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O eleitor gaúcho e o histórico recente do seu agir político-ideológico – por Michael Almeida Di Giacomo

Em dez eleições consecutivas, exceto numa, centro-esquerda venceu todas

O resultado das eleições ao governo do Rio Grande do Sul, desde a abertura democrática – reservadas peculiaridades de cada momento histórico -, apresenta um indicativo de grande valor sobre o pensamento ou agir político-ideológico do eleitor gaúcho.

No período, no qual já tivemos a eleição de dez governadores, o campo da direita teve êxito somente no primeiro pleito, em 1982, com a vitória de Jair Soares. O ex- arenista, foi ministro de João Figueiredo – presidente militar que disse “preferir cheiro de cavalo do que cheiro de povo”.

À época, a falta de unidade entre os partidos de oposição ao regime militar, PMDB e PDT, foi uma variável a ser considerada na vitória arenista sobre Pedro Simon, que aconteceu com a diferença de menos de 1% dos votos.

Nos anos seguintes, no centro do espectro político, tivemos a eleição de Pedro Simon (1986), Antônio Britto (1994), Germano Rigotto (2002), Yeda Crusius (2006), José Ivo Sartori (2014) e Eduardo Leite (2018); à esquerda, tivemos Alceu Collares (1990), Olívio Dutra (1998) e Tarso Genro (2010).

Ou seja, o fato a ser considerado é que o eleitor gaúcho, de forma consciente ou não – quando nos referimos sobre o espectro político-ideológico das agremiações – tem demonstrado preferência pelos partidos que estão alocados do centro à esquerda, com mais ênfase nos partidos centristas.

E, se você tiver tempo para analisar os resultados de cada eleição poderá aferir que – com uma ou outra ressalva – a unidade das forças políticas de mesma base ideológica pode ser tida como uma das premissas no encontro do êxito eleitoral.

O referido raciocínio deve ser considerado nas eleições que ocorreram a partir da década de 1990, quando tivemos um aumento significativo no número de partidos políticos, em especial, nas vitórias de Antônio Britto, Germano Rigotto, Alceu Collares, Olívio Dutra e Tarso Genro. As ressalvas podem ser observadas nas vitórias de José Ivo Sartori, Yeda Crusius e Eduardo Leite.

Em princípio, o histórico das eleições regionais tem muitas similaridades com os resultados das eleições presidenciais. A exceção reside no fato de que, tanto no governo de FHC, quanto no de Lula, a direita teve seu “naco” de poder e conseguiu ter uma sobrevida, a ponto de eleger em 2018 um político da extrema-direita.

A par do referido quadro político-eleitoral não chega surpreender o apelo das lideranças nacionais para que, tanto no campo da esquerda, quanto no campo do centro, a fim de evitar uma pulverização de candidaturas, os líderes regionais sejam impelidos a robustecer suas alianças dentro da mesma esfera de atuação político-ideológica. 

A motivação parece estar ligada ao fato de que o candidato nacional da extrema-direita, há um bom tempo, está a liderar as pesquisas eleitorais nos três estados do Sul do país. O que poderá resultar em um fortalecimento da posição de seus aliados nos referidos estados, a reverberar no próprio resultado da eleição nacional.

Como é de se notar, o passado realmente é um lugar para aprendermos, como disse escritor norte-americano, Roy Bennett. E, a política, assim como a vida, em determinados momentos, parece ser cíclica, como o realismo mágico de Gabriel Garcia Márquez.

(*) Michael Almeida Di Giacomo é advogado, especialista em Direito Constitucional e Mestre em Direito na Fundação Escola Superior do Ministério Público. O autor também está no twitter: @giacomo15. Ele escreve no site às quartas-feiras.

Nota do Editor: a imagem do relógio (sem autoria determminada), que ilustra este artigo, é uma reprodução obtida na internet. Entre outros portais, você pode encontrá-la AQUI

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2 Comentários

  1. Narrativas funcionam. Os ‘mais bem informados’ hoje dirão que o Brasil é autosuficiente em Petroleo e o problema é ‘faltam refinarias’. Mais complicado. Campo de Libra, maior campo de pré-sal. Foi concedido. Petrobras ficou com 60%. Shell holandesa com 20%. Total francesa com 20%. China Nacional Petroleum com 10%. China Offshore Oil com mais 10%. Petroleo, até onde sei, bom. Tupi, outro campo, Shell holandesa tem 25%, Petrogal (portugueses e chineses) tem 10%. Campo de Mero, Shell 20%, Total 20%, chineses 20%. Resumo da opera: como sempre não é tao simples e a solução não é tão facil. Alas, é o modelo de recolonização da Africa, pais pobre tem uma montanha de ferro. Não tem grana para a mina e nem para as estradas e portos para tirar o minerio de lá. Chineses financiam tudo, cobram juro ‘amigo’, ficam com a produção e como garantia um pedaço do territorio. Coisa fina. Muito bonzinhos estes chineses. Alas, Argentina cedeu um pedaço do territorio para um ‘observatorio astronomico’.

  2. Voto ideologico é muito reduzido. É chute, mas maioria vota de acordo com a conjuntura. Vota nas pessoas e não nos partidos. Vota por narrativas, emotivamente as vezes. Petistas lançaram programa noutro dia. Mercadante falando nos presidentes ‘progressistas’ da America Latina, na futura ‘integração’ que promoverão. ‘Mudaremos a geopolitica mundial’. Obvio que é balela. Brasileiro alem de sustentar BSB vai ter que sustentar Caracas, Buenos Aires, Lima e até Manágua. Obras faraonicas virão. Bobagens do tipo placas de automoveis valida em todo Mercosur (maioria nunca vai dirigir fora do pais). Tudo fazendo muito bem para o bolso de alguns.

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