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No rim da mídia. Chegará o dia em que a reportagem mostrará que um ministro repetiu o prato

Não me canso de elogiar, aqui, o jornalista Carlos Brickmann. É pra lá de experiente, para começar. Trabalhou em tudo quanto é veículo da mídia grandona (e da que se acha). Inclusive em funções de comando. Hoje é consultor. E dos mais contratados, inclusive por grandes empresas. E escreve muitíssimo bem, com o discernimento daqueles que viveram e vivem o dia-a-dia das redações.

 

É titular da coluna “Circo da notícia”, publicada no site especializado Observatório da Imprensa. Nesta semana, ele fala de algo que dá engulhos: a preocupação da mídia grandona com o acessório, fazendo marola, e esquecendo o principal, que está diante dos olhos e, de fato, interessa à sociedade. Confira:

“…Pés-de-moleque

Claro que a discussão jamais começará se a imprensa estiver preocupada em verificar se algum ministro tomou um guaraná a mais num almoço pago com dinheiro público. Não, não ache que é exagero: outro dia estava no jornal uma ampla reportagem sobre gastos irregulares de um ministro, homem com fama de sério. Que será que houve? Houve que, em um ano, ele gastou algo como 900 reais do cartão corporativo em fins de semana. Ora, ele não é ministro só de segunda a sexta. Ninguém o imaginaria se recusando a ir a uma reunião de trabalho porque a hora da folga já chegou. O gasto é irrisório – não chega a R$ 40,00 por fim de semana. Daqui a pouco os meios de comunicação estarão utilizando sua força maior, a reportagem, para ver se algum ministro repetiu o prato. É excessivo.

E, enquanto discutimos cocada, tapioca, jantar que ultrapasse a meia-noite de sexta (e invada, portanto, o fim de semana onde é proibido gastar), os problemas sérios de acumulam. A reforma tributária, por onde anda? E a concessão de meios aos órgãos de fiscalização, para que combatam o desmatamento amazônico? A propaganda maciça de bebidas alcoólicas em todos os horários deve continuar? E o subsídio ao cigarro, para barateá-lo artificialmente?

Não é questão de tomar uma posição ou outra, mas de debater os problemas do país. Pode-se permitir que os impostos indiretos tornem mais pesada a tributação do pobre do que a do rico? Pode-se permitir que crianças sejam induzidas a beber compulsivamente, porque esta é a chave do sucesso? Mas estes problemas têm de ser trazidos ao debate pela imprensa. Ou então vamos continuar esperando, como até hoje, que a pauta da imprensa seja determinada pelo governo…”

SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a íntegra da coluna “Circo da Notícia”, assinada por Carlos Brickmann, no Observatório da Imprensa. Tem muito mais do que você leu nesses três parágrafos, pode acreditar. Inclusive temas, digamos, nem tão sérios.

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