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Olympe de Gouges, uma revolucionária defensora das mulheres – por Elen Biguelini

Em 7 de maio de 1748 nascia Marie Gouze, na França. Esta dramaturga e ativista feminista ficou mais conhecida por seu pseudônimo: Olympe de Gouges. Era filha de um açougueiro e de uma lavadeira do sudoeste francês. Casou-se aos 16 anos com Louis Aubry, um militar de baixa patente, e após cinco anos já se tornou sua viúva.

Após a morte do marido, a jovem se mudou para a capital francesa, onde deixou sua marca. Já em 1774 escrevia peças de teatro, notadamente a peça “L’Esclavage des Nègres”, um texto abolicionista, que só foi publicado durante a Revolução Francesa – quando seus escritos já eram mais conhecidos.

É justamente neste período que a autora escreve a obra que marcou seu nome na História mundial e, em especial, na História das Mulheres. Grande defensora da Revolução que pedia pela igualdade entre aristocracia e burguesia, Olympe percebeu que esta igualdade – venerada pelos revolucionários – não abrangia as mulheres.
Surge, então, em resposta à “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, escreveu seu “Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã”, dedicado à rainha Maria Antonieta.

Mas a mesma revolução que ela tanto defendeu foi o que a levou à guilhotina. Em 1793 ela se posicionou contra a execução da família real e foi presa como girondina. Foi morta em 3 de novembro deste ano. Ironicamente, a participação feminina na Revolução Francesa (que era muito forte, como se comprovou através da obra de Joan Scott) foi proibida neste mesmo ano.

Mas o apagamento masculino de sua obra não perdurou. Atualmente, Olympe de Gouges é relembrada não apenas por feministas, por seu texto realmente igualitário.

Ao invés do texto revolucionário, que excluía muitos, a obra de Gouges falou em favor de homens, negros e mulheres.

Mas é a “Declaração dos Direitos das Mulheres” que faz com que seu nome seja reverberado entre muitas feministas que a seguiram:

“Homem, és capaz de ser justo? É uma mulher quem coloca a pergunta; ao menos não a prives desse direito. Diz-me, o que te dá poder soberano para oprimir o meu sexo?” (Gouges, 1791).

Na próxima semana iremos analisar um pouco deste seu importante tratado sobre a igualdade.

Para ler mais:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Olympe_de_Gouges
http://biografias.netsaber.com.br/biografia-2345/biografia-de-marie-gouze–a-olympe-de-gouges

A “Declaração” no site da UFSM:
https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/414/2018/10/DeclaraDirMulherCidada1791RecDidaPESSOALJNETO.pdf

(*) Elen Biguelini é doutora em História (Universidade de Coimbra, 2017) e Mestre em Estudos Feministas (Universidade de Coimbra, 2012), tendo como foco a pesquisa na história das mulheres e da autoria feminina durante o século XIX. Ela escreve semanalmente aos domingos, no Site.

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