Netflix

(*) Bianca Zasso, nascida em 1987, em Santa Maria, é jornalista e especialista em cinema pelo Centro Universitário Franciscano (UNIFRA). Cinéfila desde a infância, começou a atuar na pesquisa em 2009. Suas opiniões e críticas exclusivas estão disponíveis às quintas-feiras.

Observação do editoras fotos que ilustram este texto são de Divulgação.

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Um Comentário

  1. Aparentemente ser mãe é padecer no Cinema Paradiso. Não tem como ser mais infame.
    Os filmes envelhecem bem porque hoje em dia muita porcaria é produzida. Muita reciclagem é feita, as vezes funciona bem e as vezes é um serviço porco. Goonies virou Stranger Things (não assisti, passei da idade). Yojimbo virou Por um Punhado de Dolares que virou Mandalorian.
    Os outros dois são nicho. 99,99% das pessoas olha e pensa ‘critica elogia logo deve ser uma conferencia politica sobre alguma causa com duas horas de filme chato/mal feito com uma história ruim como pano de fundo’. Melhor gastar o tempo com filme de super-herói.

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