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A invasão em tempo real – por João Luiz Vargas

É incalculável a quantidade de informações que circulam diariamente nas redes sociais. Verdades e inverdades se misturam e atravessam fronteiras com uma velocidade jamais vista. Em 2026, o mundo vive conflitos antigos sob uma nova lógica: não assistimos mais de fora. A tecnologia nos colocou dentro da cena. Recebemos imagens e acontecimentos em tempo real. O que antes levava dias para chegar, hoje chega em segundos.

Casos como os de Nicolás Maduro e Donald Trump ilustram esse novo tempo. Antes, a ausência de um líder gerava rumores e longos silêncios oficiais. Hoje, uma fotografia, um vídeo curto ou um gesto diante da câmera funcionam como prova de vida, afirmação de poder e mensagem política direta ao mundo.

Se voltarmos no tempo, veremos o quanto a informação exigia espera. Dependíamos do jornal, do rádio, do noticiário da noite. A notícia amadurecia. Hoje, nasce crua, imediata, muitas vezes antes de ser compreendida.

A mídia segue fundamental na construção da sociedade, desde que interpretada com senso crítico. Soma-se a isso a presença da inteligência artificial, ferramenta positiva quando colaborativa.

Quando um líder envia uma imagem e, em segundos, outro país toma conhecimento, o fato deixa de ser apenas institucional. Toda a população passa a acompanhar, reagir e participar. Somos, ao mesmo tempo, espectadores e atores do tempo presente. As notícias não apenas nos alcançam, elas nos incluem. Vivemos os acontecimentos em tempo real, dentro da história enquanto ela ainda está sendo escrita.

(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.

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3 Comentários

  1. ‘ Somos, ao mesmo tempo, espectadores e atores do tempo presente.’ Maioria é só espectador. Todos têm direito a opinião, mas só alguns o direito de serem ouvidos. Opinião que ‘vale’ é a de quem decide e tem poder para decidir.

  2. ‘A mídia segue fundamental na construção da sociedade, desde que interpretada com senso crítico.’ Antigamente a neutralidade era uma meta. Até para não ofender a capacidade cognitiva alheia. Com a ressalva de que não existe ninguém ‘neutro’, todos tem suas preferencias, sua bagagem e sua historia de vida. Agora com a desculpa de que ‘ninguém é neutro’ passou-se a militancia discarada. Tentam passar a imagem de que é como sempre foi. Sem sucesso, obvio.

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