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KISS. “A fumaça se espalhou rápido e chegou primeiro que eu lá na frente”, afirma sobrevivente

“Parecia uma cena de horror”, diz Cristiane dos Santos Clavé sobre a noite do incêndio

Sobrevivente mostrou onde estava no momento em que o fogo começou por meio da reprodução em 3D apresentada pelo Ministério Público. Foto Juliano Verardi / Imprensa TJRS

Por Janine Souza / Imprensa TJRS

Cristiane dos Santos Clavé perdeu 15 amigos naquela noite em que a Boate Kiss pegou fogo. “Parecia uma cena de horror”, afirmou a vítima sobre o cenário que encontrou já fora da boate, enquanto procurava por um amigo de quem se perdeu lá dentro. “Passava por cima dos corpos”, lembrou.

Já em casa, Cristiane viu o nome do amigo Leandro (de apelido Chupa) entre as vítimas fatais. Ao contrário dela, ele não conhecia bem a boate e foi encontrado no banheiro. “Eu tenho certeza que ele achou que ali era a saída”.

O depoimento de Cristiane encerrou o quarto dia do júri do caso Kiss. Ela contou que estava de frente para o palco e viu dois fogos de artifício presos no chão quando começou o show da Banda Gurizada Fandangueira. A cortina estava bem perto dos artefatos. Ela disse que viu uma fumaça, que sentiu uma falta de ar muito forte e saiu do local para respirar melhor. “Tinha muita gente, tinha que ficar desviando”.

Quando o fogo começou, ela viu a mão de alguém jogando água na tentativa de apagar. O público começou a correr e a se empurrar.

“A fumaça se espalhou rápido e chegou primeiro que eu lá na frente. Estava muito quente, era como o vapor de uma panela”. Cristiane lembrou de uma mesa que estava próxima à porta de saída, como ponto de referência, e conseguiu deixar a boate.

Emocionada, ela lembra que ligou para o irmão, que ficou tomando conta dos sobrinhos.

“Quando cheguei no portão de casa, desabei, pois consegui voltar para os meus filhos”. Quando os nomes das vítimas fatais começaram a ser divulgados, ela identificou 15 pessoas, entre amigos e conhecidos. “Tudo 20 e poucos anos, universitários”. Perguntada pelo magistrado qual o sentimento de estar ali, Cristiane disse que foi avisada de que poderia sofrer ao reviver os fatos, mas ela fazia isso em memória dos amigos falecidos. “É por eles que eu falo. É por eles que estou aqui”.

Não havia sinalização na boate e, “se tivesse, não daria para enxergar porque estava muito escuro”. Ela ouviu muitas pessoas reclamando que estavam sendo barradas de sair da Kiss. E que ninguém anunciou que se tratava de incêndio. “Eu tenho certeza de que muita gente morreu sem saber o que estava acontecendo”.

O julgamento retornará neste domingo (5), às 10h. Deverão ser ouvidos Thiago Mutti (testemunha de defesa do réu Mauro) e a vítima Delvani Brondani Rosso (Assistente de Acusação).

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