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KISS. “Essa não é a boate que eu tinha”, diz Kiko, ex-proprietário, em vídeo produzido por sua defesa

A ideia dos defensores é “humanizar" Elissandro Spohr - um dos quatro réus

Jader Marques (D) conduziu o ex-dono da boate, Elissandro Spohr, em uma viagem de carro entre a capital e SM (foto Reprodução)

Por Maiquel Rosauro

Elissandro Spohr, o Kiko, ex-proprietário da casa noturna que incendiou em 2013, é o protagonista do documentário “Kiko da Boate Kiss”, lançado nesta segunda-feira (8) no canal do YouTube Escola de Criminalistas. O vídeo, de 35 minutos, mostra um diálogo entre Kiko e seu advogado, Jader Marques, durante viagem de carro entre Porto Alegre e Santa Maria.

O documentário tem um tom emotivo e a conversa no carro é intercalada por depoimentos de parentes e amigos de Kiko. Destaque para o final do vídeo, quando a dupla transita pela Rua dos Andradas, passando em frente ao que sobrou da boate.

“Só prefiro que tu toque (sic) reto, aqui”, disse Kiko no banco do carona, após o carro sair da Rua André Marques.

“Não quer parar aqui?”, questiona o advogado ao volante.

“Não. Prefiro ter a lembrança dela como era antes. Essa não é a boate que… Não é essa a boate que eu tinha”.

“Tu não quer (sic) que eu pare aqui?”, repete Marques.

“Não. Não precisa parar aqui. Pode passar reto. Essa não é a boate que eu tinha. Essa boate não tem nada a ver com o que… Com a minha lembrança quero ficar com outra coisa”.

O documentário foi produzido pela empresa Studio Méliès a pedido do advogado. No vídeo, Kiko fala sobre sua infância, adolescência, família, música, o ingresso na Boate Kiss e de como tem sido sua vida desde o incêndio em 27 de janeiro de 2013.

“O papel da defesa no processo penal é, primordialmente, fazer reaparecer o humano que fica encoberto por uma acusação que necessita mais do que um acusado: o réu no processo penal precisa ser visto como um monstro, como uma criatura abominável, alguém que não merece defesa. Humanizar o acusado é a tarefa da defesa capaz de fazer voltar ao processo aquela chance mínima de um julgamento entre iguais. Fora daí, a balança desequilibra e não há possibilidade de justiça”, diz trecho da descrição do vídeo no YouTube.

Kiko é um dos quatro réus do júri da Kiss. Os outros acusados são: Mauro Londero Hoffmann, sócio da boate, e Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, integrantes da banda que tocava na noite da tragédia.

O quarteto responde por homicídio simples, 242 vezes consumado e 636 vezes tentado (pelo número de feridos). O julgamento do caso inicia em 1º de dezembro, em Porto Alegre.

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