A percepção de risco e vários fatos, entre eles a eleição de 2026 – por José Renato Ferraz da Silveira
Eis, pois, um elemento essencial para compreender as escolhas do eleitorado

Existe uma linha de pesquisa em comunicação estratégica chamada “risk perception”, que estuda a avaliação que as pessoas fazem sobre o risco que estão correndo ao fazer certas coisas.
Há simplesmente certos grupos sociais e certos perfis que se acreditam invulneráveis ou menos vulneráveis que os outros. Jovens, atletas, homens, ricos compõem demograficamente os grupos com maior sensação de que coisas ruins que acontecem com os outros não vai acontecer com eles.
E tem variáveis sociais. O “senso de responsabilidade de uns com os outros”, por exemplo, é uma variável importante para adesão a campanhas de saúde pública.
Sociedades mais egocêntricas e narcisistas são menos permeáveis à tentativa de indução de comportamentos pró-social porque não aceitam se privar dos chocolates por causa dos outros, de quem nem realmente gostam.
O garotos do Leblon são ricos, são bonitos e são jovens. Jovens “são imortais, até que morrem”, como se diz. Gente bonita não morre, vira estrela. E são todos da geração “que se cuida”. “Quem bebe dois litros de água, come salada e exercita diariamente, viverá para sempre”.
Todo anúncio de saúde pública, por exemplo, tem que considerar o nível de percepção de risco do público-alvo. É muito difícil convencer pessoas com baixa percepção de risco de coisas como parar de fumar, não dirigir depois de beber, usar preservativo, usar cinto de segurança. Não seria diferente no caso de conselhos como use máscara, mantenha distância, fique em casa durante a pandemia.
A percepção de risco tem influência em muitas outras áreas. Afinal, parece que nossas decisões são em geral consideradas a partir do que é mais conveniente para o indivíduo. E isso é aplicado nas escolhas eleitorais, por exemplo. Escolher esse em relação ao outro? Nas escolhas eleitorais, há diversas variáveis para escolher “x” e não “y” ou “z”. E há uma tendência de voto no “menos pior”. Por isso, muitas vezes, o índice de rejeição deve ser levado em consideração numa eleição. E não só! A última eleição presidencial brasileira, os dois candidatos mais cotados tinham rejeição acima dos 40%.
A próxima eleição presidencial em relação à rejeição será um componente formidável de análise. Pesquisa Quaest divulgada (em abril) mostra o presidente Lula (PT) empatado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em índice de rejeição para a eleição presidencial de 2026. Tanto Lula quanto Bolsonaro têm 55% de rejeição entre os nove potenciais candidatos em 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Os dois estão tecnicamente empatados com o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), que tem 56% de rejeição.
Os menos rejeitados são os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, com 24%, e Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, com 26%. Porém, ambos são os candidatos menos conhecidos dos entrevistados.
O cenário político que se projeta para a próxima eleição terá duas variáveis a serem decifradas: a taxa de rejeição dos candidatos favoritos (acima de 50%) e a escolha do “menos pior” (que tem sido constante em quase todos os processos eletivos).
Na futura eleição presidencial, a percepção de risco será um elemento essencial para compreender as escolhas do eleitorado.
(*) José Renato Ferraz da Silveira, que escreve às terças-feiras no site, é professor Associado IV da Universidade Federal de Santa Maria, lotado no Departamento de Economia e Relações Internacionais. É Graduado em Relações Internacionais pela PUC-SP e em História pela Ulbra. Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP. Colunista do Diário de Santa Maria. Participou por cinco anos do Programa Sala de Debate, da rádio CDN, do Diário de Santa Maria. Contribuições ao jornal O Globo, Sputnik Brasil, Rádio Aparecida, Jornal da Cidade, RTP Portugal. Editor chefe da Revista InterAção – Revista de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) (ISSN 2357- 7975) Qualis A-2. Editor Associado da Scientific Journal Index. Também é líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP).





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