“Meu Nome é Agneta” e a redescoberta da vida – por Roselâine Casanova Corrêa
“Narrativa sobre amizades e outros afetos, rica de nuances,... cores e sabores”

Falta de perspectiva. Ausência de responsabilidade afetiva. Monotonia. Somente um desses fatores já colocariam um indivíduo em questionamento acerca de sua existência e o desejo de mudança na vida. Imagine os três juntos, em uma mulher casada há décadas e beirando os 50 anos.
Com esses elementos a diretora e roteirista sueca Johanna Runevad, concebeu o belíssimo filme “Meu Nome é Agnet” (“Je m’appelle Agneta” /2026), tendo no elenco atores carismáticos e empáticos, como Eva Melander (Agneta), Björn Kjellman (Magnus, o marido), Claes Månsson (Einar, o idoso excêntrico) e Jérémie Covillault (Fabien, o dono do restaurante). O longa é baseado no livro “Je m’appelle Agneta”, de Emma Hamberg (2021), um sucesso na Suécia, porém não foi publicado no Brasil. O filme está disponível para streaming na Netflix.
O enredo é focado na capacidade e coragem para recomeços, de uma mulher com 49 anos – Agneta – que se sente invisível em sua própria casa, entediada com seu trabalho, desconfortável com a frieza do metódico marido e com os filhos distantes. Ela quer mais. Muito mais! Então aceita um emprego de cuidadora na região de Provence e muda-se da Suécia para a França, com a intenção de retornar ao seu país de origem.
Mas aí outro mundo se apresenta para a protagonista. Da solidão de um casamento morno e sem atrativos, ela migra para uma realidade bordada de vida, encontros inesperados e pessoas dispostas a dividir suas histórias de vida. Tudo isso narrado com delicadeza, entre os campos de lavanda e seus lilases balançantes. Seu figurino, até então em tons neutros, passa a ter a mesma cor das lavandas. Inclusive a roupa íntima!

Divertida e carismática, Agneta é o exato oposto do marido, mais preocupado em tomar banhos gelados e praticar corridas de bicicleta. Contudo, na vila na França, logo faz amizade com um grupo que se encontra em um restaurante às sextas-feiras. Sua relação com Einar é tanto caótica, quanto inspiradora e divertida. E lá vai ela, com experiências culinárias, paisagens deslumbrantes e diálogos intensos com seu novo amigo, fazendo com que redescubra os prazeres da vida. É uma ruptura com seu antigo cotidiano, de maneira delicada, descobertas intensas e um novo sentido para a sua existência.
Parece lugar comum tal enredo. Contudo, nos brinda com uma reflexão exuberante da capacidade de alterar o rumo da própria vida. De experimentar o novo em meio a estranhos, que se tornam muito mais íntimos que seu próprio marido frio e distante.
Trata-se de uma narrativa sobre amizades e outros afetos, rica de nuances, possibilidades, cores e sabores!

(*) Roselâine Casanova Corrêa é Professora de História. Graduada em História (UFN), com especialização em História do Brasil (UFSM); Museologia (UFN) e mestrado em História (PUC/RS). Foi membro do COMPHIC (2012-2022). Também é, com o jornalista Bebeto Badke, idealizadora do “Projeto Amnésia: descubra Santa Maria”. Rose escreve sobre cinema, às quintas-feiras, nesse site.





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