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O Xixi da democracia – por Marcelo Arigony

O cronista, as eleições gerais e a metáfora da beterraba azul. Hein?

Descobri uma espécie nova de beterraba no mercadinho da esquina. De cútis cerúlea. Deve ser alguma espécie transgênica. E bem baratinha.

Dei uma googleada e descobri que essa remolacha é rica em vitaminas, flavonoides, potássio, magnésio, cálcio, zinco, fibras e antioxidantes; previne câncer, broxura e falta de vontade em geral. Não perde nem pro Coscarque….

Então não titubeei. Beterraba blue à mancheia! As crianças têm que comer essa azulona para ficar bem fornidas. Bom pra saúde, cor do Grêmio… e tá barato. Mete beterraba azul!

Aí, durante a semana, foi assada e cozida; ralada e desfiada; com maionese e atum; com laranja; refogada com repolho; carpaccio e tartar; com lentilha e rabanete; bolo e suco; cupcake, macarrão, nhoque, panqueca, torta e pão de beterraba… ufa… deu pra enjoar bem a azulona.

Então o xixi de todo mundo lá em casa ficou azul. Assustei-me! Vai que essa cerúlea me sobrecarrega o corpo ou as ideias… Chega de beterraba!

É sabido e consabido que nunca estamos prontos. A gente nasce e vai se montando, física e psiquicamente; vai moldando a personalidade e se externalizando: revelação fenotípica. Até perto dos 50, acho. Depois a gente começa a se desmontar… a caminho do apito na curva.

As influências externas no molde da personalidade são tão significativas que um reconhecido palestrante, chamado Jim Rohn, diz que somos a média das cinco pessoas com quem passamos a maior parte do tempo.

Em 1997 cursei a escola da magistratura na capital. Um eminente professor explicava que o juiz julga com base na pré-compreensão, e que aquela conversa de que julga de acordo com o método literal, sistemático, lógico…. é balela! Ele julga de acordo com o que ele é.

Assim todos nós. O que define nossos julgamentos é tudo o que vimos, vivemos, estudamos e experienciamos. É o que delineia as nossas decisões na estrada da vida.

E isso explica sobejamente os amigos que votam no governo e os outros que escolhem cegamente a oposição. Não querem conversa. Uns ovacionam o Padre Kelmon; outros têm certeza de que ele não vai pro céu. Não tem caminho do meio. Não tem diálogo nem dissuasão. Tudo o que uns fizeram foi errado; tudo que outros fazem também.

É a cegueira da beterraba azul. A intransigência de quem bebe de apenas uma fonte aniquila o diálogo e a alteridade, tão caros à democracia de um país com dimensões continentais.

Uma dieta balanceada precisa contemplar todo o arco-íris. Do contrário ficarão todos fazendo xixi azul, e brigando por mais quatro anos… 

(*) Marcelo Mendes Arigony é titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil em Santa Maria, professor de Direito Penal na Ulbra/SM e Doutor em Administração pela UFSM. Ele escreve no site às quartas-feiras.

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2 Comentários

  1. Não tem que ter dialogo ou conversa. Este negócio de ‘conversando tudo se revolve’, ‘vamos dividir a conta’ é coisa ideologica dos causidicos. Pessoal do juridico não consegue fazer o judiciario funcionar a contento e querem palpitar sobre o resto da sociedade. Arrumem o quarto primeiro! Desenvolvimentismo já foi tentado no Brasil umas três vezes. Em todas deu mais resultados negativos do que positivos. Vai discutir o quê? Industria mecanica pesada, tentaram quatro ou cinco vezes (estaleiro em Rio Grande). Sempre deu com os burros n’agua. Discutir utopias é perda de tempo também. Mundo que vivemos é este. Mudo real é diferente das redes sociais (como se viu no primeiro turno). Resumo da ópera: é melhor mijar azul do que bunda mole, sangue de barata e espinhaço de borracha. Consolo: dizem que reposição de testosterona faz milagres.

  2. Jim Rohm, até prova em contrário, é autor de auto-ajuda e afirmação sobre media é anedotica. No senso comum até faz sentido por isto muitos irão concordar. Para quem já estudou administração, area de RH, é conversa longa. Formação da personalidade, tipologia de Myers-Briggs (ou outros, com as controversias que acompanham). Provavelmente na Escola de Magistratura ainda falam a mesma coisa que 25 anos atrás. Pessoal do juridico vive numa bolha. Na area de gestão existem linhas de pesquisa sobre tomada de decisão, sem falar nos avanços da neurociencia.

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