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BRASIL. Faça um exercício: como seria o Congresso se a população fosse proporcionalmente representada

Atenção: a democracia pressupõe que os grupos se organizem em partidos políticos, defendam neles as suas posições, e, se vitoriosas, levadas à sociedade, para que esta resolva a questão. É como funciona, no melhor dos mundos. Mas… Mas… Bem, vale conferir o excelente material produzido pelo portal “Justificando”, que traz um trabalho interessante sobre como seria se a população brasileira fosse representada proporcionalmente, no Congresso Nacional.

Exemplos? A Câmara dos Deputados (alvo do estudo, pois o Senado, em tese, representa as unidades federadas) tem um representante dos grupos LGBT. Teria que contar com quatro. Mulheres? São 50, seriam 264 (em 513). Negros? Há 103 na Câmara. Deveraim ser 263. Não é interessante? Confira, a seguir:

câmara mulheres

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Como seria se o Congresso representasse proporcionalmente a população brasileira?

Neste ano, a Câmara dos Deputados uniu esforços para abater direitos de parte da população. Leis que violam garantias fundamentais, aumentam a repressão, ou ainda, omissões parlamentares a temas importantes levantam a pergunta se o Legislativo é, de fato, a “casa do povo”, ou a “casa de parte do povo”.

Frederico de Almeida, cientista político e colunista no Justificando, aponta que “quantitativamente, minorias serão sempre minorias, e o sucesso de suas demandas dependerá da composição com outros grupos minoritários e também do acesso a mecanismos de veto a políticas majoritárias ou de garantias de direitos, como é o caso do Judiciário”.

Mas há um outro problema, alerta o cientista e professor na UNICAMP: quando falamos não propriamente de minorias, no sentido quantitativo, mas sim de grupos vulneráveis, de menor expressão política, ou de “maiorias silenciosas” ou “silenciadas”. Se analisarmos a composição do Congresso Nacional, é mais ou menos isso o que acontece quando vemos, por exemplo, a subrepresentação de mulheres e a super-representação do capital, em relação à representação dos trabalhadores.

Isso mostra que o sistema de representação proporcional, na verdade, está sujeito a múltiplos filtros e influências: do controle sobre recursos econômicos e políticos que determinam o sucesso eleitoral, da capacidade de organização política dos grupos, da adesão dos dominantes a dicursos e ideologias dos dominantes – conclui.

Levantamento feito pelo Justificando, com base em dados do IBGE, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da Câmara dos Deputados, identifica que as minorias que mais sofrem com a atuação parlamentar não fazem parte do Congresso, ou fazem em número ínfimo e muito menor ao que seria se houvesse uma distribuição proporcional das cadeiras, tomando por base a população brasileira.

câmara negros

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Mulheres

Apesar de serem maioria no Brasil, são poucas mulheres na Câmara dos Deputados. Enquanto no país 51,3% da população é mulher, na Câmara a proporção cai drasticamente para 9,9%. As consequências são as aprovações de leis que não respeitam os direitos femininos, como, por exemplo, o projeto aprovado na Comissão de Constituição e Justiça que dificulta o aborto legal por mulheres estupradas.

Para Gabriela Cunha Ferraz, colunista no Just e coordenadora nacional do organização feminista CLADEM, isso é reflexo da educação: “infelizmente, nós ainda somos criadas para ser esposa de político e não política. Mesmo dentre as 50 mulheres que existem na câmara, muitas estão ali pela força dos seus pais ou maridos que fizeram carreira na vida política”.

“Ainda são poucas as que têm a veia da política ativa e, geralmente, essas são as que lutam, de fato, pelos direitos e pelo destaque na mulher na sociedade. Se não for assim, só replicamos um modelo já falido de opressão dentro das esferas de poder e na vida pública e seguimos tendo homens engravatados negociando nossos direitos abertamente “, afirmou…”

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Um Comentário

  1. Partido político é uma instituição que surgiu no final do século XVII, início do século XVIII, na Inglaterra. Na antiguidade Roma teve uma república que durou quase 500 anos sem partidos.
    Para chegar ao poder organizado é necessário algum tipo de organização, só não está claro se no futuro ainda será o partido.
    O problema da estatística é que, quando bem feita, fica difícil escapar. Se existirem 23 alunos numa sala de aula, a chance de dois fazerem aniversário no mesmo dia é 50%. Se forem 60 alunos a probabilidade bate nos 90%. Logo dá para chutar que existe mais de um membro da comunidade LGBT na Câmara, só não assumem a própria condição e nem defendem os interesses do grupo.
    Negros? Bahia tem 14% da população desta etnia, região metropolitana de Salvador tem 51%. Quantos governadores, senadores e prefeitos da capital elegeram? Prefeitos foram poucos, alguns eleitos por via indireta, outros nomeados (um por ACM inclusive).
    O projeto que dificulta o aborto em caso de estupro não foi adiante por falta de representação feminina, coisa mais óbvia do mundo. Se a parcela que falta para preencher a "fatia" das mulheres fosse preenchida por evangélicas a proposta iria adiante muito mais rápido.
    O que se conclui? Querem criar "cotas" para "corrigir" o resultado das urnas porque o mesmo não agrada determinadas pessoas.

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