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COVID-19. Passa de 2,5 milhões o número de gaúchos com quarta dose de vacina em atraso

Eles completaram ciclo inicial e não voltaram para tomar doses de reforço

São milhões os que completaram o ciclo inicial em 2021 e não retornaram para tomar as doses de reforço (foto Cristine Rochol/PMPA)

Originalmente publicado no jornal eletrônico SUL21 / Texto de Luís Gomes

A aplicação da quarta dose da vacina contra a covid-19 vem avançando no Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, está disponível para os adultos maiores de 40 anos que já tomaram a terceira dose (de reforço) há pelo menos quatro meses. No entanto, chama a atenção o grande número de pessoas que estão com as dose de reforço atrasadas.

Segundo levantamento da Secretaria Estadual de Saúde (SES), 2.552 milhões de pessoas já poderiam tomar a quarta dose até esta quarta-feira (6) e ainda não o fizeram. O número é ainda mais preocupante se considerar que 2.753 milhões de pessoas sequer tomaram a terceira dose, a chamada dose de reforço, que já está disponível há meses para todas as faixas etárias da população.

Atualmente, a quarta dose já está disponível para profissionais de saúde e de apoio à saúde a partir de 18 anos, imunocomprometidos a partir de 12 anos e vem avançando por faixa etária para a população em geral que recebeu a terceira dose há pelo menos quatro meses.

Se comparada com as pessoas que ainda não tomaram a segunda dose, apenas 684.307, os números revelam que milhões de gaúchos que completaram o ciclo inicial de vacinação em 2021 não retornaram para tomar as doses de reforço.

Professora de Biologia Molecular na UFCSPA e especialista em em vírus respiratórios, Ana Gorini da Veiga pontua que no caso de outras doenças respiratórias, como a gripe, já é senso comum a necessidade de vacinação anual em razão das mutações do vírus e da perda da imunidade com o tempo.

“Há doenças que a vacina dura para sempre, como febre amarela, sarampo e varíola, mas para influenza e outros vírus respiratórios, como o coronavírus, a gente tem uma imunidade temporária. Então, de tempos em tempos, temos que tomar novamente a vacina”, diz. “Quanto mais esses vírus são transmitidos entre as pessoas, mais mutações eles vão sofrer e mais variantes vão surgir. A única forma que a gente tem de realmente se proteger contra formas mais graves da doença é se vacinando”, diz.

Professora de Biossegurança da Universidade Federal de Ciências da Saúde (UFCSPA) e especialista em Imunologia, Melissa Markoski alerta que as pessoas que não estão retornando para as doses de reforço correm mais riscos de serem infectadas de forma mais grave pela covid-19.

“Até a variante Ômicron surgir, depois de uns cinco ou seis meses, as taxas de anticorpos neutralizantes que a gente produz em razão das vacinas, isso vai sendo neutralizando no organismo e vai desaparecendo. Então, depois de cinco ou seis meses, aquela defesa mais robusta provocada pelos anticorpos que a vacina gera vai embora. Isso enfraquece bastante a resposta da pessoa ao vírus”, diz.

Contudo, o risco é ainda maior diante das novas variantes. Um artigo publicado em junho na revista científica New England Review Journal apontou que as subvariantes BA.4 e BA.5 da Ômicron, hoje predominante em países como os Estados Unidos, estão escapando dos anticorpos neutralizantes mesmo entre pessoas com doses de reforço atualizadas.

Melissa pontua que a divulgação dessas informações pode levar pessoas a desistirem de tomar doses de reforço pelo sentimento de que a vacina “não adianta”. No entanto, ela salienta que as vacinas seguem sendo muito importantes para evitar casos graves mesmo para as infecções com estas variantes.

“Tomando a vacina e tomando a dose de reforço, mesmo que tu tenha a situação de escape das subvariantes da Ômicron, mesmo que outras situações possam acontecer, tu fortalece o teu sistema imune para não desenvolver os casos graves, aqueles sintomas mais severos. Quanto mais reforços de vacina você tem, mais difícil vai ser desenvolver um caso grave. Não tomar a vacina significa você precisar de hospitalização e ter o risco de desenvolver sintomas mais graves”, diz.

Ana Gorini também destaca que a vacina não garante a não infecção, mas reduz “imensamente” os riscos de casos graves. “Agora, a gente tem muitos conhecidos que já tiveram e estão tendo covid, mas as pessoas estão em casa, estão bem, tem um pouco de tosse, mal-estar e ficam um pouco cansados, mas poucos estão sendo hospitalizados. A maioria das pessoas hospitalizadas são aquelas que não foram vacinadas ou não receberam a dose de reforço. Para essas novas variantes, a vacina já não é tão eficaz, por isso que as vacinas precisam ser atualizadas, mas é melhor tomarmos as vacinas que temos e não sermos hospitalizados do que não tomar nada. A vacina reduz o risco da forma mais grave da doença”, afirma.

Gorini orienta que as pessoas devem seguir o calendário de vacinação do Ministério da Saúde para as doses de reforço, pois ele é estabelecido a partir dos prazos em que a proteção vacinal vai diminuindo.

Melissa alerta ainda que ao menos as pessoas dos chamados grupos de risco deveriam manter o uso da máscara, especialmente em lugares fechados. “Junto com a vacinação, é a máscara que vai fazer a barreira de proteção”, diz.

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