Menos on-line, mais on-life. Acredite: é possível! – por Amarildo Luiz Trevisan
“...Esqueceram de prender a corda, mas não esqueceram de ligar as câmeras?”

O trágico acontecimento na Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo, na manhã de um sábado recente (13/06), traz à tona o lado mais aterrador da nossa obsessão contemporânea pelas telas. Uma jovem de apenas 21 anos foi arremessada ao vazio em um salto de rope jump. A corda de proteção, conforme registrou o boletim de ocorrência, não estava fixada. Ela caiu para a morte.
Para além da óbvia negligência técnica, o episódio nos força a uma intuição incômoda: as tecnologias, que nasceram sob a promessa de tornar um outro mundo possível, estão nos levando ao abismo. Literalmente sem corda, sem rede e sem qualquer proteção.
O detalhe mais assustador e sintomático dessa tragédia é que o salto foi filmado na íntegra. A vítima usava uma câmera do tipo GoPro, pertencente à empresa organizadora, equipamento que sumiu misteriosamente após o acidente. A pergunta que não sai da minha cabeça é simples: como as pessoas esqueceram de prender a corda, mas não esqueceram de ligar as câmeras? Talvez porque estejamos nos acostumando a olhar o mundo através das telas antes mesmo de olhar para ele diretamente. Em muitos momentos, o registro tornou-se mais importante que a experiência. A imagem passou a valer mais do que a presença.
Mas por que estamos trocando o real pelo virtual sem escalas, anestesiados diante dos riscos brutais dessa transição? Quem está ensinando as novas gerações a compreender criticamente as imagens que produzem e consomem? Quem está ensinando os limites éticos, emocionais e humanos do uso das tecnologias?
Uma chave para compreender esse paradoxo está no livro “A Geração Ansiosa”, do psicólogo social Jonathan Haidt. Na obra, o autor mapeia como a transição de uma “infância baseada no brincar” para uma “infância baseada em smartphones” desencadeou uma epidemia global de transtornos mentais.
Haidt demonstra, com dados contundentes, que o desempenho escolar e o bem-estar dos jovens vinham em uma linha ascendente de 1970 até o início dos anos 2010. Contudo, após 2012 — o estopim da popularização dos smartphones e das redes sociais —, essa tendência se inverteu drasticamente. Culpar a pandemia é um diagnóstico raso; o fenômeno começou muito antes e persiste estruturalmente.
“Precisamos de menos experiências baseadas em telas e mais experiências baseadas no mundo real. E acredite: isso é possível”, diz Jonathan Haidt. O problema não está em uma câmera, em um celular ou em uma rede social específica. O problema surge quando esses instrumentos passam a reorganizar nossa percepção da realidade, deslocando nossa atenção do que acontece para a forma como aquilo será registrado, compartilhado ou curtido.
É inegável que a internet facilitou a pesquisa e o trabalho pedagógico. No entanto, as telas deixaram de ser ferramentas de expansão cognitiva para se tornarem vetores de regressão mental. O apelo de Haidt é claro: as escolas deveriam ensinar os alunos a dominar a tecnologia (como a programação) e não permitir que a tecnologia os domine, promovendo ansiedade, anomia e solidão. É hora de dar fim a esse “experimento humano” feito sem comitê de ética.
Nós — pais, educadores e sociedade em geral — precisamos urgentemente passar pela “terapia de Atlas”. Precisamos parar de tentar carregar nas costas um mundo analógico que já não existe, e abrir os olhos para a urgência do mundo atual.
Estamos falhando em uma alfabetização básica. Ensinamos as novas gerações a ler palavras e números, mas quem está ensinando a ler e interpretar a cultura visual? Até quando vamos fingir que tragédias como a de Limeira são apenas “incidentes isolados” e não o sintoma de uma sociedade que prioriza o registro do momento em detrimento da própria vida?
O apelo de Haidt para salvar as crianças deve ser estendido, com urgência, aos jovens e adultos. Afinal, as crianças são o espelho das nossas próprias obsessões. Elas não nasceram conectadas; nós as conectamos para que não nos dessem trabalho enquanto olhávamos nossas próprias telas. Agora, o boleto dessa negligência coletiva chegou. E o preço, como vimos na Ponte do Esqueleto, está caro demais.
Talvez a tragédia de Limeira nos deixe uma pergunta bastante incômoda, mas necessária: estamos usando a tecnologia para ampliar a vida ou estamos permitindo que ela substitua a própria experiência de viver?
Viver dá trabalho, exige atenção e cobra presença. Desconectar um pouco não é um luxo nostálgico; é um mecanismo de sobrevivência. Olhe para o lado. Respire.
Menos on-line. Mais on-life.
Acredite: isso ainda é possível.
(*) Amarildo Luiz Trevisan é licenciado em Filosofia, mestre em Filosofia (UFSM), doutor em Educação (UFRGS) e pós-doutor em Humanidades pela Universidade Carlos III de Madri. Tem formação teológica pela Diocese de Goiás. É Professor Titular aposentado da UFSM e atua como Professor Visitante no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN. Publicou diversos trabalhos, entre eles o livro Terapia de Atlas: Filosofia da educação no contemporâneo (EDUCS, 2020). Ele escreve no site aos sábados.





Resumo da opera. Mundo mudou, foi numa direção completamente incompativel com o desejado pelos Vermelhos. Simples assim. Acham que vão mudar alguma coisa com mimimi.
Resumo da opera. Jeff Bezos lançou uma nova start up. IA fisica. Não só software, inteligencia artificial embarcada em robos, maquinas e veiculos. Associadamente a IA será um ‘engenheiro geral artificial’. Visa acelerar o projeto, invenção e manufatura de produtos complexos como motores a jato, foguetes, capsulas espaciais e dispositivos medicos. Nome da empresa é Prometheus.
Resumo da opera. Mais uma exortação inútil.
‘Nós — pais, educadores e sociedade em geral —[…]’. Estão ultrapassados, maioria, por conta da ideologia, ira tentar resolver o problema errado de maneira errada. Resposta padrão é: vamos controlar tudo e determinar o que não pode. Só é permitido o que determinarmos que é.
‘[…] ensinar os alunos a dominar a tecnologia (como a programação) […]’ Não é mais necessario, programação pode ser feita com IA. Ainda tem seus problemas, mas serão sanados.
‘Uma chave para compreender esse paradoxo está no livro “A Geração Ansiosa”, do psicólogo social Jonathan Haidt.’ Sempre um livro só. Outros utilizam a Biblia e a Torá. Vermelhos e seus truques de ‘fabricação de consenso’.
‘ Talvez porque estejamos nos acostumando a olhar o mundo através das telas antes mesmo de olhar para ele diretamente.’ Coisa de quem passa a vida esfregando a barriga na mesa numa sala com ar condicionado. Quer dizer que se não houvesse cameras o acidente não teria ocorrido?
‘A pergunta que não sai da minha cabeça é simples: como as pessoas esqueceram de prender a corda, mas não esqueceram de ligar as câmeras?’ Classico em acidentes de trabalho. Rotina leva a falta de atenção. Tudo vira mecanico sem muito ‘penso’. Convivencia com o risco leva a ‘perda de respeito’. Falta de procedimento padronizado. Falta de supervisão.
Quais os motivos do projeto estar engavetado? Porque os Vermelhos tentaram ‘modernizar’ o pais impondo a ideologia. ‘Não há crime de aborto: se por vontade da gestante, até a decima segunda semana de gestação, quando o médico ou psicologo constatar que a mulher não apresenta condições psicologicas de arcar com a maternidade’. Dentre outras coisas do coitadismo penal.
Por partes como diria Elize Matsunaga. Projeto do novo Codigo Penal, que esta engavetado, PLS 236/2012, contem a culpa gravissima: ‘se as cincunstancias do fato demonstrarem que o agente não quis o resultado morte, nem assumiu o risco de produzi-lo, mas agiu com excepcional temeridade, a pena sera de quatro a oito anos de prisão’. No mesmo documento crime culposo é ‘quando o agente em razão da inobservancia dos deveres de cuidado exigiveis na circunstancia realizou o fato tipico’. Ou seja vão utilizar a enjambração do dolo eventual para punir os envolvidos puramente pela repercussão da noticia.