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ECONOMIA SOLIDÁRIA. Saiba quem assume as funções da Irmã Lourdes Dill, que deixará a cidade

Projeto Esperança troca de local e de líder. Consea também vai mudar

Saída da Irmã Lourdes do comando do Projeto Esperança e do Consea será precedido de período de transição (foto Maiquel Rosauro)

Por Maiquel Rosauro / Da Assessoria de Imprensa dos Eventos da Economia Solidária

(Material com bastante mais detalhes e que amplia a nota EXTRA publicada no meio da tarde desta terça-feira)

Um novo capítulo na história do Projeto Esperança/Cooesperança começa a ser escrito neste final de ano. A coordenadora da entidade, irmã Lourdes Dill, 70 anos, deixará o cargo após 35 anos de atuação em Santa Maria. A função passará a ser exercida por José Carlos Peranconi, o Zeca, 56, um dos líderes dos grupos de Economia Solidária no município.

A despedida da irmã Lourdes está marcada para o dia 2 de abril de 2022, quando serão comemorados os 30 anos do Feirão Colonial e 34 anos do Projeto Esperança/Cooesperança. A religiosa, a pedido da Congregação Filhas do Amor Divino, assumirá uma nova missão. Sua transferência será para a Diocese de Grajaú, no Maranhão. Ela atuará na cidade de Barra do Corda, onde seguirá trabalhando com pobres, Economia Solidária e povos indígenas. 

Em reunião no Arcebispado, na manhã desta terça-feira (21), o arcebispo de Santa Maria, Dom Leomar Brustolin, garantiu que tanto o Feirão Colonial quanto a Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop) terão continuidade e o apoio da Igreja Católica. O encontro reuniu lideranças e voluntários do Projeto Esperança/Cooesperança.


“É uma transição após 35 anos de um trabalho incansável, mas é necessário dar continuidade ao Projeto. Toda mudança causa certa instabilidade e até dificuldade, mas os compromissos com a causa serão mantidos”, afirma Dom Leomar. 

Também estão previstas alterações administrativas. A sede do Projeto será transferida da Rua Silva Jardim, no Centro de Santa Maria, para o Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, nos fundos do Parque da Medianeira, onde ocorre o Feirão Colonial nas manhãs de sábado e, anualmente, sedia a Feicoop. 

Para garantir a continuidade de todas as ações, a Arquidiocese de Santa Maria firmará um comodato com a Cooperativa Cooesperança para uso gratuito do espaço. O acordo assegurará o uso do espaço pelos produtores, na condição de quem sejam mantidas as raízes do Projeto semeado por Dom Ivo Lorscheiter: fortalecer o cooperativismo, a Economia Solidária, a agricultura familiar, as formas de organização do comércio justo, ético e solidário, bem como o fomento de políticas públicas e as parcerias de trabalho com os catadores, povos indígenas, quilombolas e consumidores.

O Banco da Esperança, que desenvolve atividades assistenciais e foi impactado pela pandemia, será desvinculado do Projeto. Já a Feira da Primavera, que ocorre anualmente em setembro, será melhor avaliada sobre sua realização. 

Na prática, o Projeto seguirá atuando como braço da Arquidiocese, sendo referência no desenvolvimento de ações sociais e parceiro de primeira hora em eventos da Igreja Católica. 

“Agradeço a todos e levo a Deus um grande hino de ação de graças”, diz irmã Lourdes
Nos próximos três meses, irmã Lourdes Dill pretende promover uma série de reuniões com lideranças da Economia Solidária e de parceiras do Projeto Esperança/Cooesperança a fim de promover uma transição madura e consciente. A sensação é de dever cumprido.

“Há um tempo para cada coisa. Meus 35 anos de Santa Maria foram tempos férteis, projetivos e muito importantes para a cidade, para o Brasil e para a América Latina no contexto da Feicoop. Fui alguém que puxei a frente de um coletivo de um grande grupo chamado Projeto Esperança/Cooesperança – Rede Esperança, que torna Santa Maria a capital mundial da Economia Solidária”, reflete a irmã.

A religiosa destaca ser grata a Deus, Nossa Senhora Medianeira por todas as graças alcançadas, Congregação Filhas do Amor Divino e aos bispos Dom Ivo Lorscheiter, Dom Hélio Adelar Rubert e Dom Leomar Brustolin, e a todas as entidades e organizações que ajudaram a construir o Projeto, o Feirão Colonial e a Feicoop, em especial a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Instituto Federal Farroupilha (IFFAR), Prefeitura de Santa Maria, Cáritas Brasileiras, Cáritas Rio Grande do Sul, voluntários, veículos de comunicação e Arquidiocese.

“Fiquei muito tranquila quando Dom Leomar afirmou que não terão mudanças no Feirão Colonial, Feicoop e nas feiras no Centro de Santa Maria. Pelo contrário, serão potencializadas. Tenho certeza de que a semente plantada continua fortificando em Santa Maria, no Brasil e no mundo. Afirmo de coração que a Economia Solidária é uma outra economia que acontece. E que outro mundo é possível desde que cada um faça sua parte. Agradeço a todos e levo a Deus um grande hino de ação de graças”, disse irmã Lourdes.

A despedida da religiosa, em 2 de abril, deverá contar com diversas atividades, incluindo uma edição especial do Feirão Colonial e a celebração de uma missa na Catedral Metropolitana, presidida pelo arcebispo.

“Não tenho medo, sabemos como tudo funciona”, diz Zeca

Irmã Lourdes Dill e José Carlos Peranconi, o Zeca, que passará a dirigir o Projeto Esperança e os eventos da economia solidária (Foto Maiquel Rosauro)

João Carlos Peranconi sabe bem o tamanho da missão que o espera. Zeca, como é chamado por todos a sua volta, participa dos grupos de Economia Solidária desde 1989, apenas dois anos após a criação do Projeto Esperança. No Feirão Colonial ele possui uma banca onde comercializa malhas. Além disso, é um dos coordenadores da Feicoop, atuando na organização dos mutirões que atuam no evento.

“Substituir alguém nunca é fácil. Mas pelo tempo que estamos, temos formas de conseguir dar continuidade. Hoje, existe uma administração no escritório e outra na prática, agora vamos fazer tudo junto em um só lugar, no Centro de Referência. Não tenho medo, sabemos como tudo funciona”, avalia Zeca.

Legalmente, Zeca assumirá o posto de presidente da Cooperativa Cooesperança. Na prática, junto aos grupos de Economia Solidária, sua função será a de coordenador do Projeto Esperança/Cooesperança, a mesma hoje desenvolvida pela irmã Lourdes.

Zeca também ressalta que dará continuidade ao trabalho desenvolvido pela irmã e quer aproveitar o período de transição para aprender a construir os projetos que possibilitam o desenvolvimento da Feicoop. Afirma também que seguirá mantendo uma gestão transparente, proporcionando a prestação de contas de todas as ações desenvolvidas no Centro de Referência.

Claudia Machado assume as funções de presidente do Consea, exercidas até aqui pela irmã Lourdes Dill (Foto Maiquel Rosauro)

Claudia Machado assumirá presidência municipal do Consea
A saída da irmã Lourdes de Santa Maria também impactará no Conselho de Segurança Alimentar (Consea/SM), presidido pela religiosa. Em reunião na segunda-feira (20), o órgão decidiu que Claudia Machado, também integrante do Projeto Esperança/Cooesperança, assumirá o posto em abril.

“O Consea deu um salto enorme com a irmã Lourdes e é um desafio grande, que exige bastante demandas. Mas por ser membro há algum tempo, já estou inserida no Consea e apropriada à temática da segurança alimentar. Vou dar continuidade ao trabalho da irmã e investir na parte formativa”, projeta Claudia.

O Consea tem por objetivo articular e mobilizar a sociedade, formular políticas, programas e ações que configurem o direito humano à alimentação nutricional sustentável. É composto por oito representantes de governo Municipal, um do governo do Estado, um da UFSM, um do Banco do Brasil, 11 usuários e 11 membros da sociedade civil.

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