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Amigos do Vorcaro, inimigos da Pátria! – por Valdeci Oliveira

Pois então: “a postura da família Bolsonaro tem nome e se chama vassalagem”

Na semana que passou, o Brasil ficou estarrecido ao novamente ser vítima de um crime de lesa-pátria. E cometido pela mesma família que havia articulado, no ano passado, uma série de pesadas sanções e tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos contra instituições, empresas e empregos brasileiros. E como antes, o faz agora para defender única e exclusivamente seus interesses particulares, o que explica o termo “família” compor seu slogan político.

Bastou uma visita de membros deste clã – que está mais para organização criminosa – ao presidente da maior potência econômica e militar do planeta, o mesmo que se diverte invadindo países para impor sua vontade, para que o Brasil fosse considerado uma nação “não amiga”. Além de se tratar de um fato inédito e descabido em mais de duzentos anos de relações diplomáticas, nos coloca no mesmo patamar de nações que vêm sendo vítimas desta sanha neocolonialista, cujo mote é a subserviência e apoio irrestrito aos seus interesses.

Mas o resultado da visita dos irmãos “metralha” ao Salão Oval da Casa Branca é que corremos o risco iminente de sermos atingidos por tarifas que, por diferentes “desculpas”, todas esdrúxulas, podem chegar a mais de 37% sobre o que exportamos para os EUA. Além disso, colocaram no centro do alvo um produto genuinamente brasileiro, o PIX.

Outro “motivo” para entrarmos no radar de novas sanções econômicas seria porque o governo brasileiro não atua contra o desmatamento, ignorando o fato de que nos últimos 3,5 anos as medidas impostas pelo presidente Lula e pela ex-ministra Marina Silva resultaram numa redução de 80% neste quesito.

Mas a coisa é pior: os dados utilizados pela administração estadunidense para embasar a decisão dizem respeito, pasmem, ao governo do pai dos “metralhas”, este sim amante de motosserras, expansão de pastos sobre áreas de floresta, mineração sem freios e garimpo ilegal.

A omissão ao trabalho escravo é outro “argumento” para justificar as medidas, deixando de lado que foi o governo do presidente Lula que criou a chamada “lista suja”, com penalidades severas às empresas notificadas.  E que foram nos governos Temer e Bolsonaro que ela foi combatida, acusada de perseguir empresários e produtores rurais. Em termos comparativos, a atual gestão de Lula libertou 70% a mais de trabalhadores que se encontravam nesta situação do que no governo do pai dos “metralhas”.

O capítulo mais recente desta crise criada pelo clã extremista diz respeito ao vídeo recentemente publicado nas redes sociais pelo herdeiro que se encontra foragido nos EUA. Na opinião dele, o governo brasileiro deveria negociar o PIX com Trump, incorporando nosso sistema ao dos norte-americanos, chamado “Zelle” que, diferente do nosso, não é público e nem gratuito, muito menos de amplo acesso. A postura vai em encontro à opinião externada pelo governador de São Paulo e amigo da família “patriota”, de que no atual cenário deveríamos entregar alguma “vitória” a Trump.

A família que se autointitula patriota e pegou para si vários dos símbolos nacionais, para em seguida, sem nenhum pudor, pisoteá-los, tem levado ao pé da letra a máxima de que os fins justificam os meios, não importando o método nem as vítimas que ficarão pelo caminho. Foi assim durante a pandemia, quando negaram a sua gravidade e depois as vacinas para a população. Foi assim ao perderem a eleição de 2022, quando tentaram um golpe de estado e planejaram a morte de autoridades e opositores políticos. Foi assim quando destruíram as sedes dos Três Poderes para forçar uma intervenção militar. E está sendo agora na insana tentativa de voltar ao poder, nem que para isso tenham que entregar o Brasil para interesses estrangeiros ou pegar milhões roubados de aposentados pelo pivô do maior escândalo financeiro da nossa história, o “amigo” Vorcaro. Em sua defesa, dizem estar numa guerra e por isso qualquer método ou ação é válido para derrotar o suposto inimigo.

E ao baterem palmas à definição imposta ao Brasil por outro país, de que organizações criminosas daqui são na verdade organizações terroristas, aceitam a ingerência externa, concordam que devemos ser tutelados por interesses que não os nossos e abrem uma perigosa porta: a de uma ação externa em nosso território. Pela lei estadunidense, eles podem entrar no Brasil, matar, sequestrar e prender qualquer um que eles julguem terrorista sem a obrigação de nos comunicar. E nossas empresas, caso tenham algum tipo de contato, mesmo que involuntário, sofrerão pesadas penas. E o mesmo vale para nossos bancos, que ficam proibidos de operar em dólar.

A receita é antiga: cria-se uma série de problemas para vender as soluções. E estas vêm com nomes como Terras Raras, PIX, petróleo, etanol, etc.

A postura da família Bolsonaro tem nome e se chama vassalagem. É como se não bastasse se comportar com um vira-lata dócil, é preciso “abanar o rabo” e “latir” para “ganhar um osso” Seria deprimente não fosse revoltante. Para a nossa sorte, o presidente do Brasil chama-se Luiz Inácio Lula da Silva.

(*) Valdeci Oliveira, que escreve sempre as sextas-feiras, é deputado estadual pelo PT e foi vereador, deputado federal e prefeito de Santa Maria.

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